Estudo de tipologia reduz custo de escadas e elevadores | Construção Mercado

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Estudo de tipologia reduz custo de escadas e elevadores

Planta foi criada para faixa 1 do Minha Casa, Minha Vida 2 e prevê divisão de uma mesma escada para 12 apartamentos em vez de quatro, como na tipologia H

Romário Ferreira
Edição 135 - Outubro/2012

O escritório Autografics Arquitetura e Planejamento desenvolveu uma tipologia de edifício que permite economizar no custo de escadas e elevadores em empreendimentos enquadrados na faixa 1 do programa Minha Casa, Minha Vida 2 (MCMV). Segundo o arquiteto Demetre Anastassakis, a tipologia está sendo implantada em residenciais das cidades de Pirapora e Sabará, no Estado de Minas Gerais, e em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro.

O projeto prevê apartamentos geminados, acessados por corredores avarandados, que permitem também iluminar e ventilar os cômodos. Na obra do Rio de Janeiro, por exemplo, o escritório diz que cada apartamento possui 4,66 m de corredor à disposição. São dois blocos de apartamentos, em formato L, unidos por uma caixa de escadas e pela projeção de elevadores (veja planta). São seis unidades por pavimento em cada bloco, totalizando 12 apartamentos em todo o andar, e 48 no prédio inteiro.

Assim, a proporção é de uma escada para 12 unidades por piso. Já na solução mais usual para esse tipo de empreendimento, a tipologia em H, a proporção é de uma escada para apenas quatro apartamentos por piso. "Escadas convencionais, dentro do bloco, são um dos elementos mais caros por unidade nos projetos de prédios. Como não podemos fazer escadas menores, o projeto tem que buscar o atendimento do maior número de apartamentos por escada", explica Anastassakis.

Para exemplificar a economia, o escritório mostra que uma escada simples, dentro do bloco, custa aproximadamente R$ 2,1 mil por pavimento, ou seja, R$ 525 por apartamento no caso das quatro unidades do bloco em H. Na nova tipologia o custo cai para R$ 175 por unidade, já que é dividido entre os 12 apartamentos.

Elevadores
O arquiteto ressalta que a segunda fase do programa MCMV passou a exigir que todos os imóveis sejam adaptáveis à acessibilidade. Portanto, é necessária a projeção de elevadores, mesmo para quatro ou cinco pavimentos. "Não adianta tentar 'enxertar' um elevador no bloco H, porque a relação fica cara: um elevador para cada quatro apartamentos e de má funcionalidade. Se o único elevador quebrar, o serviço deixa de ser prestado", afirma.

Por isso, o escritório projetou, nessa mesma tipologia em L, dois elevadores à frente das escadas, cada um atendendo a um bloco, ou seja, seis unidades em vez de quatro, como na tipologia H. "Isso representa custo mais baixo, pois é dividido entre mais unidades, além da garantia de continuidade do serviço", argumenta.

Os dois elevadores não foram construídos, mas estão projetados caso haja necessidade. Cada um custa em média, contando material e mão de obra, R$ 100 mil para um prédio de quatro andares, estima o arquiteto. Assim, na tipologia desenvolvida, um elevador por bloco custaria R$ 4.166 por apartamento. Se fosse um prédio tipo H, seriam R$ 6.250 por unidade, mas com um único elevador.

Anastassakis garante que a tipologia se adapta a vários tipos de terreno, pois o desenho permite formar vários ângulos entre os dois blocos, graças à rótula (módulo escada/ hall/elevadores). A planta prevê prédios de quatro andares e é adaptável a diversos sistemas construtivos, embora obtenha melhor relação rapidez x custo com paredes de concreto moldadas in loco, informa o arquiteto.