Em off: bastidores da construção

Dois convites para 2017
A FIABCI-Brasil (Federação Internacional Imobiliária) e o Secovi-SP realizaram uma mesa-redonda para debater sobre os rumos da economia, da política e do setor imobiliário. Entre os palestrantes, o ex-ministro Delfim Netto e o presidente da Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança), Gilberto Duarte. Apesar da recessão, o discurso foi de esperança, considerando o potencial que o mercado imobiliário brasileiro possui. Hoje, 80% da população do país está em áreas urbanas que têm carência de novos imóveis. Além disso, a população que está envelhecendo aponta o futuro, já que novos imóveis, adaptados a essa nova fase da vida, serão necessários. Para Delfim Netto, o Brasil já realizou todas as experiências políticas existentes e conseguiu manter suas instituições. Porém, o economista foi menos otimista do que os colegas ao afirmar que “o ano 2017 só existirá em um cenário mais tranquilo se o construirmos”. Em sua última Coluna Secovi do ano, o presidente do Secovi-SP, Flavio Amary, enfatizou: “Temos de destravar a produção para recuperar o emprego e gerar renda. Se o juro alto não pode continuar, temos de pressionar, mas não só nas ruas. Precisamos ir lá, no Congresso, no Palácio do Planalto”.

Tendência global
Durante palestra ocorrida no ano passado, em São Paulo, o engenheiro Roger Flanagan, um dos maiores especialistas em internacionalização de projetos do mundo, chamou a atenção para três pontos. Alertou para as profundas mudanças que estão ocorrendo no planeta, diante da maior competitividade entre as empresas e da onda global de combate à corrupção; destacou o mapa dos investimentos em construção ao redor do mundo, onde se destaca a China, mas Europa e Estados Unidos não ficam muito atrás; e considerou que, em projetos de infraestrutura, a tendência mundial são a privatização e as parcerias público-privadas.

O Brasil lá fora
Segundo o engenheiro Ercio Thomaz, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), as grandes empresas nacionais (aquelas envolvidas na Lava-Jato) têm plena capacidade técnica e gerencial para atuar no exterior. “Todavia, antes disso, há a necessidade de um longo trabalho de recuperação da imagem, profundamente arranhada pelos últimos acontecimentos”, afirma.

BATE-ESTACA

Sem recuperação pujante 
Depois de dois anos de recessão severa, a economia continua sem forças e corre o risco de ficar estagnada neste 2017. “O mais crítico é o investimento, que poderia reagir além de consumo e setor externo. A indústria não tem razão para investir porque está com enorme capacidade ociosa, e o programa de infraestrutura é pequeno e está atrasado”, afirma o economista José Francisco de Lima Gonçalves, professor da FEA-USP.

Banho-maria 
Empresários da construção civil fizeram uma choradeira tão grande para impedir que o Palácio do Planalto liberasse uma parte do FGTS para o pagamento de dívidas dos trabalhadores que o presidente Temer preferiu deixar a questão em banho-maria por uns dias, só para não se indispor com um setor tão vital para a geração de empregos.

Proporcionalidade 
Depois que o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, ameaçou fazer um pedido de intervenção federal, o presidente Temer convocou o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, para uma reunião. Nela, o presidente pediu a Meirelles que busque formas de ajudar os estados em situação crítica proporcionalmente ao tamanho do rombo de cada um.

Para inglês ver 
Usados como isca para fisgar compradores, os nomes de batismo dos edifícios lançados na cidade de São Paulo, de 2011 a 2015, pela primeira vez são dominados por estrangeirismos. Em 50% dos casos, a nomenclatura tem termos em inglês, francês ou italiano – em vez do bom e claro português.

Veja também:

Comunicado aos Assinantes PINI!

Clique aqui.