Custo do metro quadrado | Construção Mercado

Construção

Custo do metro quadrado

Características de projeto, como a quantidade de quinas, influenciam de maneira desproporcional o cálculo do custo por área

Por Aldo Dórea Mattos
Edição 124 - Novembro/2011

MARCELO SCANDAROLI
Aldo Dórea Mattos, é autor dos livros Como preparar orçamento de obras e Planejamento de controle de obras, pela Editora PINI
A utilização de indicadores de custo por metro quadrado de área construída para estimativa do custo é comum nas fases de estudo de viabilidade e anteprojeto. Ao multiplicar o parâmetro pela área a ser construída, tem-se noção do montante requerido.

Várias são as fontes de custo/m² de construção. O CUB (Custo Unitário Básico), aferido mensalmente pelos Sinduscons (Sindicatos da Indústria da Construção Civil) estaduais, refere-se ao custo dos projetos-padrão representativos. O CUB é gerado para projetos determinados e sua adoção para estimativa de custo de obras distintas traz implícita aproximação maior ou menor, a depender do grau de similaridade de especificação técnica, área e local.

Outra fonte de referência é o Custo Unitário PINI de Edificações, veiculado nas revistas da Editora. Por adotar projeto-padrão diferente do CUB, os dois índices levam a valores distintos.

Ainda que a utilização de parâmetros tabelados permita ter noção do custo total, a solução é simplista por supor que o custo unitário se mantém constante independentemente da área construí­da. À medida que a área decresce, o custo tende a subir, com indicadores mais altos para áreas menores do que a do projeto-padrão. Várias são as razões: a razão parede/piso é maior, a área de esquadria por metro quadrado de piso é maior, o elevador tem peso maior no custo unitário e são proporcionalmente maiores as quantidades de quinas, cantos, arestamentos e arremates. Por outro lado, se a área construída cujo custo se quer estimar é maior do que a da referência, o custo/m² tende a ser menor, com economia de escala.

O gráfico ilustra o fenômeno descrito. O eixo horizontal representa o fator de área - a razão entre a área do projeto pesquisado e a área do projeto referencial. Indo até a curva, encontra-se o respectivo multiplicador de custo. O comportamento da curva não é linear, mas exponencial e com duas fases distintas.

Como exemplo, vamos supor que uma empresa tenha construído um edifício residencial de apartamentos de 100 m2 e chegado a um custo de R$ 1 mil/m2. Para estimar por quanto sairia uma nova obra de projeto similar, porém com apartamentos de 70 m2, basta considerar um fator de área igual a 0,70 e procurar o multiplicador correspondente: 1,04. O custo do metro quadrado é, portanto, 1.000 x 1,04 = R$ 1.040. Se a empresa quiser construir outro prédio, com acabamento semelhante e área de 200 m2, obtém-se pelo gráfico um multiplicador da ordem de 0,94, isto é, R$ 940/m2.

Construtoras acostumadas a edificar prédios de mesmo padrão e numa mesma cidade devem procurar gerar sua própria curva de custo. O mesmo vale para a Caixa Econômica Federal e os Sinduscons. O fator de área traz benefícios a quem faz estimativas de custo e análises de viabilidade.

 

Aldo Dórea Mattos, é autor dos livros Como preparar orçamento de obras e Planejamento de controle de obras, pela Editora PINI.