Infraestrutura precisa de novo impulso | Construção Mercado

Painel de Mercado

Infraestrutura precisa de novo impulso

Edição 187 - Fevereiro/2017
 

AFONSO LIMA / FREEIMAGES.COM

Infraestrutura precisa de novo impulso
Durante o seminário Infraestrutura e Desenvolvimento do Brasil, realizado pelo jornal Valor Econômico para discutir soluções para o aumento da competitividade do país, duas palavras foram reforçadas: confiança e previsibilidade. As duas andam de mãos dadas, porém, estão em falta no cenário econômico brasileiro. Segundo pesquisa da Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base), 76% dos empresários afirmam que é arriscado investir em infraestrutura no país. Uma das consequências disso é a atual estagnação. Na avaliação da qualidade da infraestrutura, o Brasil (que possui 1.024 quilômetros de estradas pavimentadas por milhão de habitantes, ante 6.438 na Rússia) aparece no fim da fila em vários rankings internacionais. No estudo mais recente do Fórum Econômico Mundial, por exemplo, ocupamos a 120a posição - entre 144 países avaliados. Segundo o diretor do Banco Mundial no Brasil, Martin Raiser, o que inibe os projetos de infraestrutura é a dificuldade de investir. Para Raiser, são quatro os principais fatores a considerar: burocracia governamental, alta carga tributária, regulação tributária complexa e infraestrutura deficiente.

Rapidez das pequenas e médias pode estimular a economia
Um levantamento feito em 2016 pela Cbic (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) registrou um estoque de cerca de 400 projetos em todo o país que podem ser retirados com rapidez do papel para estimular a economia por meio de contratos de parcerias público-privadas. São obras de saneamento básico, iluminação pública e aterros sanitários, além da construção de escolas, hospitais e parques, que estimulariam negócios envolvendo principalmente pequenas construtoras. Segundo José Carlos Martins, presidente da Cbic, nos últimos anos o governo brasileiro mirou em grandes obras, deixando em segundo plano as obras de pequeno e médio porte, capazes de gerar benefícios imediatos para a população, sem demandar grandes recursos financeiros ou demorados estudos de impacto socioambientais.

Presidente libera verba para novas penitenciárias
Na última semana de 2016, o presidente Michel Temer autorizou o repasse de R$ 1,2 bilhão para a construção de novas unidades prisionais e para a modernização do sistema penitenciário. De acordo com o Ministério da Justiça, com exceção de Bahia e Ceará (que não verão a cor do dinheiro porque não têm fundos penitenciários), todos os estados vão receber o mesmo valor - R$ 44,8 milhões. Desse total, R$ 31,9 milhões serão destinados às obras de uma nova penitenciária.

ERRATA
Na edição 185, de dezembro de 2016, a reportagem Tecnologia BIM afirmava que o uso do BIM reduz o custo de obra em até 30%. Esclarecemos que esse percentual é válido apenas para alguns segmentos de projetos, e não para todos os setores da construção civil. Segundo Paulo Sanchez, vice-presidente de Tecnologia e Qualidade do SindusCon-SP, nas construtoras o percentual de redução fica entre 3% e 5%.

Em Teresina serão gerados 900 novos empregos diretos com a chegada de construtora
No próximo mês de março, a mineira MRV vai lançar seu primeiro empreendimento em Teresina, no Piauí - o único estado nordestino que ainda não tinha projeto da construtora. O residencial terá 580 unidades e conceito de condomínio-clube, que contará com área de lazer completa. O público alvo serão os beneficiários das faixas 2 e 3 do Minha Casa Minha Vida - e a conclusão da obra está prevista para 2019. Nesse empreendimento, que vai gerar 900 empregos diretos e indiretos, a empresa vai investir cerca de R$ 47 milhões.

Divulgação / Empreendimento Parque Avalon

AFONSO LIMA / FREEIMAGES.COM

CURTA
Restauração do Museu da Língua Portuguesa custará R$ 65 milhões
O governo de São Paulo iniciou em dezembro passado as obras de restauração do Museu da Língua Portuguesa, atingido por um incêndio em 2015. A empreitada vai acontecer em três etapas, iniciadas pela reforma das fachadas e esquadrias. O custo será de R$ 65 milhões e terá patrocínio do grupo Energia de Portugal (EDP), do Grupo Globo e do Itaú. O museu só deverá ser reaberto ao público no primeiro semestre de 2019.

O governo de São Paulo ajuda a revitalizar Centro Cultural de Campinas
Desativado desde 2011, o complexo arquitetônico do Centro de Convivência Cultural de Campinas Carlos Gomes, que está atualmente ameaçado pela deterioração de suas instalações, vai receber investimentos do governo estadual, além da ajuda do próprio município. Os quatro edifícios do conjunto - que oferece espaços multifuncionais para eventos, espetáculos e exposições -, construídos de 1960 a 1970, estão interditados por causa de graves infiltrações, entre outros problemas técnicos que inviabilizam o uso da edificação por questões de segurança. O custo da revitalização é estimado em R$ 25 milhões, e os recursos necessários à reforma devem sair da dotação de R$ 80 milhões destinada pelo governador Geraldo Alckmin à construção da Ópera de Campinas - que, após quatro licitações, não saiu do papel por contestações de grupos interessados.

PAULO HUMBERTO / WIKIPEDIA