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Galpão otimizado

Escritório de arquitetura projeta galpões logísticos com aproveitamento de 90% da área para estoque

Por Romário Ferreira
Edição 143 - Junho/2013
No caso do centro de distribuição da Colgate, formatação de cada módulo terá dois paletes, corredor e dois paletes, ou seja, haverá melhor aproveitamento para estocagem

Desenvolver galpões menores, mas com melhor aproveitamento da área interna e praticamente a mesma capacidade de estocagem de um centro de distribuição maior. Essa é a proposta do escritório AD - Arquitetos Associados, especializado em projetos de centros de logística. Segundo o arquiteto Alan Gonçalves, gerente da área de supply chain da AD, o objetivo é não desperdiçar áreas.

A solução está em primeiro projetar a paletização, ou seja, dimensionar a medida exata dos paletes e dos corredores, e só depois projetar a estrutura, para que os pilares, por exemplo, não ocupem espaços desnecessários e impeçam o melhor aproveitamento do galpão. Gonçalves explica que, além disso, a estrutura é projetada para que não sobrecarregue as fundações e, assim, seja mais barata. A AD costuma projetar estruturas com pilar metálico ou pilar de concreto pré-moldado, com pé-direito de 14 m, e fechamento metálico, com telhas trapezoidais ou do tipo zipadas.

"Usamos uma medida para eixos de pilares que comporte as estantes onde vão ser armazenados os paletes. Precisa ser uma medida exata para ter: paletes, corredor de circulação e paletes. São módulos de 5,4 m. Depois, distribuímos os pilares prevendo a medida exata da paletização", explica. Os paletes ocupam um vão cuja medida exata pode variar de 20 m a 25 m. "Não adianta colocar um vão muito grande, porque a estrutura metálica será mais cara. Nós adequamos uma medida que seja viável para os fornecedores também", completa Gonçalves.

"Para maximizar a ocupação do espaço, não falamos mais em metro quadrado de galpão, mas na posição dos paletes por metro quadrado, visando a aumentar sua capacidade operacional. Assim, se o projeto aumentar em 10% a eficiência por metro quadrado, ele poderá reduzir em 10% o custo fixo da operação", diz o arquiteto Alcindo Dell'Agnese, gerente da AD.

Módulo padrão pode ser adequado conforme necessidade do cliente para receber mais paletes. Em média, o módulo tem 22 m x 24 m e segue a formatação básica: palete, corredor e palete

 

Essa lógica foi empregada, segundo Alan Gonçalves, no centro de distribuição da Colgate, na Rodovia dos Imigrantes, em São Paulo. O imóvel, construído sob o modelo built-to-suit, tem cerca de 60 mil m² e formatação com quatro corredores e oito fileiras de palete em cada módulo. "A empresa tinha uma necessidade e projetamos dois paletes, corredor e dois paletes, em vez do tradicional palete, corredor e palete. Chegamos numa medida próxima, entre 20 m e 25 m, para caber essa formatação. Tudo parte de um estudo original com módulos padrão desenvolvidos por nós, que têm cerca 22 m por 24 m", explica o arquiteto. O aproveitamento da área para estoque chegou a cerca de 90%.

Segundo ele, é possível economizar entre 20% e 30% com esse tipo de projeção de centro de distribuição. A economia ocorre com a estrutura e, principalmente, com o aluguel e manutenção do galpão. De acordo com Gonçalves, "o aluguel é sempre baseado em metragem quadrada. Quanto menos metro quadrado tiver o empreendimento, será melhor. E o condomínio é sempre em função da área construída do empreendimento".