Solidez financeira e expansão lenta, mas sólida, garantem o Prêmio PINI Incorporadora do Ano à Eztec | Construção Mercado

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PRÊMIO PINI 2013

Solidez financeira e expansão lenta, mas sólida, garantem o Prêmio PINI Incorporadora do Ano à Eztec

Por Romário Ferreira
Edição 148 - Novembro/2013
 

DIVULGAÇÃO: EZTEC
O EZ Towers é o maior e mais importante projeto da história da Eztec; localizado na Avenida Chucri Zaidan, na zona Sul de São Paulo, está em construção e possui duas torres padrão "triple A".

Muito dinheiro em caixa, necessidade de fazer novos investimentos e oportunidades para expandir a atuação para fora da cidade de São Paulo. Foi esse o panorama com que a Eztec se deparou em 2006 após a abertura de capital. Avessa a riscos, a companhia manteve os pés no chão e desde então vem se consolidando como uma das melhores incorporadoras do Brasil, com margens muito superiores à média do setor. Como reconhecimento, a Eztec foi eleita, pela terceira vez, a vencedora do Prêmio PINI Incorporadora do Ano - a empresa já havia vencido em 2010 e 2011.

A estratégia assertiva, já conhecida pelo mercado, é fruto principalmente da concentração dos negócios na região metropolitana de São Paulo. Enquanto algumas companhias se arriscaram em novos mercados - e tiveram prejuízos -, a Eztec apostou no conservadorismo e no crescimento moderado. Embora houvesse, à época, muitas oportunidades de investimento, como em Campinas, Ribeirão Preto e São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, e em Brasília e no Rio de Janeiro, cidades mais óbvias, a companhia ainda via boas perspectivas de crescimento na capital paulista.

"São cidades grandes e que podiam ser boas para nós, mas, ao mesmo tempo, refletimos: se ainda conseguíamos bons terrenos na cidade de São Paulo, será que, em vez de pensar nessa expansão, não seria melhor expandir exclusivamente para a região metropolitana? Foi o que fizemos", resume Emílio Fugazza, diretor financeiro e de relações com investidores da Eztec. A aposta deu resultado e vem sendo ratificada ao longo dos últimos anos. Pelo menos por enquanto, a empresa não pensa em sair de São Paulo.

O maior empreendimento da Eztec

O projeto do EZ Towers é de autoria do arquiteto uruguaio Carlos Ott

A Eztec considera o EZ Towers o maior e mais importante projeto de sua história. O empreendimento corporativo, localizado na Avenida Chucri Zaidan, na zona Sul de São Paulo, está em construção e possui duas torres idênticas, com padrão "Triple A". Cada torre possui 31 andares, sendo cinco sobressolos e mais três subsolos. São mais de 3.400 vagas de garagem, 41 elevadores e 162.000 m² de área construída. O projeto é assinado pelo arquiteto uruguaio Carlos Ott. Numa visita recente à obra, Ott comentou que "precisava fazer um projeto com uma imagem importante, de impacto. A intenção era fazer um edifício privilegiado, com contornos diferentes. Resultado: uma imagem escultural forte e, ao mesmo tempo, um empreendimento com muita eficiência", disse Ott. "Não fazemos o fácil e nem o óbvio, que é construir um triple A na [avenida] Faria Lima. Se fizéssemos isso pagaríamos um preço astronômico no terreno e nos cepacs, e o aluguel seria até 80% mais caro", afirma o presidente da companhia, Marcelo Zarzur. Após cinco meses de negociação, a Eztec vendeu a primeira torre para a companhia São Carlos, por R$ 564 milhões. O sucesso do empreendimento tem motivado a companhia a replicar o modelo de negócio e os diretores revelam que já têm buscado terrenos para este fim. É um dos negócios em que a Eztec pretende alocar parte dos excelentes resultados. A previsão de entrega da torre A é para dezembro de 2014, e a torre B deve fica pronta um ano depois, em dezembro de 2015.

 

 

Marcelo Scandaroli

"Enquanto houver mercado, por que vou sair de um mercado que já conheço?"
Sílvio Ernesto Zarzur
diretor vice-presidente e de incorporação da Eztec

A opinião é compartilhada pelo diretor vice-presidente e diretor de incorporação, Sílvio Ernesto Zarzur. "Enquanto houver mercado, por que vou sair de um mercado que já conheço? E temos controle muito mais claro das operações. Nas outras praças podemos perder esse controle. Se constatarmos que está difícil crescer em São Paulo, aí podemos partir para uma nova região. Mas será uma expansão muito bem pensada. Não vou sair pelo interior comprando terreno sem controle", garante.

A máxima de que o olho do dono engorda o gado cabe perfeitamente neste caso. O próprio presidente da Eztec e também diretor técnico, Marcelo Ernesto Zarzur, destaca que estar num raio de distância - no máximo 60 km - que permita visitar qualquer obra numa manhã dá tranquilidade e segurança para toda a empresa. "Vamos às obras e ao final do dia estamos todos aqui no escritório."

Junto com a concentração geográfica, a empresa também optou por um crescimento paulatino. Passou de cinco obras em 2007, para dez em 2008, 15 em 2009, 20 em 2010 e, agora em 2013, está na casa de 30 obras. "Foi um crescimento orgânico, fundamental para o controle da boa engenharia. Toda a minha equipe de liderança é formada por engenheiros e estagiários que começaram na Eztec há oito, nove anos. Como a empresa foi crescendo paulatinamente, eles foram crescendo devagar também. Tem gerente que pensa igual a mim e toma a decisão que eu tomaria, se eu estivesse na obra", conta Marcelo Zarzur.

divulgação JPMorgan

"Por ser uma empresa de estrutura familiar, a Eztec foi construída e trabalhada para ser uma empresa perene. As decisões são tomadas visando ao longo prazo"
Marcelo Motta
analista do setor de construção do J.P. Morgan

Gestão familiar
Quando se pensa numa empresa familiar, logo se imaginam conflitos. Eles podem até existir, "mas são acomodados e há muito tempo aprendemos a lidar com eles e superá-los", garante Sílvio Zarzur. O bom entrosamento da família Zarzur facilita as decisões, as quais são tomadas pelo colegiado, num sistema muito mais parlamentarista do que presidencialista. Dos dez diretores estatutários, são quatro irmãos e dois cunhados. "Claro que o presidente tem um papel importante, mas a decisão é sempre tomada pelo colegiado", diz Fugazza.

O analista do setor de construção do J.P. Morgan, Marcelo Motta, afirma que todos os diretores têm o DNA e a paixão pelo negócio de incorporação. "Por ser uma empresa de estrutura familiar, a Eztec foi construída e trabalhada para ser uma empresa perene. O foco não é fazer o maior resultado possível para o curto prazo. As decisões são tomadas visando ao longo prazo, para que a empresa continue a ser uma das líderes de mercado", analisa Motta.

Silvio Zarzur lembra que quando começou a haver um volume de obras muito grande, há cerca de quatro anos, seu pai Ernesto Zarzur, fundador e presidente do conselho administrativo da companhia, previu que faltaria mão de obra e recomendou aos diretores que se planejassem para começar as obras três meses antes. "Foi uma decisão simples e certeira. Fizemos o que ele sugeriu, as obras atrasaram mais ou menos três meses e nós entregamos tudo no prazo, enquanto as outras empresas estouraram o prazo", conta.

 

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