Recuperação esbarra nos estoques de imóveis prontos ou em construção

Segundo a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), existem 117,7 mil imóveis à espera de comprador – suficiente para atender à demanda durante um ano e quatro meses. Já o Banco JP Morgan calcula que os estoques somam hoje 24 meses, totalizando R$ 23,4 bilhões em valor de mercado de imóveis. Esse cifra considera os números de nove incorporadoras que têm ações na bolsa de valores. No setor, o estoque aceitável é de um ano. Esse é o patamar médio. Diante da expectativa de que os juros básicos cheguem a 10% até o fim de 2017, as empresas preveem que os lançamentos na planta devem começar a voltar no segundo semestre, assim como os cerca de 200 mil empregos perdidos em 2016.

Construtora foca em baixa renda e fecha o ano com saldo positivo

As vendas líquidas da Direcional Engenharia apresentaram um crescimento de 33% em 2016, comparadas com o ano anterior. A velocidade de vendas do quarto trimestre, medida pelo indicador Vendas Sobre Oferta (VSO), atingiu um índice de 11,9% – ou seja, 5,2% acima do apresentado no trimestre anterior. Esse resultado foi motivado pelo aumento de vendas de lançamentos com VSO de 20%. No quarto trimestre, a incorporadora lançou sete projetos (totalizando 2.032 unidades) destinados às faixas 2 e 3 do Minha Casa Minha Vida, com Valor Geral de Vendas (VGV) no total de R$ 316 milhões. A construtora também entregou sete empreendimentos nesse período (com total de 7.314 unidades) com VGV de R$ 668 milhões, o que gerou R$ 1,7 bilhão – sendo a faixa 1 do Minha Casa Minha Vida o segmento responsável por 67% desse total.

Expectativa de crescimento em março

O Índice Antecedente de Vendas do IDV (Instituto para Desenvolvimento do Varejo), que consegue antecipar a tendência de resultados da Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE, registrou uma queda real de 3,5% em dezembro de 2016, em comparação com o mesmo mês do ano anterior. Para março, a projeção de crescimento é de 1,3%. No setor de bens duráveis (em que estão incluídos os materiais de construção civil), que teve uma queda real de 0,8% em dezembro de 2016 (comparada com o mesmo mês do ano anterior), os associados estimam um crescimento de 3,7%.

 CURTA 

Casas populares na região metropolitana de São Paulo
O programa Morar Bem, Viver Melhor entregou 9.995 moradias para famílias de baixa renda na região metropolitana de São Paulo. Esse número representa um aumento de 197,2% em relação às 3.363 casas concluídas em 2015. Segundo a Secretaria da Habitação de São Paulo, o investimento foi de R$ 373,1 milhões. A Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) foi responsável pela construção de 1.127 unidades de interesse social, e a Casa Paulista, por 8.868.

Material de construção dá sinais de retomada
As vendas de material de construção no varejo cresceram 4% em janeiro, em relação ao ano anterior. Já em comparação com dezembro de 2016, a queda foi de 11%, porém, janeiro é um mês em que, tradicionalmente, as vendas caem devido às férias escolares, segundo a Anamaco (Associação Nacional dos Comerciantes de Materiais de Construção). Mas se, de um lado, a criançada de férias em casa não combina com reforma, de outro, as chuvas de verão acabam levando mais clientes às lojas, em busca de telhas e outros materiais que podem resolver problemas de infiltração. Outro fato que pode ter impulsionado positivamente o setor é a implementação do Cartão Reforma, feita em novembro de 2016.

Para tentar reduzir o déficit habitacional de 35 mil moradias, a cidade de Campinas, no interior paulista, poderá receber em breve o apoio de empresários chineses do ramo da construção civil. Em recente encontro, a delegação chinesa, representando a Terra Brazil Desenvolvimento Ltda., propôs uma parceria ao secretário municipal da Habitação e presidente da Cohab-Campinas, Samuel Rossilho. “A tecnologia dessa empresa será uma ferramenta importante para atingirmos nossa meta, que é oferecer moradia digna à população de baixa renda”, afirmou Rossilho. Para o diretor técnico da Cohab, Jonatha Roberto Pereira, uma parceria com essa empresa chinesa, que tem sede em Barueri (SP), promoveria um salto de qualidade dos projetos já desenvolvidos pela companhia, já que os chineses possuem uma tecnologia de ponta. “Eles são especialistas na utilização de estrutura metálica com fechamento de painel de concreto celular. Com esse recurso seria possível construir um edifício de 12 andares, com seis unidades por andar, num prazo recorde de nove meses”, afirma Pereira.

Ampliação do MCMV impacta a redução de estoques

Com a meta de contratar 610 mil unidades habitacionais em 2017, o governo federal ampliou o programa Minha Casa Minha Vida, com foco na classe média. De acordo com os ajustes, a renda máxima para ser beneficiário do programa passou de R$ 6,5 mil para R$ 9 mil. O governo também elevou o valor máximo dos imóveis que podem ser incluídos no programa com o uso do FGTS. Em São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal, o valor máximo passou de R$ 225 mil para R$ 240 mil. Nas cidades de Campinas e Santos, o valor passou de R$ 215 mil para R$ 235 mil. A distribuição das unidades torna claro o perfil mais classe média do programa: 400 mil casas serão destinadas às faixas 2 e 3 (para famílias com renda entre R$ 4 mil e R$ 9 mil); 170 mil casas vão ficar com a faixa 1; e 40 mil unidades vão para a faixa 1,5. Segundo o ministro interino do Planejamento, Dyogo Oliveira, o objetivo dessas mudanças é a geração de empregos. Segundo o vice-presidente do Sinduscon-MG, Geraldo Jardim Linhares Junior, a medida tende a estimular a retomada. “Ela pode desengavetar muitos projetos e gerar cerca de 800 mil postos de trabalho diretos e indiretos na cadeia da construção em um ano”, afirma Linhares Junior.

Goteiras, fissuras e rachaduras no sonho da casa própria

Pesquisa do Ministério da Transparência, Fiscalização e Controladoria-Geral da União, que avalia a execução de programas de governo, revela que 48,9% dos imóveis da faixa 1 do Minha Casa Minha Vida (destinada ao público mais carente) possuem algum problema ou incompatibilidade em relação ao projeto. São cerca de 93 mil unidades habitacionais com falhas provocadas em sua grande maioria por causa da incidência de água, como fissuras, infiltrações, vazamentos e coberturas deficientes. A auditoria, que analisou 688 empreendimentos construídos de 2011 a 2014 em todo o país, também identificou que quatro de cada dez empreendimentos não seguiram totalmente as especificações dos projetos. Os problemas principais dos condomínios estão relacionados à pavimentação e a calçadas inapropriadas, além da falta de equipamentos comunitários, como escolas e postos de saúde.

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