Enfim, os estoques começam a diminuir | Construção Mercado

Editorial

Enfim, os estoques começam a diminuir

Edição 191 - Junho/2017
Marília Muylaert

Luz no fim do túnel. Diante da estagnação do setor, a grande preocupação dos empreendedores está no grande estoque de imóveis acumulados. Novo Indicador do Mercado Imobiliário Nacional - lançado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic) no início de maio - mostra uma diferença de 18,2% entre lançamentos (59.386 unidades) e vendas (72.617 unidades) em 2016, resultando em 13.000 unidades comercializadas a mais do que as colocadas no mercado. Na prática, se fizermos uma operação matemática simples, constataremos uma diminuição dos estoques de imóveis.

Mas engana-se quem pensa que o grande número de unidades já entregues disponíveis à venda está perto de acabar. Há quem diga que o volume já construído chegará ao fim apenas em meados de 2018. Especula-se que a retomada efetiva dos lançamentos comece a partir daí. Em meio ao mercado parado, resta aos empreendedores investir em alternativas para driblar a baixa demanda com projetos inovadores do ponto de vista de produto. Nessa linha, duas construtoras, uma de Goiânia (GO) e outra de Curitiba (PR), investem em megaprojetos para o alto padrão revestidos de conceitos incorporados de experiências anteriores. Ao observar as modificações que os proprietários realizam nos imóveis com esse perfil após a entrega das chaves, elementos como a integração das varandas ao estar ou home office já estão presentes na planta original.

" Em meio ao mercado parado, resta aos empreendedores investir em alternativas para driblar a baixa demanda com projetos inovadores do ponto de vista de produto. "

A verdade é que o grande investimento da vida do consumidor, no caso da conquista do primeiro imóvel, geralmente acaba por ser feito em projetos tradicionais, pouco ousados. Quem arriscaria investir todo o capital acumulado, FGTS e em um financiamento de 30 anos num conceito duvidoso de projeto? Talvez por isso, a ousadia conceitual tão requisitada pelo marketing das construtoras fique restrita ao alto padrão, geralmente em regiões descoladas das grandes cidades. Fato é que, em meio ao marasmo do mercado brasileiro, sobressaem-se os que buscam alternativas inteligentes para driblar a calmaria.

Quem sabe, até 2018, surjam exemplos de sucesso para desmentir esse feeling. É pagar para ver.