Descartes dos canteiros representam mais de 50% do material sólido urbano no Brasil. Saiba como fazer a gestão e tratamento de resíduos de construção | Construção Mercado

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Descartes dos canteiros representam mais de 50% do material sólido urbano no Brasil. Saiba como fazer a gestão e tratamento de resíduos de construção

Especialistas garantem que os custos do gerenciamento em obra são inferiores aos de edificações sem planejamento. Confira as histórias de sucesso de duas construtoras que investiram em logística ambiental

Alexandra Gonsalez
Edição 190 - Maio/2017
Projeto-piloto da MRV em Belo Horizonte (MG) testou a viabilidade da coleta e processamento dos resíduos no próprio canteiro. Relatório técnico documentou os resultados e o sistema foi adotado pela construtora nos demais empreendimentos

Não importa o tamanho da construção. Qualquer leigo que já reformou o banheiro de casa costuma associar obra com produção de resíduos de cimento, tinta e cerâmica. Também fazem parte dessa equação a sujeira e a contratação de caçambas para levar o entulho para um destino muitas vezes incerto. Por isso, trabalhar a questão da gestão e tratamento de resíduos de construção em larga escala, no nicho das construtoras e incorporadoras, é um trabalho hercúleo. Os descartes da construção civil representam um grave problema na maioria das cidades brasileiras. A disposição irregular desse material, algumas vezes tóxico, gera passivos de ordem ambiental e de saúde. Além disso, sobrecarrega os sistemas de limpeza pública municipais.

' Recentemente, participamos de uma feira nos Estados Unidos e visitamos uma usina na Califórnia. O nível de desenvolvimento deles é absurdamente superior, em todos os sentidos. '

Hewerton Bartoli, presidente da Associação Brasileira para Reciclagem de Resíduos da Construção Civil e Demolição

No Brasil, os resíduos da construção Civil (RCC) podem representar de 50% a 70% da massa dos resíduos sólidos urbanos (RSU), de acordo com dados do estudo Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2015, realizado pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe). O levantamento da entidade aponta que cerca de 80 milhões de toneladas de lixo são produzidos no país por ano. Desse montante, 42% ainda têm como destino final lixões e aterros sanitários, considerados ambientalmente inadequados para o descarte. De acordo com o estudo da associação - e considerando as metas previstas em 2010 na Lei no 12.305/10, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) -, o país precisa investir R$ 11,6 bilhões em infraestrutura, até 2031, para implantar ações de destinação final adequada aos resíduos sólidos. A esse valor somam-se R$ 15,59 bilhões ao ano para custear a operação e a manutenção dos locais a serem construídos.

O arquiteto Tarcísio de Paula, da I&T Gestão de Resíduos, diz que o Brasil vive uma situação ímpar na América Latina, apresentando políticas e normas estabelecidas, além de um plantel de instalações que outros países não têm. No entanto, pontua ele, se o cenário brasileiro é mais avançado do que o de nossos vizinhos, ainda é distante do praticado em vários países europeus. 'Dados da Eurostat, órgão de estatísticas da União Europeia, apontam que as taxas de recuperação dos resíduos gerados em atividades construtivas se situam próximas dos 90% ou até mesmo ultrapassam esse número', diz De Paula.

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