Em off: bastidores da construção

Cidades inteligentes… lá fora

Cerca de 500 participantes de mais de 40 países estiveram reunidos no fim de maio, em Andorra, no 68o Congresso Mundial da Fiabci – Smart Cities, Smart Buildings. Nessa edição do evento, o maior da indústria imobiliária do mundo, uma das principais discussões foi sobre a transformação que a internet das coisas e os dados digitais vão promover no mercado da construção civil. Segundo o arquiteto francês Jean Nouvel, um dos mais respeitados da atualidade, a construção de cidades inteligentes requer dois fatores fundamentais, além das inovações tecnológicas. ‘Os projetos devem começar pela compreensão profunda de sua localização, e as decisões de construção devem ser feitas sempre em conexão com a cultura local’, disse Nouvel. Para demonstrar seu conceito, de que cada edifício deve fluir da paisagem natural, o francês apresentou seu residencial La Querola d”Ordino, desenvolvido em Andorra, onde ‘a montanha manteve todos os seus direitos’. Outro destaque do evento foi a Índia, ao anunciar que pretende construir casas para 100% da população por meio de tecnologias acessíveis.

Bairro vertical

O presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil do Rio de Janeiro (IAB-RJ), Pedro da Luz Moreira, suspeita que a ideia do prefeito Marcelo Crivella, de urbanizar o bairro Rio das Pedras a partir da verticalização da favela, pode fracassar. Segundo Moreira, esse projeto – com custo estimado em R$ 5,4 bilhões – pode criar a mesma situação que ocorreu com o Projeto Cingapura, em São Paulo, no qual grande parte dos edifícios erguidos pelo governo de Paulo Maluf “se transformou em problemas, em condomínios não administráveis”. Para o especialista, mais do que obras de urbanização, na comunidade é fundamental haver uma política de atenção continuada que inclua coleta de lixo, tratamento de esgoto e manutenção da iluminação, entre outros serviços públicos.

 BATE-ESTACA 

Custo da corrupção

Diretor da consultoria Inter.B, Claudio Frischtak, um dos maiores estudiosos da infraestrutura brasileira, levantou o custo da corrupção nas obras públicas de 1970 até 2015. Considerando que a ladroagem foi crescendo com o tempo e chegou a um sobrepreço médio de 35% nos anos mais recentes, a pesquisa concluiu que o país perdeu, em valores corrigidos, cerca de R$ 2,1 trilhões.

Fiscalização vip

A Petrobras fez um acordo com a Carioca Engenharia que permite à empreiteira voltar a fazer negócios com a estatal, desde que cumpra regras mais rígidas. Uma delas estabelece, por exemplo, que a Petrobras poderá fiscalizar – pelos próximos cinco anos – a ação de alguns diretores da empresa, incluindo o dono, Ricardo Beckhauser, um dos delatores na Operação Lava-Jato.

Odebrecht no Equador

Depois de uma operação da polícia equatoriana com base nas delações da Odebrecht no Brasil, o presidente da Assembleia Legislativa do Equador pediu a saída imediata da empreiteira de seu país. “Essa empresa corrupta e corruptora deve sair imediatamente do país, assim como seus dirigentes e representantes”, disse José Serrano, que pretende abrir um processo para retirar o controlador da empresa do cargo e promete ação implacável no combate às práticas ilícitas.

Família Niemeyer dividida

Vera Lúcia, viúva de Oscar Niemeyer e presidente de honra do Instituto Oscar Niemeyer, foi proibida de utilizar o nome do arquiteto comercialmente (embora possa manter a nomenclatura do instituto) por determinação do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, ocorrida em abril passado. Desde então, a marca “Niemeyer”, que foi registrada até no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi), só pode ser explorada pela Fundação Oscar Niemeyer, presidida por Paulo Sérgio Niemeyer, bisneto do arquiteto.

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