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Prêmio PINI 2012

Cidade das Artes

Edifício monumental com volumes assimétricos de concreto aparente exigiu complexos cálculos estruturais. Conheça a obra de destaque editorial na categoria Edificação do Prêmio PINI 2012

Por Renato Faria
Edição 136 - Novembro/2012
O desenvolvimento do projeto com espaços para audições musicais de altíssimo nível técnico foi confiado ao arquiteto francês Christian de Portzamparc, com um currículo de mais de 30 obras similares em todo o mundo

Fotos: Marcelo Scandaroli
As paredes de concreto são esbeltas e têm linhas curvas e inclinadas, características que conferiram grande complexidade à análise e aos cálculos estruturais

O edifício construído para abrigar o complexo cultural Cidade das Artes (ex-Cidade da Música), no Rio de Janeiro, é um volume assimétrico de concreto aparente com dimensões monumentais localizado no entroncamento da Avenida Ayrton Senna e da Avenida das Américas, na Barra da Tijuca. Assinado pelo francês Christian de Portzamparc, o projeto de arquitetura propunha estruturas curvas, esbeltas e com grandes vãos que exigiram o emprego de técnicas de cálculo e ferramentas de modelagem modernas para a época em que foi desenvolvido. Depois de quase nove anos de obras e paralisações, a previsão é de que o conjunto seja finalmente inaugurado em 2013, sob a gestão de uma Organização Social (OS) escolhida pela prefeitura em processo de licitação.

RESUMO DA OBRA
Obra: Cidade das Artes (antiga Cidade da Música)
Local: Barra da Tijuca, Rio de Janeiro Cliente: Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, Secretaria Municipal de Cultura
Área construída (edifício): 68 mil m²
Área do terreno: 95,6 mil m²
Início da obra: 2004
Conclusão da obra: 2012

Vencedor do Prêmio Pritzker de 1994, o arquiteto Christian de Portzamparc foi contratado sem concorrência em 2002 pelo então prefeito Cesar Maia, por "notória especialização". A escolha foi justificada pelo acervo técnico do francês, composto por mais de 30 projetos similares em todo o mundo, incluídos o da Filarmônica de Luxemburgo, o da Cité de la Musique de Paris e o da Escola de Dança da Ópera de Paris em Nanterre, ambos na França. Os espaços foram concebidos a partir de uma lista de necessidades apresentadas pela Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB) e pela prefeitura. Além da Grande Sala, projetada para receber concertos sinfônicos e de ópera, o conjunto terá ainda salas para música popular, camarins, salas de ensaio e de aulas, midiateca, espaço para armazenamento de instrumentos, escritório administrativo, cinemas, restaurante, cafés e lojas. Na área externa, um parque com espelho d'água e vegetação local ocuparia o restante do terreno.

As principais instalações da Cidade das Artes se organizam entre duas grandes lajes de 90 m de largura por 200 m de comprimento - a da esplanada, elevada a 10 m de altura, e a da cobertura, a 30 m. Do térreo partem pilares-parede de concreto, com linhas curvas e inclinadas, como velas de barcos, que formam pilotis e fecham, no nível superior, os blocos independentes que abrigam os ambientes do complexo. Para vencer os vãos, que chegavam a 35 m, as lajes da esplanada e da cobertura são formadas por grelhas com vigas protendidas de até 1,7 m de altura.

A decisão do arquiteto francês de elevar a estrutura da esplanada tem origem em uma visita que fez ao local muito antes do início das obras, ainda no ano de 2002. Naquela oportunidade, subiu em uma arquibancada que havia no terreno e observou as montanhas a nordeste e a noroeste, o mar aberto ao sul, as lagunas e a amplidão da Barra da Tijuca a leste e a oeste. Foi o suficiente para convencê-lo de que o edifício pedia uma grande varanda que permitisse aos usuários contemplar a paisagem que abraçaria a nova obra.

A proposta arquitetônica, que espalha o programa em vários blocos de volumes irregulares espaçados entre si, criando vazios que permitem que a obra "respire", já vinha sendo desenvolvida pelo arquiteto desde sua juventude, quando ainda era estudante. Naquela época, deu início aos estudos sobre a penetração e a propagação da luz esculpindo tijolos crus e ocos. O conceito já vinha sendo replicado, com as devidas variações e adaptações, em outros projetos do arquiteto - caso do Cité de la Musique, em Paris, a Biblioteca de Montreal, no Canadá, o Museu da Bretanha, em Rennes, e o Museu Hergé, na Bélgica.

Os principais itens do programa se organizam entre as duas grandes lajes elevadas a 10 m e a 30 m de altura, para que os visitantes pudessem contemplar a paisagem da Barra da Tijuca

Depoimentos do júri técnico

Um júri técnico composto por cinco membros fez a pré-seleção das obras que participaram da votação realizada entre os assinantes a pagamento das revistas da Editora PINI. Confira a opinião da equipe sobre o projeto da Cidade das Artes.

"Arquitetura singular, com integração de diversos espaços funcionalmente diferentes, que considera aspectos de desempenho complexos, particularmente acústicos. Estrutura também singular e bastante complexa, que deve ter exigido muito de seus projetistas na integração com a arquitetura."
Cláudio Mitidieri
Pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo

"Perfeito entrosamento entre a implantação urbanística, o programa de necessidades, a leveza das formas, a volumetria e a estética necessária à grandiosidade de uma obra emblemática, coroados com a competência da engenharia de materiais e da engenharia de estruturas, com a qual os projetistas 'brincaram' com a arte do concreto protendido."
Ercio Thomaz
Pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo e revisor técnico da revista Téchne

"Obra de altíssima complexidade técnica, tanto no âmbito de projeto, quanto no de execução."
Maçahico Tisaka
Consultor e revisor técnico da revista Infraestrutura Urbana

"Uma obra monumental de belo projeto estético e de engenharia, com enormes vãos livres que facilitam a movimentação dos usuários."
Bernardo Corrêa Neto
Gerente de Engenharia da Editora PINI

"Bela adequação da solução arquitetônica, unindo estética, qualidade, funcionalidade e implantação compatíveis e coerentes com a monumentalidade da obra."
Anderson Teixeira
engenheiro civil da Editora PINI

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