Revestimento versátil | Construção Mercado

Debates Técnicos

Aditivos para argamassa

Revestimento versátil

Conheça as características e as aplicações dos principais tipos de aditivo para argamassa de revestimento

Por Luis Ricardo Bérgamo
Edição 130 - Maio/2012
Fotos: Marcelo Scandaroli
Sem normas técnicas no Brasil, uso de aditivos deve obedecer às orientações do fabricante. A precisão na dosagem e o controle dos procedimentos de mistura são pontos críticos

O mercado oferece grande quantidade de tipos de aditivos que podem ser acrescentados às argamassas de revestimento, transformando as características do material e melhorando a eficiência em diversos aspectos. De acordo com Rafael Pileggi, professor-doutor do departamento de engenharia civil da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, "a seleção do aditivo deve atender a critérios técnicos ligados às características desejadas para as argamassas, levando em conta as matérias-primas utilizadas na produção das mesmas".

Tanto argamassas rodadas em canteiro como as industrializadas podem receber aditivos, embora geralmente as industrializadas já venham acrescidas de algum produto. Nos casos em que o aditivo é acrescentado na argamassa feita em obra, deve-se observar atentamente as instruções do fabricante. Alguns fornecedores oferecem visitas técnicas à obra e treinamento.

A norma NBR 13281, que traz requisitos para a argamassa para assentamento e revestimento de paredes e tetos, não define quantidades ou mesmo padrões de qualidade para os aditivos. O texto também não determina se é o engenheiro químico ou civil o responsável pela manipulação de aditivos na mistura da argamassa.

Na prática, a aditivação é feita pelos profissionais do canteiro e o responsável pela especificação acaba sendo o projetista. Os aditivos mais usados no Brasil atualmente são os incorporadores de ar, impermeabilizantes e condicionadores de aderência.

Incorporadores de ar
Este produto modifica a argamassa pela incorporação de microbolhas de ar, tornando-a mais homogênea e maleável. Daí o efeito plastificante do aditivo. É importante que as bolhas se mantenham estáveis ao longo da aplicação da argamassa e que tenham dimensões entre 0,02 mm e 1 mm, no máximo.

O ar é incorporado à mistura de acordo com a energia que se aplica na preparação. Ou seja, além da quantidade correta de aditivo, é preciso atentar ao tempo de mistura, para evitar o excesso de incorporação de ar. A betoneira não é o melhor equipamento para preparação da argamassa neste caso, mas sim o misturador de eixo horizontal.

A argamassa com incorporador de ar requer quantidade menor de água para alcançar a mesma plasticidade de uma argamassa não aditivada, já que as microbolhas retêm um pouco a mais de água. Isso reduz a retração e, portanto, diminui os riscos de trincas. Por outro lado, as bolhas causam redução da resistência mecânica e da aderência. Outro efeito do aditivo é retardar a secagem da argamassa.

ENTREVISTA RAFAEL G. PILEGGI

Aditivação controlada

Há muita diferença entre a argamassa aditivada em fábrica ou em canteiro?
A grande diferença é a precisão da dosagem e o grau de controle e conhecimento técnico sobre as matérias-primas e aditivos que a indústria é capaz de oferecer. Considerando o grande impacto que os aditivos têm nas propriedades das argamassas, mesmo em pequenas doses, é difícil imaginar a utilização precisa deste produto em ambientes pouco controlados. Para certos aditivos, o uso não controlado pode até trazer riscos para o revestimento.

Fotos: Marcelo Scandaroli

Que itens observar na compra?
O principal é a especificação dos produtos de acordo com a propriedade final da argamassa que se pretende atingir. Além disso, é fundamental checar a compatibilidade entre o aditivo e o tipo de argamassa empregada.

"Descontroles no tempo de mistura ou mudanças no tipo de misturador podem levar a resultados diferentes do esperado, o que em certos casos pode causar patologias"
Rafael G. Pileggi professor-doutor do departamento de engenharia civil da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo

Em relação aos custos, qual aditivação é mais cara: a industrial ou a feita em obra?
Não há diferenças significativas. A principal distinção está na qualidade e na diversidade de aditivos fornecidos à indústria, uma vez que ela é capaz de avaliar e controlar com precisão as características dos produtos que está adquirindo. Isso não é tão simples numa obra.

E qual a maneira correta de se misturar o aditivo à argamassa na obra?
Cada aditivo tem sua dosagem e orientações para incorporação na argamassa especificadas pelos fabricantes. Contudo, a padronização e o controle dos procedimentos de mistura são muito importantes. Descontroles no tempo de mistura ou mudanças não planejadas no tipo de misturador, por exemplo, podem levar a resultados diferentes do esperado, o que, em certos casos, pode causar patologias. A precisão na dosagem também deve ser rigorosa. Para incorporadores de ar e modificadores de viscosidade, por exemplo, a precisão exigida dificilmente é alcançada sem a pesagem dos aditivos e dos componentes da argamassa.

Impermeabilizantes
São aditivos que reduzem a absorção de água, ideal para aplicação em clima úmido e em reservatórios de água, como piscinas e tanques. No entanto, a impermeabilização é limitada, ou seja, não existe argamassa 100% impermeável. Como não há norma brasileira, toma-se como base as normas americanas, que determinam que o produto deve reduzir 50% da absorção em relação a uma argamassa não aditivada.

O aditivo impermeabilizante é especialmente sensível à dosagem. Em pequena quantidade, não faz efeito; em grande quantidade, pode ocasionar fissuras severas. Outro ponto importante a ser observado é a homogeneidade da mistura, para evitar que o aditivo se concentre apenas numa parte da argamassa, tornando os poros muito fechados e comprometendo a aderência.

Condicionadores de aderência
Este tipo de aditivo melhora a aderência química da argamassa ao substrato. Composto por polímeros sintéticos, no Brasil é usado principalmente no chapisco. Dosagens mais baixas que o recomendado reduzem a eficiência, mas não prejudicam o resultado normal da argamassa e, mesmo nesse caso, pode-se perceber os benefícios. Como é um polímero, também resulta em certo nível de impermeabilização e, se aplicado em excesso, causa falhas de aderência.

Há muitos outros tipos de aditivos no mercado. Os aceleradores, como diz o nome, aceleram a secagem da argamassa. Os retardadores fazem justamente o oposto, permitindo a execução de panos maiores de revestimento. Já os estabilizadores são retardadores de longo prazo, travando a reação química por 48 horas ou até 72 horas.

Existem ainda inibidores de corrosão, indicados para áreas onde há maior contato da argamassa de revestimento com peças de aço. Os plastificantes e superplastificantes, mais comuns na argamassa industrializada, reduzem o consumo de água e melhoram a maleabilidade. As fibras são usadas para resolver problemas de retração ou em casos onde há tendência ao fissuramento. Por fim, os pigmentos são aplicados para colorir a argamassa.

Além da aplicação individual, os produtos podem ser combinados entre si, agregando mais qualidades à argamassa. Uma ressalva importante é que toda a adição deve ser executada de acordo com as dosagens e orientações feitas pelos fabricantes. Um erro de dosagem pode comprometer o desempenho da obra.

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