Editorial: sinais de recuperação

Marília Muylaert

Com 2.170 unidades vendidas, a comercialização de imóveis novos em São Paulo subiu 79% em maio, na comparação com abril (1.212 unidades), e 104,9% ante o mesmo mês do ano passado (1.059 unidades). Os números foram divulgados no dia 11 de julho pelo Departamento de Economia e Estatística do Sindicato da Habitação do Estado de São Paulo (Secovi-SP).

“Os dados da pesquisa sinalizam a volta da confiança dos empresários devido aos indicadores positivos da economia, bem como maior segurança dos compradores para efetivar negócios”, afirma o presidente do Secovi-SP, Flavio Amary. Mas a recuperação não representa ainda fôlego suficiente para dar vazão ao estoque de unidades habitacionais disponível nas grandes capitais.

A passos de tartaruga, o país parece sair da inércia. A atividade econômica caiu 0,51% em maio, na comparação com abril, segundo o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma “prévia” do PIB. No entanto, em relação a maio de 2016, a economia teve crescimento de 0,04%, quando são consideradas as diferenças sazonais, e de 1,4%, quando elas não são consideradas.

“Os indícios da recuperação exigem cautela e devem servir de alerta: a crise é profunda e seus resultados são permanentes. Nos dois primeiros meses deste ano, a participação dos imóveis de médio e alto padrão nos distratos residenciais chegou a 53%”

Se a força motriz da economia, e principalmente do setor, está nas obras de infraestrutura, o anúncio do novo pacote de medidas do governo federal parece acender uma luz no fim do túnel com o apoio às concessões e às parcerias público-privadas em estados e municípios, com a disponibilização de até R$ 11,7 bilhões em linhas de créditos para obras de infraestrutura, como iluminação pública, saneamento e gestão de resíduos sólidos. Os sinais de permanência do presidente Michel Temer no cargo parecem ter animado investidores e economistas.

Mas os indícios da recuperação exigem cautela e devem servir de alerta: a crise é profunda e seus resultados são permanentes. Nos dois primeiros meses deste ano, a participação dos imóveis de médio e alto padrão nos distratos residenciais chegou a 53%, segundo levantamento da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) e da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). Nossa reportagem de capa dá uma panorama geral sobre o assunto e serve de guia para construtores e incorporadores, sobretudo, para novos contratos que virão após a retomada do crescimento.

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