Especialistas estão menos pessimistas com desempenho do setor em 2017

Com as mudanças no Governo Federal, as perspectivas para a construção civil em 2017 estão menos pessimistas. Contudo, as melhorias começarão devagar no próximo ano e só terão avanço significativo a partir de 2018. De acordo com Maurício Molan, economista-chefe do banco Santander, o Brasil alcançou o “fundo do poço”, mas ele mantém uma perspectiva “cautelosamente otimista” para os próximos dois anos na economia. “O Brasil teve provavelmente uma das maiores contrações de sua história. O brasileiro médio ficou 10% mais pobre nesse período”, disse.

Na avaliação de Molan, o País se colocou em uma posição de “extrema vulnerabilidade” devido à trajetória ascendente da dívida externa. “Isso gerou incertezas e colapso na confiança.” Com a mudança de governo, Molan conta que os empresários “se acalmaram” e a percepção geral é de que algo será feito para o controle das contas públicas.

“Pode ter sido dado início a um círculo virtuoso, diferente do que tínhamos no passado. Essa confiança reforça a ideia de que batemos no fundo do poço e vamos melhorar”, avalia Molan, que prevê redução da taxa básica de juros (Selic) dos atuais 14,25% para 10% ao fim de 2017. “A perspectiva de queda de juros está se consolidando e, por isso, projetamos recuperação da poupança, mas que ainda demorará a acontecer”, afirma.

Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi- SP, avalia que a retomada gradual na economia deve dar subsídios para a melhora na construção civil, entretanto, depende da concretização das mudanças propostas no governo Michel Temer. “Com o andamento e aprovação das medidas propostas pelo governo, o cenário será de boas notícias para o mercado a partir de 2017”, afirmou o economista. Uma das medidas defendidas por ele é o controle dos gastos públicos e a reforma da Previdência.

Em meio ao cenário cauteloso, o diretor de relações institucionais da Cury, Ronaldo Cury, lembrou que a demanda da baixa renda no País continua alta. “O déficit habitacional tem caído, mas agora depende do crédito”, ponderou. Cury observou que algumas incertezas permanecem e a principal é política.

Sobre os preços no mercado residencial, João da Rocha Lima Jr, professor titular do Núcleo de Real Estate da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), espera uma ligeira queda no próximo ano. A pressão de custo será forte, principalmente nas capitais como São Paulo, onde existem fatores locais, como outorgas. Um pequeno avanço nos preços deve se seguir em 2018, acelerando em 2019.

Por sua vez, Alessandro Vedrossi, co-head de real estate da Valora Gestão de Investimentos, não vê motivos para queda nos preços, principalmente em São Paulo. “Não há condições para isso. O que existe é uma contínua pressão de preços, relacionada ao custo de produção, o que nos levará a um mercado menor”, observou. Segundo ele, o mercado imobiliário paulistano deve estabilizar em níveis semelhantes aos de 2004/2005, com vendas em torno de 25 mil unidades.

Atividade da construção civil cai 10,3% em 12 meses, segundo MCC
O Índice de Atividade da Construção Imobiliária recuou 11,6% em setembro, em metragem quadrada na construção, na comparação com mesmo mês de 2015, segundo o Monitor na Construção Civil (MCC). Frente a agosto a queda foi de 0,3%. Os números contribuem para a redução da atividade de construção imobiliária, que nos últimos 12 meses caiu 10,3%, em média.

A previsão da Tendência Consultoria e da Neoway Criactive, responsáveis pelo levantamento, é de que a retração nos lançamentos continue restringindo a atividade da construção nos próximos meses.

De acordo com a pesquisa, as fases de fundação e estrutura voltaram a crescer na margem durante o mês de setembro, o que reflete a elevação no índice de lançamentos no final de 2015. A metragem quadrada em fase de lançamento, por sua vez, mostrou em julho uma nova retração na comparação mensal (-7,9%) e acumulou queda de 45,6% em 12 meses.

Por outro lado, a atividade de construção civil residencial aumentou 0,4% em setembro, com dados dessazonalizados, depois de 30 meses de quedas consecutivas. Em 12 meses, o recuo médio foi de 9,5%. Quanto às obras comerciais, o recuo em setembro foi de 5% em relação a agosto, com retração acumulada de 15,7% em 12 meses.

A maior queda foi observada na região Norte (-33,4%) no período de setembro de 2015 até setembro de 2016. A região Centro- Oeste também recuou acima da média nacional (-21,8%) e a Sudeste apresentou a menor queda, com -4,6%.

Caixa libera R$ 34 bilhões para financiamento de imóveis
A Caixa Econômica Federal anunciou no início de outubro a liberação de R$ 34 bilhões para financiamentos de imóveis. A verba será destinada tanto para operações com recursos da poupança, quanto do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). O investimento também incluirá as faixas de maior renda do programa Minha Casa Minha Vida e das linhas pró-cotista. Está prevista aplicação de R$ 93 bilhões em habitação neste ano.

Nelson Antônio de Souza, vice-presidente de habitação do banco, mostrou-se preocupado com a medida. “Agora estamos atrás de demanda”, afirmou o executivo, que ainda não sabe se haverá público para requisitar estes financiamentos.

Três deliberações tornaram possível a disponibilização desse montante, apesar do alto volume de saques da poupança, de R$ 41 bilhões até setembro. A primeira é o aumento dos recursos disponibilizados pelo FGTS para linhas pró-cotista, que atendem as classes de média e alta renda.

Outra medida tomada foi a venda de parte do portfólio de crédito habitacional da Caixa, por meio de Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI), para o FGTS, o que abriu espaço para a concessão de novos créditos. Em terceiro, está o fato de o banco ser o detentor de um grande volume da carteira de crédito habitacional do País. Isso faz com que ele tenha uma quantidade mensal de recursos de poupança que ficam disponíveis para empréstimos, quando os financiamentos vão sendo quitados.

Os distratos também trazem preocupação ao banco, que para tentar amenizar o problema, tem antecipado o momento em que assume o financiamento do cliente final.

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