Editorial: o kick off pós-crise

Marília Muylaert

“É senso comum entre especialistas em economia e construção civil que o tão esperado kick off pós-crise depende da aprovação iminente das reformas trabalhista e da Previdência.”

A história é de quem conta. O PIB da construção recuou 6,3% no primeiro trimestre deste ano, segundo o IBGE, se comparado ao mesmo período de 2016. No entanto, em relação ao último trimestre do ano passado, houve um crescimento de 0,5%.

Em 2016 o PIB da construção teve retração de 5,2%, o terceiro ano consecutivo com resultado negativo (-7,6% em 2015 e -2,4% em 2014). A pesquisa divulgada pelo IBGE mostra que no primeiro trimestre de 2017 comparando com o mesmo período do ano passado, a construção registrou redução de 9,5% da sua ocupação e decréscimo nominal de 3,3% das operações de crédito do sistema financeiro.

A boa notícia é que, de fato, talvez tenhamos superado o fundo do poço. No primeiro trimestre de 2017, o PIB do Brasil, de R$ 1,6 trilhão, registrou uma alta de 1% em relação ao quarto trimestre do ano passado, o primeiro crescimento do indicador após oito trimestres nessa base de comparação. No entanto, é senso comum entre especialistas em economia e construção civil que o tão esperado kick off pós-crise depende da aprovação iminente das reformas trabalhista e da Previdência. É o que garante o entrevistado desta edição, José Romeu Ferraz Neto, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP). “A Formação Bruta de Capital Fixo caiu 3,7% no primeiro trimestre de 2017, em comparação com o mesmo trimestre de 2016. Com isso, a taxa de investimentos, que no ano passado era de 16,8% do PIB, declinou para 15,6% no trimestre findo em março. Ou seja, os investimentos continuam em queda e, como a construção depende deles, o prognóstico é negativo”, explica. A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic) acredita que “sem as reformas, principalmente a previdenciária, será difícil recuperar níveis de crescimento, de investimento e de renda para atender às necessidades da população”. Em meio ao país politicamente dividido, não resta outra saída senão as tão necessárias reformas.

Boa leitura!

Veja também: