Descentralização e parcerias para crescer | Construção Mercado

Construção

Prêmio Incorporadora 2010

Descentralização e parcerias para crescer

Incorporadora de destaque na categoria Comportamento da Empresa com Funcionários e Fornecedores apostou na descentralização da gestão e valorização de funcionários e parceiros para sustentar expansão geográfica

Por Thays Tateoka
Edição 112 - Novembro/2010

Marcelo Scandaroli
Para sustentar o crescimento nacional e atuação em mais de 90 cidades, a Rossi investiu na reformulação de seu corpo diretivo, gerencial e operacional, criando um organograma descentralizado e com autonomia para a regionalização de alguns processos construtivos. Batizadas de células de négocios, essas novas unidades visaram absorver as particularidades locais para conceber os projetos de acordo com as soluções imobiliárias de cada região. A formação da equipe executiva e gerencial de cada célula foi concebida para que cada cidade tivesse um profissional de negócios com habilidades em todas as áreas da empresa: marketing, comercial e operacional. "Realizamos a capacitação de supervisores e gerentes, que eram especializados em uma dessas áreas, para que eles pudessem ter amplo conhecimento nas demais áreas", conta Renata Rossi, diretora-administrativa da construtora. Assim, foi criada a escola de negócios, um programa de aprimoramento técnico, com formação global, para que esses profissionais, que até então atuavam em diversas áreas, passassem a estar qualificados também para atuar como um gerente regional com múltipla função.

Com a implementação das diretorias nacionais, cada gerente passou a ser o responsável pelos processos construtivos  regionalizados, pela incorporação e pelas ações de marketing junto aos seus supervisores. Todos os diretores e gerentes da Companhia participaram do "PDL - Programa de Desenvol­vimento da Liderança", elaborado em cinco módulos, para desenvolver suas habilidades gerenciais em estabelecer e manter padrões de excelência na gestão do negócio como um todo. "É como se ele saísse da matriz com um manual dos produtos e procedimentos da corporação para construir, incorporar e vender, com a possibilidade de adaptar seu produto de acordo com o conhecimento local e respeitando a regionalização sem fugir dos procedimentos da empresa", afirma Renata. A equipe de engenharia da construtora também recebeu treinamento e qualificação. Assim, os gerentes e supervisores foram capacitados para avaliar a demanda local em relação aos melhores terrenos, aos métodos construtivos e à mão de obra de cada região. "Os programas são voltados ao desenvolvimento de competências técnicas e comportamentais, tais como liderança, gestão de conflitos e avaliação de desempenho para que pudéssemos ter, na matriz, um diagnóstico fiel de tudo que acontece pelo País", diz Renata Rossi.

A preocupação com os profissionais em formação também é uma constante na empresa. Os estagiários de engenharia são qualificados também para as áreas de gestão. Além da habilidade técnica que ele desenvolve na universidade, durante o pe­­río­do de estágio o estudante atua em di­versas áreas corporativas, entre elas orçamento, marketing, incorporação, gestão de pessoas, para aprimorar sua visão macro do negócio. Dessa forma, foram oferecidas 1.345 horas de treinamento a 1.908 funcionários, e investidos R$ 265,9 mil em programas de apoio educacional em 2009. Outro cuidado da construtora em relação aos colaboradores foi a política de salários que, desde 2007, é mensurada pela valorização do cargo e de acordo com a responsabilidade com os resultados para a companhia, a abrangência geográfica e o grau de autonomia que o profissional tem. Depois dessa aferição, são realizadas pesquisas salariais no mercado para comparar com a estrutura da empresa. "Tanto os programas de qualificação da Rossi quanto os salários-base são reajustados, de modo que não haja diferenciações entre as regionais", conclui Renata.

A Rossi encerrou o ano de 2009 com 1.059 colaboradores, contratados por tempo integral sob o regime da CLT (Con­so­lidação das Leis do Trabalho).  Em 2008, a empresa contava com 896 funcionários diretos e 707 em 2007. As ferramentas de relacionamento e valorização dos colaboradores também resultaram em índices de turn over abaixo da média do mercado, sendo que para cada desligamento foram feitas quase três contratações em 2009, proporcionando o treinamento de mais de 500 pessoas por mês.

Gestão de fornecedores
A estrutura descentralizada da Rossi permite que a construtora trabalhe no acompanhamento e gestão dos fornecedores com maior proximidade. Para Renato Diniz, diretor de obras da Rossi, as parcerias visam, principalmente, o "ganha-ganha", estimulando contratos longos com aumento de demanda. "Nossa cadeia de fornecedores possui uma trajetória de crescimento. Por atuarmos em diversas regiões e segmentos, não temos problemas em contratar empresas menores porque acompanhamos o desenvolvimento delas em nossas obras e se elas possuem estrutura e intenção de crescimento, certamente teremos parceria nesse processo", afirma Diniz. Essa atuação regionalizada pro­­­­piciou à construtora trabalhar em 2009 com acordos de fornecimentos anuais, dando mais margens no processo de negociação. "Geralmente, nossos contratos são de volume muito grande e é interessante para nós estimular o crescimento de nossos fornecedores tanto de insumos quanto de pres­tação de serviços", afirma Diniz. O diretor conta que a construtora costuma dimensionar a quantidade de trabalho a ser distribuída para cada prestador de serviço e a capacidade de absorção atual e futura. "Pro­cu­ramos sempre realizar uma seleção de for­­­­necedores para acompanhar o desenvolvimento, o porte, o faturamento e a ca­­pacidade de administração que eles têm pa­­ra quantificar se a nossa previsão de crescimento em determinada região condiz com a realidade de nossos parceiros", conclui. Desse modo, para os casos em que não é possível contar com bons parceiros, a construtora opta por ampliar mão de obra própria.

Os colaboradores da Rossi, de acordo com o seu regime de trabalho, recebem vale-refeição (90% a 98% Rossi) ou cesta básica, seguro-saúde (100% Rossi), seguro odontológico (50% Rossi), apoio educacional (30% a 50% Rossi), compra de imóveis com desconto, convênio farmácia, além de seguro de vida (30% Rossi) e vale-transporte ou estacionamento. Além disso, o PPR (Programa de Par­tici­pa­ção nos Resultados) da Rossi abrange to­­dos os colaboradores e está diretamente re­­­lacionado ao desempenho de cada área no alcance de metas e resultados estabelecidos para o ano, sendo proporcional ao salário e tempo de trabalho de cada um e totalizando até no máximo 8% do lucro líquido da empresa.