Argamassa bombeada e projetada | Construção Mercado

Debates Técnicos

Revestimento

Argamassa bombeada e projetada

Fornecedores de argamassa e equipamentos de bombeamento e projeção discutem problemas, entraves e vantagens do uso da técnica

Por Gustavo Curcio e Lidice-Bá
Edição 185 - Novembro/2016
 

FOTOS: MARCELO SCANDAROLI
Após a projeção, a superfície deve ser nivelada manualmente por profissionais treinados

Totalmente difundida nos países europeus e nos Estados Unidos, a argamassa bombeada e projetada não é uma invenção do século passado. Ela é uma inovação da técnica manual. Bombear significa transportar por meio de tubulações; projetar é aplicar na parede (ou outra superfície) em forma de chapisco, reboco ou revestimento. Disponível só em São Paulo desde o final da década de 1990, hoje seu uso já está presente no dia a dia de construtoras de várias regiões do Brasil, como Paraná, Salvador, Fortaleza e Brasília. 'Essas construtoras estão optando pelo sistema por conhecê-lo do exterior', diz Fábio Campora, diretor executivo da Abai (Associação Brasileira de Argamassa Industrializada). 'Elas querem melhorar o processo.' Na obra acabada, mesmo que o resultado final - a olho nu - seja idêntico ao processo manual, as empresas que já aderiram à técnica enumeram suas vantagens. 'A argamassa bombeada e projetada permite vários ganhos, como precisão, qualidade e velocidade de obra, além de redução do número de ajudantes e de equipamentos no canteiro', diz André Jackix, da Pav Mix, empresa sediada em Campinas, no interior paulista. Todas essas vantagens podem ser conquistadas individualmente ou em conjunto. Mas primeiro é preciso entender que a argamassa bombeada e projetada não é uma técnica isolada.

Argamassa de qualidade
'Ela é um sistema que envolve vários elos e todos eles precisam estar otimizados', esclarece Fábio Campora. O primeiro elo dessa cadeia é justamente o início do planejamento da obra. Você é uma construtora e quer usar a técnica?

FOTOS: MARCELO SCANDAROLI
Exemplo de projeção para revestimento da alvenaria

Então o canteiro todo tem que ser repensado. O segundo elo do sistema é o produto em si. A argamassa projetada que chega na obra seca, ensacada ou em silo, deve ser de boa qualidade e sempre atender a necessidades específicas. 'Às vezes, o fabricante tem uma argamassa convencional e fala que o seu produto bombeia, mas ele não é específico para projeção. Aí vai dar erro porque, dependendo da altura e do equipamento que será usado, a gente escolhe um tipo de formulação', diz Jackix.

A escolha do maquinário é outra parte do sistema. Para bombear a argamassa, você pode usar desde máquinas mais leves e portáteis até as pesadíssimas. Existem dois tipos de transporte. Imagine que você esteja trabalhando no 20º andar de uma obra e a argamassa precisa chegar até lá. O envio por meio de tubulações tanto pode ser feito a úmido (do próprio silo ou da sacaria) quanto a seco (em pó). Cada versão tem uma finalidade específica. O transporte a seco, por exemplo, elimina a necessidade de limpeza de maquinário ao final de cada dia de trabalho. Já no transporte a úmido com silo, a vantagem é que você elimina pontos de água ou de energia. 'Tudo isso tem que estar no planejamento da obra, assim como é preciso também dimensionar as frentes de trabalho para evitar a ociosidade do equipamento, o que significaria um custo desnecessário', observa Campora.

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