Quase 50% das moradias do Minha Casa Minha Vida têm falhas de construção | Construção Mercado

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Quase 50% das moradias do Minha Casa Minha Vida têm falhas de construção

Levantamento do Ministério da Transparência mapeou manifestações patológicas em edificações da Faixa 1. Anomalias em habitações populares de 110 municípios chama a atenção de acadêmicos em universidades brasileiras

Alexandra Gonsalez
Edição 192 - Julho/2017
Foto de autoria da arquiteta e urbanista Gabriella Murari, realizada durante a pesquisa Levantamento das Patologias Presentes em Unidades do Conjunto Habitacional Monte Carlo - Presidente Prudente

O programa de habitação Minha Casa Minha Vida (MCMV) completa oito anos em 2017. Apesar de oferecer a oportunidade da conquista da casa própria, em várias cidades do país os proprietários de imóveis que integram a iniciativa queixam-se de vícios construtivos e da baixa qualidade das unidades entregues. Para responder às demandas dos moradores, em fevereiro deste ano o Ministério da Transparência e Controladoria-Geral da União (CGU), do governo federal, divulgou o resultado de um relatório que avaliou a aplicação dos recursos na produção de unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida na modalidade Fundo de Arrendamento Residencial (FAR), primeira fase, para beneficiários com renda de até três salários mínimos.

O documento registrou que 48,9% dos imóveis da Faixa 1 do MCMV, que contempla famílias com renda de até R$ 1.800, apresentavam manifestações patológicas nas edificações, ou incompatibilidade em relação ao projeto. As unidades foram construídas entre 2011 e 2014 e as auditorias foram realizadas entre 2012 e 2014. De um total de 688 empreendimentos (189.763 unidades habitacionais), distribuídos em 110 municípios de 20 estados em todo o país, foram identificadas falhas de execução em 336 projetos, que concentram quase 93.000 unidades. Os principais problemas são trincas e fissuras (30,8%), infiltração (29%), vazamentos (17,6%) e cobertura (12,3%). O estudo detectou que um mesmo imóvel pode ter apresentado mais de uma manifestação patológica. Ao todo, a União desembolsou R$ 8,3 bilhões na construção desses empreendimentos.

A auditoria do Ministério da Transparência também identificou problemas nos condomínios. A maioria deles está relacionada à falta de pavimentação e à ausência de calçadas e de equipamentos comunitários, como escolas e postos de saúde no entorno. Há, ainda, reclamações sobre defeitos na rede de drenagem e de esgoto das residências. Em nota, o Ministério da Transparência informa ter emitido recomendações ao Ministério das Cidades e à Caixa Econômica Federal referentes ao acompanhamento e à resolução de falhas construtivas consideradas críticas para empreendimentos especificados.

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