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Balancim elétrico

Procura por balancins elétricos ainda é fraca no Brasil devido ao custo e às quebras causadas por mau uso; veja as principais orientações de montagem e operação

Por Maryana Giribola
Edição 143 - Junho/2013
Foto: Marcelo Scandaroli

A demanda por balancins elétricos tem evoluído a passos lentos no Brasil. Segundo Fábio Luis Garbossa Francisco, diretor técnico da BKO Incorporadora e Construtora, atualmente poucos fornecedores trabalham com esse tipo de equipamento, o que faz com que os preços sejam altos e a demanda, baixa. "O ideal seria que os balancins elétricos entrassem no mercado como os leves entraram. Há pouco tempo, os modelos mecânicos também eram caros, mas a oferta era grande. Por isso hoje eles têm preços mais acessíveis", comenta.

No segmento residencial, principalmente, os modelos mecânicos ainda são mais demandados que os elétricos. Fábio Francisco explica que para viabilizar o elétrico, seria necessário compensar os custos mais altos do equipamento com a redução do custo de mão de obra. Porém, como os serviços em fachada geralmente são feitos por empresas terceirizadas, a conta não fecha, pois dificilmente o empreiteiro consegue transformar o aumento de produtividade que teria com o equipamento elétrico em redução de custo. "Como não é um equipamento muito disseminado no mercado, as empreiteiras não aceitam trabalhar com um valor menor por metro quadrado realizado", afirma.

Outro problema que freia a demanda pelo balancim elétrico é o índice de falhas durante o uso em obra. Fornecedores e construtoras relatam que o equipamento é delicado e quebra com frequência quando submetido a operações mais bruscas - ou a erros de operação. "Em fachadas onde o uso do equipamento é bruto, ele apresenta muitos problemas de funcionamento. É um problema cultural, porque o uso dele não é feito corretamente e isso acaba denegrindo a imagem do equipamento no mercado", diz Newman Avancini, diretor da Andaimes Urbe.

Por isso, o treinamento de mão da obra é indispensável para viabilizar o sistema. Com a mudança da Norma Regulamentadora nº 35 (NR 35), que transfere para as construtoras a responsabilidade pelo treinamento dos operários nos trabalhos em altura, o cenário tende a mudar. Segundo o auditor fiscal da Delegacia Regional do Trabalho (DRT), Antonio Pereira do Nascimento, as fiscalizações nos canteiros já começaram.

De acordo com a nova norma, para que o colaborador seja considerado capaz de operar o equipamento, ele deve ter sido submetido e aprovado em treinamento teórico e prático para trabalho em altura, com carga horária mínima de oito horas. Esse treinamento deve ser renovado em período bienal e também quando houver mudança nos procedimentos ou retorno de afastamento do trabalho por período superior a 90 dias.

Além dos treinamentos, "é fundamental que os gestores dos canteiros realizem um planejamento de execução dos serviços com o uso do equipamento", explica Pedro Augusto, gestor técnico de obras da construtora Queiroz Silveira. Assim, os problemas causados por sobrecarga de trabalho são evitados.

Entrevista

Fábio Luis Garbossa Francisco

Relação com fornecedores

Divulgação: Bko
"O ideal é que, no momento em que a construtora fecha o contrato, ela saiba quanto custa cada peça. Assim, pode alertar os usuários dos riscos de quebra das peças mais caras"
Fábio Luis Garbossa Francisco
diretor técnico da BKO Incorporadora e Construtora

Alguns locadores transferem às construtoras parte da responsabilidade pelos problemas operacionais dos balancins. O sistema costuma apresentar paradas?
É um equipamento sensível para a realização dos serviços que ele realiza. A meu ver, há uma falta de acompanhamento das próprias empresas locadoras. Às vezes, elas alugam um equipamento para uma obra e não acompanham o uso. Essas empresas precisam estar mais próximas por meio de fiscais para não deixar que esses problemas tomem volume. Essas ocorrências também são causadas por falta de manutenção. Às vezes, por falta de oferta, não dá tempo de os equipamentos voltarem para as locadoras, eles acabam indo direto de uma obra para outra.

Outro problema muito discutido é a devolução das peças do equipamento. É corriqueiro que as construtoras devolvam o balancim faltando peças ou até com essas peças em más condições?
Essa é uma briga eterna entre a construtora e as empresas que locam equipamentos em obras. Claro que quando a construtora devolve o equipamento ele está mais desgastado do que quando ela alugou. São problemas provenientes ou do próprio desgaste do equipamento do mau uso feito em obra. E geralmente as empresas que locam os equipamentos querem indenização de tudo. A construtora pega uma peça que tem dez anos de uso, ela quebra por desgaste dentro de uma obra e as locadoras querem que a locatária pague o preço de uma peça nova.

Como resolver esse impasse?
Com negociações. Mas o ideal é que, no momento em que a construtora fecha o contrato, ela saiba quanto custa cada peça. Assim, ela pode alertar os usuários dos riscos de quebra das peças mais caras.

Instalação, operação e manutenção
O projeto de instalação dos balancins elétricos deve levar em consideração a arquitetura da fachada do edifício, as cargas de trabalho a que os equipamentos estarão sujeitos, os detalhes dos procedimentos sequenciais para a operação de montagem e desmontagem e, ainda, as dimensões e posições de ancoragens. Segundo Antonio Nascimento, é indispensável que os projetos sejam específicos para cada obra, e não adaptados a partir de projetos antigos e/ou similares. "Os projetos dos balancins até podem ser genéricos, mas os de instalação variam de acordo com as condições da obra. As interferências e os sistemas de fixação mudam de acordo com a arquitetura e com o sistema estrutural", alerta o auditor fiscal.

Durante a montagem, é preciso prever um local adequado para o aterramento elétrico. O motor deve estar em local seguro das intempéries, já que pode atrair correntes elétricas. O projeto do edifício deve prever também locais adequados para fixar a estrutura de sustentação na cobertura, os chamados pontos de ancoragem ou de contrapeso. Esses pontos devem ser facilmente identificados, visando inclusive à manutenção do prédio.

As construtoras têm repassado a responsabilidade de montagem para os próprios fornecedores dos balancins ou até para empresas especializadas nas instalações e desinstalações. Nesses casos, as Anotações de Responsabilidade Técnicas (ARTs) emitidas são de responsabilidade das terceirizadas. "Sempre solicitamos que o técnico de segurança acompanhe essa empresa com objetivo de observar se estão sendo cumpridos todos os requisitos de segurança", conta Pedro Augusto, da Queiroz Silveira. Além disso, cabe à construtora assegurar que todo trabalho em altura seja realizado sob supervisão.

Durante a operação, é preciso respeitar o limite de peso que as plataformas suportam. Depositar no equipamento somente o material necessário para o uso imediato é um meio de evitar o sobrepeso, que pode causar problemas operacionais nos balancins.

Ao final do dia de trabalho é preciso verificar a integridade dos dispositivos de suspensão e deixar o equipamento limpo, principalmente os cabos, motores e plataformas. Antes de iniciar os trabalhos, alguns itens devem ser checados, como a amarração dos cabos de sustentação, a fixação dos motores, o sistema de sustentação das vigas e os freios de segurança. Os cabos de sustentação, além de limpos, devem ser mantidos sem lubrificação (secos).

 

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