Levantamento topográfico | Construção Mercado

Construção

Levantamento topográfico

Pagamento pode ser por área, por dia, serviço ou por preço global

Por Weruska Goeking
Edição 120 - Julho/2011

Henryk Sadura/shutterstock
Além de todas as marcações do terreno, como eventuais construções, o levantamento também pode trazer informações sobre o comportamento do solo no caso de chuvas
O levantamento topográfico visa gerar um modelo da porção de terra, subterrânea ou superficial que se tornará planta do local onde será realizada a obra. O processo é dividido em fase de coleta, processamento e tratamento de dados, disposição e gerenciamento das informações coletadas, que irá compor relatório e planta da área. "São mapas em escala, uma cartografia voltada à implantação de projetos, com mais detalhes", explica Jorge Cintra, professor da Poli-USP (Escola Politécnica da Universidade de São Paulo).

Os profissionais aptos a prestar este serviço são o engenheiro agrimensor registrado no Crea (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia) e o topógrafo, responsável técnico que assina a planta. O método mais utilizado é a geotecnologia, capaz de medir ângulos e distâncias por meio do taqueômetro, conhecido como estação total.

O scanner - semelhante ao taqueômetro e que faz 400 medições por segundo - é usado para criar modelos tridimensionais. Também pode ser utilizado o sensoriamento remoto, o imageamento por satélite, a aerofotogrametria e o posicionamento por GPS. Existe ainda a fotogrametria terrestre ou aérea, que usa filmes fotográficos ou imagens digitais - feitas com câmeras específicas.

ESPECIFICAÇÃO

Dentre os diversos tipos existentes, os mais usuais são o levantamento planimétrico, quando a projeção do terreno é feita em duas dimensões, representando comprimentos e larguras; e o levantamento planialtimétrico, quando são consideradas também as alturas e altitudes do terreno, resultando em planta em três dimensões. "Se o levantamento visa só à questão fundiária, ou seja, só os limites de propriedade, basta o planimétrico", exemplifica Régis Bueno, ex-professor da Poli-USP.

Já em loteamentos se faz necessário o levantamento planialtimétrico cadastral, em que são incluídas todas as marcações do terreno, como eventuais construções e áreas verdes protegidas. Esse cadastro é importante para que o construtor saiba se precisará desapropriar casas e terrenos e até mesmo se há necessidade de obter licença ambiental.

Além disso, podem ser levantadas questões temporais, como a análise da resposta do solo antes, durante e após a incidência de chuvas. Em alguns casos também é preciso fazer acompanhamento do volume de terra removida ou depositada no terreno.

O levantamento topográfico está presente em todas as etapas da obra, iniciando antes mesmo do desenvolvimento do projeto e passando pela marcação e implantação das fundações, construção de paredes etc. Geralmente, o profissional que fez o levantamento acompanha a construção. "Se ele não estiver disponível não há problema, porque o topógrafo gera uma planilha que outro profissional é capaz de interpretar e dar seguimento ao serviço", conta Ottorino Junior, diretor de obras da unidade São Paulo da Brookfield Incorporações.

COTAÇÕES DE PREÇOS E FORNECEDORES

O orçamento e o pagamento podem ser feitos por área, por dia, serviço ou por preço global, levando em consideração todas as etapas da construção. "A diária custa, em média, R$ 800 para cada equipe", avalia o diretor de obras da Brookfield.

O levantamento inicial geralmente é cobrado por metro quadrado, variando de acordo com a complexidade do terreno. "Em uma favela pode sair por R$ 2/m2, enquanto que um terreno limpo e plano pode custar R$ 0,10/m2", conta Maurílio Turbiani Junior, presidente da Aetesp (Associação das Empresas de Topografia do Estado de São Paulo), que aconselha à empresa contratada visitar o terreno antes de fechar negócio.

Os equipamentos empregados no levantamento também influenciarão no preço final. O GPS usado nesse tipo de serviço, por exemplo, possui tecnologia superior àquela utilizada em automóveis e pode custar de US$ 15 mil a US$ 30 mil. Sua manutenção também é cara e não sai por menos de US$ 100 a US$ 200 por dia. Todos esses valores compõem o custo final.

Dificuldades para as medições, como existência de matas preservadas, construções prévias, edificações tombadas e terreno com muitos desníveis também encarecem o serviço. Somam-se a isso regras impostas pela contratante, como ocorre com petrolíferas, que impõem restrições visando a segurança dos prestadores do serviço e dos funcionários da empresa.

LOGÍSTICA

Antes do orçamento, é preciso saber que tipo de levantamento será solicitado, quais especificações devem ser detalhadas e o nível de precisão dos dados. Logicamente, quanto maior a precisão das informações, maiores os custos.

Se a contratante não tiver engenheiro capaz de realizar as especificações, é preciso solicitar que uma consultoria realize a etapa pré-levantamento. "A empresa que prestará o serviço precisa conhecer exatamente as demandas da contratante para evitar erros ou gastos excedentes, não previstos no orçamento", explica Bueno.

É preciso checar se as delimitações do terreno estão de acordo com o que consta na documentação da área. Feito isso, é preciso limpar o terreno, retirando a vegetação rasteira e grama, que podem esconder desníveis do solo.

O topógrafo poderá fazer marcações no solo, para levantamentos terrestres ou aéreos, ou usar pontos de referência já existentes, como o cruzamento de ruas, quinas de construção prévia ou próxima do terreno.

 

Checklist

> É preciso estabelecer o tipo de levantamento necessário antes de realizar o orçamento. Pode ser preciso contratar uma consultoria

> Deixe o terreno livre de capim e outros elementos que possam dificultar o levantamento

> Ao contratar a empresa que prestará o serviço, deixe claro como será feito o pagamento e quais etapas da obra a equipe de levantamento terá que acompanhar

> Dependendo de cada caso, pode ser preciso obter licenças ambientais e desapropriar áreas para realizar a obra

> É comum que o topógrafo volte para acompanhar as fundações e a construção para checar se está de acordo com o levantamento

 

Divulgação: Aetesp
Maurílio Turbiani Júnior, presidente da Aetesp
ENTREVISTA > MAURÍLIO TURBIANI JÚNIOR

Apagão técnico

Faltam profissionais no mercado para realizar levantamentos topográficos?

Antes tinha muita gente no mercado, mas de uns três anos para cá, quando o País começou a crescer, a oferta diminuiu. Quando você encontra profissionais disponíveis no mercado, geralmente não são bons. As empresas têm procurado nas universidades e cursos técnicos e treinado. Em um colégio técnico de Jundiaí foi preciso fazer um concurso para escolher entre os alunos. Era isso ou oferecer salário acima da média do mercado para contratar um profissional de outra empresa. A escassez de bons profissionais pode gerar atrasos nas obras.

Com a falta de bons profissionais no mercado, como garantir a precisão do levantamento e a qualidade do serviço prestado?

O engenheiro civil responsável pela obra pode ter algum conhecimento de topografia e usar alguns métodos para saber se o levantamento está correto. Afinal, ele sabe o resultado que quer ao final do levantamento, mesmo não sabendo o processo inteiro do serviço. No caso de grandes obras, como na construção de estradas e metrôs, o governo pode contratar uma empresa para executar o levantamento e outra para fiscalizar o serviço. Isso só acontece em obras de grande complexidade, porque o custo fica muito alto. O preço também pode ser um indicador de qualidade, pois é estranho se estiver muito abaixo do mercado. O site da Aetesp, em www.aetesp.com.br, tem uma tabela com a média dos preços cobrados pelos principais serviços. É bom procurar empresas que tenham mais experiência na área também.

Quais as principais informações que devem ser levantadas para realizar o orçamento?

É preciso saber o tamanho da área e o local em que o levantamento será executado, além de detalhes como a existência de rios, construções prévias e tipo de vegetação encontrados no terreno. Também é necessário avaliar o nível de precisão. Para terrenos pequenos, de cerca de 1,5 mil m2, a escala pode ser de 1:50. Já em fazendas, a escala pode ser de 1:5.000.

 

Normas técnicas

> NBR 13133:1994 - Execução de Levantamento Topográfico - Procedimento

> NBR 14166:1998 - Rede de Referência Cadastral Municipal - Procedimento

> NBR 14645-1:2001 - Elaboração do "como construído" (as built) para Edificações - Parte 1: Levantamento Planialtimétrico e Cadastral de Imóveis Urbanizados com Área até 25.000 m2, para fins de estudos, projetos e edificação - Procedimento

> NBR 14645-2:2005 - Elaboração do "como construído" (as built) para Edificações - Parte 2: Levantamento Planimétrico para Registro Público, para Retificação de Imóvel Urbano - Procedimento

> NBR 14645-3:2005 - Elaboração do "como construído" (as built) para Edificações - Parte 3: Locação Topográfica e Controle Dimensional da Obra - Procedimento

> NBR 15309:2005 - Locação Topográfica e Acompanhamento Dimensional de Obra Metroviária e Assemelhada - Procedimento

> NBR 15777:2009 - Convenções Topográficas para Plantas e Cartas - escalas 1:10.000 - 1:5.000 - 1:2.000 - 1:1.000 - Procedimento

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