Engenheiro da Thyssenkrupp fala sobre os desafios e os primeiros sinais de aquecimento das obras e projetos de infraestrutura no país

Na Thyssenkrupp desde 2009, o executivo Rasmus Halstenberg, general manager da unidade Infrastructure no Brasil, chegou ao país com a missão de consolidar as atividades de um dos maiores fornecedores mundiais de soluções para fundações especiais, escoramento e contenção de valas. Engenheiro industrial, Halstenberg está no Brasil há três anos. “Eficiência baseada na velocidade da operação e economia de recursos é a estratégia de operação no setor da infraestrutura”, explica ele. Por meio de sistemas de cravação e extração de estacas-pranchas, execução de fundações especiais e estratégias para obras específicas, como as de saneamento, contenção de solo contaminado, contenção de taludes e deslizamento de terras em caso de enchentes, dentre outras, Halstenberg conduz a implantação de sistemas tecnologicamente inovadores no país. Isso inclui um processo hidráulico de vibração que promete reduzir em até 30% o tempo de fundação ou escoramento da obra. A trajetória de Halstenberg no Brasil coincide com a desaceleração econômica e, consequentemente, do setor da construção civil. Convidado pela revista Construção Mercado para falar sobre a possível recuperação econômica, ele analisa os desafios e os potenciais do mercado nacional no campo da infraestrutura.

Desde que o senhor chegou ao Brasil, quais são as principais diferenças entre o que esperava encontrar, em termos de oportunidades de negócios, e a situação real vivida por aqui?
Eu já sabia que o mercado brasileiro tem um enorme potencial, especialmente no segmento de infraestrutura. No entanto, depois de chegar aqui, fiquei impressionado com a escala e a magnitude dos projetos de infraestrutura, não só aqueles desenvolvidos para a Copa do Mundo e para os Jogos Olímpicos, como também as iniciativas ligadas à indústria e aos setores de energia e transporte. Temos aqui um grande campo de negócios pronto para receber soluções de ponta.

Qual é a importância do mercado brasileiro para a sua empresa?
Neste ano, a Thyssenkrupp celebra 180 anos de negócios na América Latina, considerando vários ramos de atuação, o que inclui o de infraestrutura. Atualmente, a companhia conta, no Brasil, com 8.000 funcionários, dez fábricas, 68 escritórios e quatro centros de pesquisa e desenvolvimento (R&D Centers). Acreditamos e estamos comprometidos com o potencial do país.

Por que vocês escolheram investir no Brasil? O que esperam e o que já conseguiram atingir como resultados?
O Brasil como um todo oferece grandes oportunidades de negócio. No entanto, o setor da infraestrutura, particularmente, se destaca. Somos um fornecedor de soluções com base sólida instalada por aqui. Nossos negócios se dividem holisticamente em três grupos: aço, maquinário e escoramento. Durante os três anos em operação no país, executamos grandes projetos de fundações, nos quais foram aplicados sistemas inovadores de vibração e escoramento. No futuro, pretendemos avançar ainda mais no campo da infraestrutura com soluções cada vez mais competitivas.

“Eu já sabia que o mercado brasileiro tem um enorme potencial, especialmente no segmento de infraestrutura. No entanto, depois de chegar aqui, fiquei impressionado com a escala e a magnitude dos projetos de infraestrutura, não só aqueles desenvolvidos para a Copa do Mundo e para os Jogos Olímpicos, como também as iniciativas ligadas à indústria e aos setores de energia e transporte.”

O Brasil é uma referência global em projetos de rodovias e geração de energia. Ao longo dos últimos 50 anos, desenvolvemos projetos fora do território nacional – América Latina e África. Na sua opinião, quais são os desafios que as construtoras brasileiras vão enfrentar sob a óptica de companhias globais?
Li recentemente um artigo na The Economist sobre a indústria da construção. O grande problema enfrentado pelas construtoras está relacionado à produtividade dos processos. As empresas brasileiras ligadas à infraestrutura podem investir na competitividade em escala local e global, aprimorando esses processos e aumentando a produtividade. Estou numa empresa que tem uma longa história de inovação e pronta para oferecer tecnologia de ponta às construtoras brasileiras.

Quais são os principais aspectos do mercado brasileiros no que se refere ao potencial de desenvolvimento de novos projetos de infraestrutura, considerando a situação político-econômica que enfrentamos?
De acordo com a Pesquisa Anual da Indústria da Construção (IBGE, 2015), infraestrutura urbana é um dos mais promissores segmentos do mercado brasileiro, ocupando a segunda posição no ranking. Além disso, existe uma forte demanda de melhoria no setor de construção civil e saneamento. Sem dúvida, há muito a se explorar. Já sentimos os sinais de recuperação da economia brasileira.

Quais são as principais diferenças quando se desenvolve projetos de infraestrutura urbana na Europa e no Brasil?
Projetos de infraestrutura são semelhantes se compararmos os dois mercados. É claro que alguns aspectos locais devem ser considerados, principalmente no que diz respeito à legislação. Mas reforço minha surpresa pela grande escala de alguns projetos de infraestrutura em andamento por aqui.

Quais são suas impressões sobre a recuperação econômica do Brasil e a retomada do setor?
Estamos muito esperançosos diante dos sinais positivos da economia. Especialmente no campo da infraestrutura já sentimos aumento no ritmo das atividades. Essa impressão, somada ao anúncio das Parcerias Público-Privadas [PPPs] pelo governo, encoraja investidores de diversas áreas.

“Ainda é cedo para falar sobre os resultados das eleições de 2018. Não conhecemos sequer os candidatos, muito menos suas propostas de programa de governo. Mas acreditamos na recuperação iminente do setor de infraestrutura, independentemente do presidente que será escolhido.”

Em que medida as eleições de 2018 podem influenciar a capacidade do Brasil de gerar oportunidades de negócios?
Ainda é cedo para falar sobre os resultados das eleições de 2018. Não conhecemos sequer os candidatos, muito menos suas propostas de programa de governo. Mas acreditamos na recuperação iminente do setor de infraestrutura independentemente do presidente que será escolhido.

Como podemos relacionar eficiência, uso consciente de recursos naturais e agilidade em obras de infraestrutura?
Esses fatores são as peças-chave para o sucesso de qualquer projeto. Hoje em dia, numa fase em que os orçamentos estão enxutos e a competitividade está no auge, a importância desses fatores aumenta. Soluções inovadoras e um bom portfólio de serviços ajudam a otimizar a execução de fundações, por exemplo, com a redução dos custos operacionais.

O que deve ser melhorado no país em termos políticos e econômicos?
O Brasil é um país que demanda grandes investimentos em infraestrutura. Vemos demandas básicas nos centros urbanos em termos de transporte e saneamento. Vemos ainda uma forte demanda por parte da indústria, com a necessidade de portos, suprimento de óleo e gás. Um ambiente favorável de negócios, com políticas atrativas para investidores, certamente será a chave para o desenvolvimento de novos projetos de infraestrutura.

Se o senhor pudesse aconselhar um investidor interessado no mercado brasileiro, o que diria?
O Brasil é um país desafiador, com excelentes oportunidades de negócio e enorme potencial. O mercado é dinâmico e demanda flexibilidade, além de respostas imediatas por parte dos fornecedores.

Por Gustavo Curcio

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