Como demolir | Construção Mercado

Construção

Como demolir

Contratação de demolidora regularizada e definição criteriosa de escopo evitam aditivos de contrato e problemas durante a execução

Edição 105 - Abril/2010

DIVULGAÇÃO: CAENGE AMBIENTAL
Além de segurança, a empresa deve se comprometer com práticas ambientais corretas e respeito aos vizinhos
Antes da implantação efetiva do canteiro é comum que o construtor precise demolir estruturas existentes no terreno. Quando isso acontece, geralmente é necessário contratar empresas especializadas nesse tipo de serviço. A atividade, apesar de destrutiva, exige a tomada de cuidados relacionados tanto à segurança e à logística, quanto à própria contratação em si.

É direito do contratante, além de exigir o cumprimento de prazos, estabelecer requisitos de qualidade, pois, segundo Gilberto Giassetti, consultor da Alec (Associação Brasileira das Empresas Locadoras), "as empresas de demolição devem elaborar instruções de operação para todos os equipamentos e manter seus colaboradores treinados".

O treinamento deve contemplar também o tratamento de resíduos. Mesmo que a responsabilidade pela destinação final seja da construtora contratante, pode haver necessidade de, dependendo da situação, a contratada utilizar equipamentos especiais para contenção do entulho no canteiro.

Recomenda-se, também, que a construtora fique atenta à necessidade de aditivos de contrato, frequentes nesse tipo de serviço, conforme aponta Giassetti. "As alterações de requisito com relação ao serviço inicialmente contratado são corriqueiras, salvo para casos em que foi feito estudo criterioso, envolvendo ambas as partes", diz.

ESPECIFICAÇÕES

É responsabilidade do contratante oferecer à prestadora informações completas relativas à quantidade do serviço a ser realizado, bem como a localização exata de onde eles serão executados. Também deve prever o tempo necessário para a realização dos trabalhos e a data de início. Além disso, à construtora cabe apresentar o alvará de demolição e, junto com a especificação, descrever as atividades a serem executadas pela contratada. Como exemplo, o contratante deve indicar se a demolição será integral até o nível do piso, ou não, e se ficará responsável pela remoção e destinação adequadas dos resíduos.

COTAÇÕES DE PREÇOS E FORNECEDORES

Para comparar os orçamentos fornecidos pelas empresas consultadas é necessário uniformizar, além das medidas de valor, as condições de pagamento. De acordo com Silva, normalmente as partes combinam preços globais para execução dos serviços. Ou seja, podem ser resumidos a coberturas, paredes e pisos, por exemplo, ou contabilizados de acordo com a área a ser demolida.

O pagamento costuma ser feito após o término dos serviços. No entanto, para trabalhos longos, geralmente há pagamentos intermediários. Nesses casos, é necessário fazer a medição mensal dos serviços já executados para efetuar pagamento proporcional. "O contratante deve prestar atenção às retenções e recolhimentos de impostos e taxas relativos aos tributos e ao pessoal alocado na obra", alerta Giassetti.

CUIDADOS GERAIS

Para evitar problemas no decorrer da execução dos serviços, indicam-se alguns cuidados adicionais, como informar-se sobre o tipo de energia a ser utilizada pelos equipamentos, se combustível ou elétrica. Também deve atentar para a quantidade de equipamentos disponíveis.

Outro ponto importante, levantado por Giassetti, refere-se à regularização da empresa prestadora junto aos organismos de classe, como o Crea (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia). O registro da demolidora pode ajudar a evitar problemas relativos à segurança e ao cumprimento de normas. "A contratante é responsável solidária pelos funcionários da contratada dentro da obra, portanto deve fiscalizar sua atuação e estabelecer parâmetros para uma execução sem surpresas", recomenda Silva ao lembrar que EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) e EPCs (Equipamentos de Proteção Coletiva) são obrigatórios em qualquer atividade de demolição. Giassetti conta que a demolidora deve treinar constantemente seus colaboradores para atualização com relação à segurança.

Normas técnicas

> NR-18 - Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção
> NR-33 - Segurança e Saúde no Trabalho em Espaços Confinados

Métodos de demolição
Serras circulares e perfuratrizes fazem a demolição controlada. Quando a estrutura é de grande porte e se quer rapidez, o mais indicado é a implosão

Demolição convencional

A quebra de concreto estrutural, alvenaria ou revestimentos é feita por métodos percussivos (impacto, fragmentação). Indicado para demolição de pequenas construções, é o método mais antigo e o que requer menor especialização.

Demolição controlada

Permite executar demolições parciais sem abalo das estruturas remanescentes, com precisão dimensional. É o método utilizado em adequações estruturais, como em hospitais e indústrias para recebimento ou remoção de máquinas de grande porte. Entre outras vantagens, há menor emissão de poeira, o trabalho é silencioso e rápido. Veja as características dos métodos de demolição controlada.
> Perfuração diamantada: feita com equipamento - elétrico ou hidráulico - ao qual se acopla a serra-copo. É possível executar furos que variam de 12 cm até cerca de 1,20 m de diâmetro com profundidades ilimitadas. O tempo médio para furar uma laje (100 mm de diâmetro x 20 cm de profundidade) é de dez minutos. Essa técnica é utilizada em casos que requerem ancoragem de chumbadores de grande dimensão, passagem de dutos, entre outros.
> Perfuração percussiva: para furos de pequenos diâmetros e profundidades. São utilizados equipamentos manuais retropercussivos com brocas de metal duro. 
> Corte de pisos e lajes com serra (flat sawing): são utilizadas máquinas sobre rodas impulsionadas por motores a combustão ou elétricos. A potência do equipamento e o diâmetro da serra são determinados em função da espessura da laje ou do piso a ser cortado. As máquinas para cortar espessuras maiores do que 15 cm ou 20 cm são autopropulsionadas.

Corte de parede com serra (wall sawing)

Esses equipamentos permitem o corte retilíneo de aberturas e rasgos em paredes verticais e inclinadas. Sobre um trilho fixado na superfície a ser cortada desliza um motor (geralmente hidráulico) que impulsiona uma serra circular com movimento de aprofundamento e translação. Pode cortar pisos, lajes e paredes com até 50 cm de profundidade. O tempo gasto para cortar uma laje de 20 cm de espessura é de cerca de dois minutos por metro.

Serras portáteis

São usadas para fazer pequenas aberturas, rasgos e cortes em paredes finas (5 cm a 10 cm de espessura). Possuem grande versatilidade para serviços em locais confinados ou de difícil acesso.

Solução explosiva

Demolição com explosivos é recomendada para construções de médio e grande porte. A implosão é viável em edifícios com mais de três pavimentos. O custo de uma implosão varia de R$ 50 mil a R$ 120 mil e estão inclusos os gastos com mão de obra especializada, responsabilidades, autorizações, explosivos, equipamentos e material de proteção. Não estão consideradas nessa conta as despesas com remoção de entulho. 

Perfuração diamantada: demolição controlada por perfuração diamantada

PÁGINAS :: 1 | 2 | Próxima >>

Veja também

Equipe de Obra :: Projetos :: ed 75 - Setembro de 2014

Plantas - Saiba como ler projetos de armaduras

Equipe de Obra :: Obras :: ed 75 - Setembro de 2014

Passo a passo - Pintura de materiais