Em off: bastidores da construção

Infraestrutura brasileira ameaça segurança alimentar mundial

Segundo um relatório divulgado pela organização britânica Chatham House, além de eventos climáticos extremos (como tempestades e furacões), a infraestrutura brasileira também pode paralisar a exportação de alimentos e espalhar a fome pelo mundo. Os pesquisadores alertam que mais da metade da exportação global de soja, arroz, milho e trigo é centralizada em portos brasileiros, americanos e do Mar Negro. Mas o “avanço espetacular” do Brasil como fornecedor global de soja e milho não foi acompanhado por investimentos em infraestrutura para exportação. “Os portos estão operando perto de sua capacidade máxima, enquanto o transporte para novos terminais que estão sendo construídos no Norte é dificultado pela péssima condição das estradas”, aponta o estudo. A estimativa é de que 70% das rodovias que ligam as zonas produtoras a esses portos estejam em más condições, inclusive com muitos trechos ainda não pavimentados. “O que preocupa é que, com as mudanças climáticas, provavelmente veremos um ou mais desses gargalos interrompidos coincidindo com perdas de safras, e é aí que as coisas começam a ficar sérias”, afirma Laura Wellesley, uma das autoras do relatório.

Porto Maravilha a ver navios

Buracos nas ruas, calçadas sem manutenção, obras inacabadas. Depois de ter passado por uma das maiores transformações urbanísticas da cidade, este é o atual retrato do Porto Maravilha, no Rio de Janeiro. Iniciada em 2011, a “plástica” que devolveu aos cariocas a visão da Baía de Guanabara em pleno centro da cidade já consumiu R$ 5 bilhões. O problema é que, para manter todas as “maravilhas”, a concessionária Porto Novo – que firmou com a prefeitura uma parceria públicoprivada (PPP) para fazer obras, manutenção e a operação da Zona Portuária – precisará de outros R$ 5 bilhões, pelos próximos oito anos e meio. Mas a concessionária está desde janeiro sem receber.

Tendências I

“Mesmo em meio à crise, uma boa notícia: a construção brasileira está cada vez mais profissionalizada. Sim, o custo continua alto, porém, esse valor pode ser reduzido inserindo cada vez mais tecnologia e industrialização em todas as etapas da construção. Assim, é possível diminuir o custo final das obras e ter um resultado de excelência. Essa é a tendência para o futuro”, afirmou Jorge Batlouni Neto, vicepresidente de Tecnologia e Qualidade do Sinduscon-SP, durante sua palestra no 5o Fórum Matcon. O evento dfoi realizado em junho, durante a Semana das Tecnologias Integradas da Construção, Meio Ambiente e Equipamentos, em São Paulo.

Tendências II

“A transparência é o novo ”selo verde”. Precisamos falar claramente sobre os impactos do produto para o meio ambiente e a saúde, sobre os componentes químicos e o ciclo de vida. Informar para educar. A tendência é menos selo, mais informação”, afirmou no mesmo evento Roberto de Souza, presidente do Centro de Tecnologia de Edificações (CTE).

 BATE-ESTACA 

Proposta indecorosa
A incorporadora PDG propôs um teto de R$ 25 mil para a quitação dos processos movidos por clientes que compraram na planta – mas não receberam – seus imóveis.

Amazônia sem infra
A região metropolitana de Belém é a que tem o maior percentual de famílias (53%) vivendo em moradias “subnormais”, como o IBGE classifica favelas e construções sobre palafitas.

Feira com crise
Os organizadores da Feicon Batimat anunciaram, em junho passado, que já contavam com 70% da planta comercializada para a realização do evento em 2018.

Obras paradas
O Brasil acumula hoje cerca de 5 mil obras públicas paradas, de pequeno, médio e grande porte, segundo Murilo Pinheiro, presidente da Federação Nacional dos Engenheiros.

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