Construtoras menores ocupam vácuo deixado pelas gigantes

Três anos depois do início da Operação Lava-Jato, o previsível se concretiza: com o desmonte das maiores empreiteiras do país, algumas construtoras de médio porte começam a explorar o setor de infraestrutura. Uma das candidatas a ocupar esse espaço é a Racional Engenharia, que viveu sua primeira experiência no setor com as obras do aeroporto de Confins, em Belo Horizonte. Agora, a construtora anuncia que montará uma equipe só para explorar obras no setor portuário. Segundo o presidente da Racional, Newton Simões, a empresa tem como ponto a seu favor o fato de estar capitalizada e, assim, não depender de empréstimos bancários para tocar seus negócios. Outra construtora que segue o mesmo caminho é a Concremat, controlada desde o fim de 2016 pela chinesa CCCC – que adquiriu 80% do negócio. O objetivo dos chineses é realizar as obras do porto de São Luís.

OAS busca fôlego no exterior

No início de maio, a OAS cumpriu o pagamento de R$ 30 milhões a seus credores, referentes às parcelas de maio deste ano e de novembro de 2016 – ambas previstas no plano de recuperação judicial da empresa. Sem crédito para honrar o próximo pagamento, previsto para novembro, o grupo busca novos acordos que ampliem sua carteira de obras e mantenham a rotatividade do negócio. O foco da empresa atualmente é a África, onde a OAS tenta fechar contratos de serviços de engenharia e construção civil financiados por parceiros chineses interessados em investimentos naquele continente.

Novas regras para o MCMV

O Ministério das Cidades anunciou, no início de junho, mudanças na contratação do programa Minha Casa Minha Vida, além da construção de 25.600 moradias na faixa 1 (são imóveis para famílias com renda mensal de até R$ 1.800). Serão selecionadas 122 propostas em 77 cidades brasileiras. O total do investimento é de R$ 2,1 bilhões e, segundo o ministro Bruno Araújo, terão prioridade os municípios com déficit habitacional elevado e as propostas de empreendimentos mais próximas dos centros urbanos. Entre as mudanças consta ainda a redução do número de unidades por empreendimento, que passou de 2.000 para 500. Outra exigência, segundo Araújo, é que os prédios sejam construídos em áreas que tenham infraestrutura prévia de água, energia elétrica e saneamento básico.

 

Região metropolitana de São Paulo atrai construtora

Segundo um relatório da Embraesp (Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio) divulgado no fim do ano passado, os imóveis que mais têm se destacado em vendas no país são os de dois dormitórios, com área útil que varia de 45 m2 a 65 m2, na faixa de preços entre R$ 225.000 e R$ 500.000 – e com volume de vendas maior na planta. Sediada em Osasco, a construtora Danpris está investindo exatamente nesse filão há mais de dois anos. O empreendimento Terraço Quitaúna, por exemplo, que a construtora lançou por lá no ano passado (dentro do programa Minha Casa Minha Vida), já está com 75% das unidades vendidas. Segundo Dante Seferian, diretor executivo da empresa, além do investimento em novidades – como o terraço gourmet -, o que está atraindo a clientela são as condições de pagamento inovadoras que a construtora oferece. Entre as opções, zero de entrada, parcelas pequenas durante a construção e ainda a possibilidade de parcelar a entrada utilizando, inclusive, o 13o salário. “Hoje, as famílias estão cada vez menores, buscam regiões mais tranquilas e o terraço gourmet se torna cada vez mais desejado”, afirma Seferian. “Diante desse reaquecimento do mercado da construção civil, já é possível pensar em novas plantas que tragam condições acessíveis de compra e qualidade de vida”, completa.

Odebrecht terceiriza canal de denúncias

A ICTS Outsourcing, empresa brasileira de consultoria, auditoria interna e serviços de gestão de riscos e de negócios, é a nova responsável pelo canal de denúncias da Odebrecht, nomeado Linha Ética. O objetivo da terceirização é aprimorar o serviço que foi criado em 2014, quando a recepção dos relatos era feita pela equipe de TI da própria Odebrecht. Escolhida em processo de concorrência, a ICTS passa a gerenciar as denúncias de comportamentos não éticos e violações das políticas internas, regras e legislações. Terceirizado e independente, o recebimento das denúncias deverá reforçar o anonimato e o sigilo das informações, garantindo a não retaliação para quem usar a ferramenta de comunicação. O Linha Ética pode ser acessado por funcionários, clientes, terceiros e o público em geral. As denúncias via telefone podem ser feitas pelo número 0800 377 8011.

Chineses investem em infraestrutura no Brasil

Para financiar projetos de interesse dos dois países, o Brasil e a China criaram um fundo de investimentos de U$ 20 bilhões. O acordo, que vinha sendo discutido desde 2015, foi anunciado em maio, durante o Fórum de Investimentos Brasil 2017, em São Paulo. Os operadores preferenciais do fundo, que terá aporte de U$ 5 bilhões do Brasil e o restante da China, por intermédio do Fundo de Cooperação Chinês para Investimento na América Latina (Claifund), serão o BNDES e a Caixa Econômica Federal. Porém, a participação também será aberta a outros bancos. Só empresas dos dois países poderão participar dos projetos (o início estava previsto para junho). Segundo o ministro do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, Dyogo Oliveira, o fundo terá foco em setores prioritários como logística, energia, recursos minerais, agricultura, indústria de manufatura e serviços digitais.

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