Novo COO da BKO analisa cenário de acomodação e aponta que momento é propício para investimentos em tecnologia, mudança arquitetônica e aumento da produtividade | Construção Mercado

Entrevista

Mario Giangrande

Novo COO da BKO analisa cenário de acomodação e aponta que momento é propício para investimentos em tecnologia, mudança arquitetônica e aumento da produtividade

Por Kelly Carvalho
Edição 147 - Outubro/2013

O engenheiro Mario Giangrande testemunhou o bom desenvolvimento do setor no final dos anos 1990, caracterizado por significativos avanços no uso de tecnologias industrializadas, e acompanhou logo em seguida o forte retrocesso do segmento. Pouco tempo depois viu o boom imobiliário, que mudou radicalmente a movimentação do mercado pela grande oferta de crédito e pela onda de abertura de capital das construtoras. Em seguida, observou muitas empresas enfrentarem dificuldades para se ajustarem à realidade do setor, pois não podiam atender às exigências do mercado de investimentos quanto ao volume e velocidade de produção.

Todos esses marcos da história recente da construção civil Giangrande acompanhou de dentro da BKO Engenharia. E agora, assume a tarefa de liderar a empresa em mais um momento de acomodação da atividade setorial. Para ele, a desaceleração do mercado é a oportunidade para se dar o salto de produtividade que falta no setor.

O engenheiro se tornou Chief Operating Officer (COO) da construtora e incorporadora BKO após a saída de Mauricio Bianchi, um dos fundadores, no final do ano passado. Giangrande começou a trabalhar na empresa como estagiário, foi gerente de obras, de orçamento, de planejamento e de projetos. Também assumiu funções como gerente e diretor de incorporações. Em um período de transição, cerca de três anos atrás, passou a atuar na operação da empresa, com foco no desenvolvimento da incorporação e novos negócios. O cargo incluía a proposta de uma gestão diferenciada de pessoas e inovação.

Nesta entrevista, ele fala dos desafios de sua função, de como a empresa deve se posicionar daqui para frente e faz uma análise do momento vivido hoje pelo mercado de construção civil.

Foto: Marcelo Scandaroli

"O setor está mais atrasado que no final da década de 1990, mas agora entende qual o cenário para os próximos anos e sabe que em nível estável ou de crescimento é difícil ganhar produtividade sem tecnologia"

Você assumiu uma nova função após um momento de transição do setor imobiliário, com crescimento acelerado e um posterior recuo de todo o segmento. Considera que essa seja uma nova fase para o mercado?
Entendo que essa fase de estabilidade é mais seletiva. Se não houver nenhuma grande mudança macroeconômica, o mercado tende a permanecer algum tempo dessa forma, e com um potencial de crescimento a médio e longo prazo mais organizado e moderado.

Neste cenário, como COO da BKO, você pretende imprimir mudanças na gestão da empresa?
O que já vinha sendo trabalhado há alguns anos, e agora deve ficar marcado de fato, é a profissionalização. A BKO deixa de ser uma empresa de dois ou três donos e passa a ser mais profissional. Temos que trabalhar com as lideranças, os diversos diretores e gerentes, para que tenhamos profissionais preparados para exercer as funções do dia a dia. E que estejam preparados para formar novos líderes, para que a empresa possa se perpetuar.

Chama a atenção o fato de que a BKO praticamente parou de construir para terceiros e passou a se dedicar aos próprios empreendimentos. Esse modelo de negócio deve prevalecer?
Sim. Esse é o perfil da empresa e das pessoas que a dirigem, e esse modelo deve prevalecer daqui para frente.

Por que vocês tomaram essa decisão? Quais as principais dificuldades em se trabalhar com outras incorporadoras?
As incorporadoras não reconhecem e não remuneram o ato da boa construção. Muitas vezes, elas precisam fechar a conta de um empreendimento na contratação da obra, que pode representar de 40% a 50% do valor geral de vendas de um empreendimento. É na construção que elas têm margem para tentar tirar alguma coisa. Então, quando existe dificuldade para se ter retorno num terreno - ou porque ele foi comprado por um preço alto, ou porque o projeto não está bom, ou porque o preço de vendas não é aquilo que se esperava -, a alternativa para a incorporadora é apertar a construtora e pagar o mais barato possível. Isso não é saudável para o mercado.

"Quando existe dificuldade para se ter retorno num terreno, a alternativa para a incorporadora é apertar a construtora e pagar o mais barato possível. Isso não é saudável para o mercado"

No passado, muitas empresas que abriram capital tinham porte semelhante ao da BKO. Por que a empresa decidiu não entrar na bolsa de valores quando teve a oportunidade?
Primeiro, porque não havia um alinhamento total entre os sócios e diretores de que esse seria o melhor caminho. E quando começamos a pensar numa possibilidade de abrir capital e fazer parceria com uma empresa que já tinha capital aberto, tivemos dúvidas sobre o modelo adotado pelo mercado. Era um modelo em que se faziam cobranças de curto prazo, que não faziam sentido para o nosso negócio. Quando percebemos isso e vimos a crise, fechou-se a janela da abertura de capital e perdemos o momento.

Hoje, acredita que essa decisão foi acertada?
Acredito. Não que isso não possa acontecer no futuro. Às vezes, nos perguntam se vamos abrir capital e a resposta é: depende do que o mercado vai cobrar ou querer da empresa e do nosso setor na abertura de capital. Se quiser a essência do negócio, de longo prazo do jeito que ele é, pode ser. Se quiser resultados curtos, provavelmente não.

Você é um engenheiro que hoje ocupa uma função administrativa, com foco no negócio. O que você acha que mudou no perfil do engenheiro civil? O que o mercado espera desse profissional hoje?
O mercado falava muito na necessidade de que o engenheiro tivesse um perfil de gestor. Então veio o boom imobiliário, com aquela falta de engenheiros qualificados, e começou-se a questionar a ausência do conhecimento técnico. Acho que, hoje, o que se espera é uma mescla dessas duas competências. O profissional deve ter o conhecimento técnico, que é a base, mas também deve ter competência para gestão. O engenheiro precisa ter desde a introdução de tecnologia, desde a técnica de uma conferência de serviços por tablet, até tecnologias de execução construtivas ou de gestão da obra, de logística da obra.

 

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