Cimento Portland | Construção Mercado

Debates Técnicos

Cimento Portland

Edição 28 - Janeiro/2009
Classes e usos


Avanço tecnológico trouxe uma grande variedade de produtos. Especialistas recomendam
ao consumidor atenção à classificação e aplicação de cada tipo



O Brasil produz 40 milhões de t/ano de cimento Portland, colocando-se como oitavo produtor mundial. Tecnologia de ponta e investimentos milionários são vocabulários mais do que comuns nesse meio - para montar uma fábrica de porte médio, por exemplo, que produza 3 mil t/dia, é necessário um investimento inicial de US$ 250 milhões. Há no Brasil dez grupos industriais e 56 fábricas. Apesar disso, o consumidor na outra ponta (construtores, indústrias de argamassas e pré-fabricados) carece ainda de muitas informações técnicas e sabe pouco sobre o produto que compra.

Pode parecer paradoxo, mas a falta de informação vem das transformações tecnológicas dos últimos anos. Atualmente, há no mercado brasileiro cinco tipos de cimento Portland (ver tabela 1), que se dividem em vários subgrupos. Isso sem contar os resistentes a sulfatos, os com baixo calor de hidratação e o cimento branco. Ou seja: para cada tipo de obra pode-se dizer que há um cimento mais adequado. O primeiro deles, o cimento Portland comum, que antes dominava o mercado, hoje é o menos fabricado. "É praticamente um galho atrofiado, já que o cimento composto representa, hoje, a maior parte dos cimentos comercializados", diz Carlos Eduardo de Siqueira Tango, pesquisador do Agrupamento de Materiais de Construção Civil do IPT.

A tecnologia veio para melhorar a qualidade do produto final, acreditam alguns especialistas. "Há produtos, por exemplo, para uma certa condição de agressividade ou característica da obra", conta Cláudio Sbrighi Neto, professor de mestrado do IPT e diretor do comitê CB 18 da ABNT. "Essa variedade permite otimizar o custo da obra quando cada cimento é visto numa relação ótima de custo-benefício juntamente com a tecnologia que está sendo usada", explica.

Reação com aditivos e agregados
Como utilizar cada tipo de cimento e em quais situações é uma das dúvidas que aparecem diante de tanta variedade (ver tabelas 2 e 3). Em princípio, pode-se usar qualquer um, em qualquer tipo de obra, "desde que se façam alguns ajustes", salienta Arnaldo Battagin, chefe de laboratório da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland). "O que varia são as adições feitas no cimento para elevar certas propriedades técnicas", explica Battagin.

Isso quer dizer que cada tipo de cimento tem uma influência diferente no resultado da argamassa ou do concreto, em propriedades como resistência à compressão, impermeabilidade e resistência aos agentes agressivos. Mas essa influência pode ser modificada com aumento ou diminuição da quantidade de água e de cimento, por exemplo, na produção do concreto ou argamassa. Da mesma maneira, as características dos demais componentes, como os agregados, também alteram a relação com o cimento. Além dos agregados, certos aditivos químicos reduzem ou aumentam propriedades já inerentes do cimento. Por isso, o estudo de dosagem de concretos e argamassas deve considerar o tipo de cimento escolhido, a natureza dos agregados e o tipo de obra ou peças a executar.

"O concreto utilizado em uma barragem, por exemplo, deve possuir um cimento com baixo calor de hidratação", explica Battagin. "Caso não seja usado um cimento com essa característica, será preciso fazer algumas adaptações como, talvez, usar gelo para reduzir o calor liberado pelo cimento em reação."
Outro caso típico de especificação é o do CP III 40. "Ele dá uma resistência aos 28 dias mais elevada do que um cimento sem adição de escória, mas nas primeiras idades a resistência é mais baixa porque a reatividade da escória é lenta", diz Battagin. "Por isso não é recomendado, por exemplo, para pré-fabricação de peças que precisam ser desenformadas com mais rapidez." Battagin conta, porém, que nesse caso é possível alterar essa característica com um aditivo acelerador de pega.


Há três produtos principais que são adicionados ao cimento durante o processo de fabricação: escória de alto-forno, pozolana e fíler. No CP III, por exemplo, a adição principal é de escória, um resíduo da fabricação do ferro-gusa. "Essas escórias possuem propriedades aglomerantes cimentícias fantásticas", conta Battagin. "Quando adicionadas nas fábricas com tecnologia correta, as escórias ganham um poder aglomerante similar ao do cimento Portland. Além disso, estamos tirando do meio ambiente um resíduo poluente que seria destinado a aterros."

O tipo de adição também depende do local em que o cimento é fabricado, pois, para cada região, há uma matéria-prima diferente. Além disso, por ser um produto perecível, o cimento não pode ser transportado por longas distâncias, o que faz com que cada região tenha seu próprio produto. No Sul do Brasil é difícil encontrar um cimento com escória (já que, por ser um resíduo de siderúrgicas, está disponível na região Sudeste). No Sul utiliza-se mais a pozolana, resíduo da queima de carvão mineral das termoelétricas. "Esse material combina com a cal da hidratação do cimento e resulta em um produto similar ao do cimento endurecido", explica Battagin. "Já no Nordeste há outro tipo de cimento pozolânico, que usa uma pozolana oriunda da calcinação de argila."

Algumas adições provocaram discussão entre especialistas, fabricantes e consumidores. "Uma das primeiras grandes brigas aconteceu em 1986, durante a normalização do produto com adição do fíler calcário", lembra Tango. O fíler é adicionado ao cimento Portland composto, o CP II, em uma proporção máxima de 10%, de acordo com as normas da ABNT. "O composto é uma ramificação do cimento comum. Hoje, é o campeão de vendas e o fíler pode entrar em todos eles. O fíler é a matéria-prima, calcário moído sem passar pelo forno, o que reduz o consumo de energia das empresas", explica Tango. "Há efeitos físicos que favorecem a trabalhabilidade e uma reação inicial acelerada, mas a adição de fíler diminui a reserva de resistência após os 28 dias", afirma Tango. "O principal problema é que o concreto com esse tipo de cimento é mais poroso após os 28 dias, o que o torna menos durável."

Produto perecível
O tempo de validade dos cimentos é de, no máximo, três meses, e estocá-los requer cuidado. A embalagem, em papel kraft, apesar de ser ideal na hora da produção, protege pouco o cimento da água. "Antes de utilizado, o cimento é inimigo da água, pois empedra e se torna inviável para utilização", alerta Battagin. Ambientes úmidos também devem ser evitados. O ideal é guardá-los em locais secos e arejados. A estocagem deve ser feita sobre estrados (a pelo menos 30 cm do chão) minimamente longe de paredes, para evitar contato com umidade.

A pilha não pode ter mais do que dez sacos, para que não ocorra a compactação das primeiras embalagens. "Se estocado por muito tempo, a gipsita, ou gesso, solta água e hidrata o cimento", explica Battagin. Além disso, pilhas de dez facilitam a contagem do estoque e da entrega. Em locais frios, a temperatura ambiente baixa pode retardar o início da pega. Nesses casos, é necessário estocar o cimento em locais em que a temperatura seja maior do que 12oC.

Mesmo com todos os cuidados, é possível que alguns sacos estraguem. Às vezes, o empedramento é apenas superficial. Uma das maneiras de saber se ainda estão bons para uso é tombando-os em uma superfície dura: se voltarem a se afofar, ou se for possível esfarelar os torrões com os dedos, eles ainda podem ser usados. Caso contrário, ainda há a alternativa de peneirá-los. O pó resultante da peneira de 5 mm pode ser usado em aplicações que exigem menos responsabilidade, como pisos e contrapisos, mas nunca em peças estruturais, porque sua hidratação já foi iniciada e a resistência será menor.


Controle da qualidade
O cimento é um dos mais antigos produtos normalizados. "O método de ensaio M1, do IPT, foi a primeira norma adotada no Brasil, em 1935. Isso virou especificação do cimento e inspirou a norma brasileira, da ABNT, em 1937", conta Tango.

A ABNT possui normas técnicas para todos os tipos de cimento Portland. "Todos os cimentos no Brasil passam por um controle rigoroso da qualidade", afirma Battagin. A ABCP confere um selo de qualidade para os produtos, comprovada por meio de análise periódica, que atesta o cumprimento das normas técnicas. O sistema de controle da qualidade vai desde a extração de calcário da jazida até o ensacamento no final da produção.

Os cimentos normalizados seguem uma classificação padrão. A sigla CP (Cimento Portland) é acrescida de algarismos romanos de I a V, de acordo com o tipo de cimento. As classes são indicadas pelos números 25, 32 e 40, que indicam (em MPa) os valores mínimos de resistência à compressão após 28 dias de cura.
Normas técnicas

NBR 7226 - Cimento Portland
NBR 5732 - Cimento Portland Comum
NBR 11578 - Cimento Portland Composto
NBR 5735 - Cimento Portland de Alto-forno
NBR 5736 - Cimento Portland Pozolânico
NBR 5733 - Cimento Portland de Alta Resistência Inicial
NBR 5737 - Cimento Portland Resistente aos Sulfatos
NBR 13116 - Cimento Portland de Baixo Calor de Hidratação
NBR 12989 - Cimento Portland Branco
NBR 9831 - Cimento Portland Destinado à Cimentação de Poços Petrolíferos


Glossário

Adições - além de clínquer Portland e gipsita (gesso), a maior parte dos cimentos tem alguma adição, que pode ser escória de alto-forno, pozolana ou material carbonático (fíler). São adicionadas ao clínquer durante a fase de moagem

Aditivos - são substâncias líquidas colocadas no concreto em pequenas quantidades, antes do endurecimento, com o objetivo de modificar propriedades como tempo de pega e plasticidade

Clínquer - é a constituição fundamental do cimento Portland. Tem como matérias-primas básicas o calcário e a argila, podendo ser empregados outros materiais, como a bauxita. A mistura das matérias-primas finalmente moídas atravessa um forno giratório de grande diâmetro e comprimento, com uma temperatura interna de até 1.450oC. O calor transforma a mistura em um novo material, o clínquer. Saído do forno, ele é resfriado para, posteriormente, ser moído

Escórias de alto-forno - são subprodutos da fabricação do ferro-gusa nas siderúrgicas. Na sua constituição, estão presentes várias formas de ferro-alumino-silicatos de cálcio, similares aos compostos existentes no clínquer. Moída e ativada com substâncias alcalinas, a escória se comporta como aglomerante hidráulico

Fíler calcário - é carbonato de cálcio (calcário) moído. Em teores moderados, acelera as resistências iniciais

Gesso ou gipsita - tem a função de controlar o tempo de pega, ou seja, o início do endurecimento do clínquer quando em contato com a água. Está presente em todos os tipos de cimento Portland, em quantidade pequena: cerca de 3% de gesso ou gipsita para 97% de clínquer, em massa

Pozolanas - Podem ser provenientes de cinzas vulcânicas (pozolanas naturais) ou de cinzas da queima de carvão mineral de termoelétricas (cinzas volantes). São materiais constituídos fundamentalmente por sílica amorfa, que, combinada com compostos do cimento Portland em meio úmido, melhoram a resistência mecânica e principalmente a durabilidade dos concretos



Check list

 A dosagem do concreto e da argamassa deve ser feita levando em conta o tipo de cimento utilizado

 Cada região do País produz seu próprio cimento, pela impossibilidade de transporte de longa distância, já que é um produto perecível

 As principais adições do cimento são escória, pozolana e fíler

 As adições podem variar de acordo com a região em que o cimento é fabricado, já que depende da oferta de matéria-prima

 Os cimentos, quando bem estocados, têm validade máxima de três meses

 Em contato com a água, o cimento empedra. Por isso, é importante deixá-lo longe da umidade e de intempéries, quando guardado

 Nunca empilhar os cimentos em mais de dez sacos, para evitar a compactação das primeiras embalagens



Reserva de resistência






Pesquisador do Agrupamento de
Materiais de Construção Civil do IPT










Qual as características do cimento produzido hoje?

O cimento está com pouca reserva de resistência. Mede-se a resistência do concreto aos 28 dias, mas ela geralmente continua crescendo, porque os grãos de cimento ainda não se hidrataram completamente, em 90 dias está maior e assim por diante. Hoje, os concretos têm pouca reserva por causa do cimento.

O que faz a resistência crescer é o fechamento dos poros. Isso faz com que ele fique mais durável, porque entram menos agentes agressivos. Uma das causas da mudança dos novos cimentos é a adição do fíler calcário, que resulta em uma porosidade maior nas idades avançadas. Usa-se a resistência do concreto no começo, mas é preciso pensar na durabilidade também. Não importa só a resistência mecânica para o prédio não cair. Tem de ter também resistência à penetração de agentes agressivos.

E por que o cimento mudou?

Há razões técnicas, como a variedade para cada tipo de utilização, entre eles, os cimentos resistentes a sulfatos, para obras de esgoto, e os de alta resistência inicial, para desenforma rápida. Mas houve casos em que a vontade de fazer cimentos economicamente mais viáveis foi muito decisiva. Essa influência dos fabricantes pode até ser normal na evolução das normas técnicas, porém há limites. O que vemos é que o cimento passou a ser mais proveitoso para alguns fabricantes, mas seu preço não baixou para o consumidor. Isso favorece o aparecimento de produtos alternativos, que passam a ser mais competitivos do que antes, como a estrutura metálica.

Isso quer dizer que o concreto é menos durável do que há 30, 40 anos?

Pode ser. Existe o risco de em certas obras acabar sendo menos durável, obras que fazem concreto com baixas resistências certamente serão menos duráveis do que as do passado, que utilizaram concreto com a mesma resistência mecânica aos 28 dias. A gente faz ensaios em concretos antigos, de 70, 80 anos, e vê que sua resistência cresceu. Mesmo tendo baixa resistência no começo, porque não se sabia fazer um concreto com alta resistência inicial, ele tinha grande reserva. Hoje em dia, muitos concretos têm uma resistência inicial um pouco maior, não muito maior do que antigamente, mas ela não cresce muito mais, porque se atinge a capacidade do cimento em um prazo relativamente pequeno.

Qual a solução?

É fazer concretos com resistências maiores aos 28 dias. Aí eles vão ter reserva de resistência já nas idades baixas. Esses não deverão ter problema. O problema é quando fazem concreto como os de antigamente, com resistências baixas aos 28 dias. Como os cimentos são outros, não são como os de antes, os concretos ficam menos protegidos contra a penetração de agentes agressivos.


Debate

Nos grandes centros as construtoras não compram mais cimento e sim concreto. Ter conhecimento sobre cimentos é uma atribuição exclusiva das concreteiras e dos técnicos? As construtoras não precisam se preocupar com isso?

Arnaldo Battagin - Todo mundo tem que ser polivalente. O construtor precisa saber o que ele está consumindo. Embora esteja comprando concreto, o cimento é o insumo mais importante. Se o concreto tiver mais ou menos cimento, as características serão diferentes e alguns cimentos têm propriedades especiais. É preciso conhecer algumas noções básicas.

E os construtores têm esse conhecimento? Eles sabem o que compram?

Maurício Bianchi - Eu tenho a impressão de que não. Há algum tempo, eu fazia o concreto, eu sabia fazer concreto. Eu controlava a quantidade de cimento e produzia um concreto que, até hoje, não tem patologias. O concreto que nós compramos nos últimos dez anos vai ter mais patologias. Não chegou ainda a hora, mas vai chegar. Nós não sabemos quantos quilos de cimento foram utilizados por metro cúbico, a quantidade de aditivo, não sabemos a composição. A ABCP e outras entidades deveriam voltar a ensinar aos construtores o que é concreto, o que tem naquela composição. Por exemplo, muitos não sabem o que é escória e por que está sendo adicionada ao cimento e por que os preços mudaram.

AB - Já tentamos mudar esse nome em português porque soa pejorativo. Mas a escória já era utilizada no cimento desde 1900 na construção do metrô de Paris. Não é uma novidade no mundo nem no Brasil. É um componente que reduz energia de fabricação de cimento, acaba com resíduo industrial e que melhora algumas propriedades do cimento. As características não foram alteradas, porque esse cimento é produzido desde 1952 do mesmo jeito.

Acontece que algumas concreteiras, por própria conta, começaram a usar escória de má qualidade e adicionadas ao cimento que já tinha escória. Se o teor final de escória no cimento for de 80%, a resistência inicial fica comprometida, apesar do ganho de durabilidade. Não se adiciona escória em cimento que já tem escória, está errado. Daí dizer que as adições aumentaram exageradamente é mentira. Os cimentos conservam o mesmo teor. A grande mudança foi outra. Em 1990 cerca de 80% do cimento consumido era CPI. Hoje, apenas 1% do cimento vendido é dessa classe.

Como o consumidor pode se prevenir para saber se o cimento que está comprando é de boa qualidade?

Anor Filipi - O ideal é que cada construtora ou usuário final, no caso do concreto, peça as informações à concreteira, pergunte sobre a formulação daquela massa, inclusive sobre o cimento e as proporções utilizadas. Nós temos essas informações. O consumidor deve saber quais aditivos são compatíveis com quais cimentos, enfim, tudo que transforma e dá características ao produto final, que é o concreto. Essa fase precisa ser esclarecida. O consumidor deveria receber junto com o concreto um laudo com todas as especificações.

Há hoje sem dúvida uma variedade maior de cimentos no mercado. O consumidor já se acostumou com isso? Ele sabe escolher?

Ercio Thomaz - A geração que está em atividade hoje aprendeu lá atrás a trabalhar com cimento Portland comum, o chamado CPI, que é artigo de luxo hoje. Tudo que essa geração aprendeu sobre assentamento, revestimento, enfim, sobre argamassas e concreto era com CPI. O consumidor, o engenheiro desconhecem as propriedades desses novos produtos. O Arnaldo aponta uma série de vantagens da escória, que de fato existem, mas eu poderia apontar também um monte de desvantagens. Essas desvantagens é que não são informadas corretamente quando é necessário.

No manual de cimentos fornecido pela ABCP está escrito que o CP IV dá mais problemas de retração e que o CP III não é recomendável para chapisco? Se não tem essas informações, é uma falha. Uma vez fui a uma obra cuja fachada estava toda esbranquiçada e o chapisco saía na mão. Perguntei que cimento tinha sido usado e em vez de me responderem qual era o tipo, citaram a marca. Ninguém sabia que era um CP III e que não deveria ser usado daquele jeito. Para ativar a escória precisa ter umidade, ter hidratação e não se pode aplicar chapisco de 5 mm em uma fachada insolada e muito ventilada. Ninguém explicou ao engenheiro que o cimento que ele estava usando não era mais aquele que ele tinha aprendido a usar. É uma questão de informação e que pode gerar graves conseqüências.

Mas o cimento mudou ou não?

Luis Otávio Cruz - Não mudou. A norma está aí há pelo menos dez anos e diz quais as composições e classes de cimento. É uma informação aberta. O que me espanta é a defasagem das pessoas e falta de atualização. Se algum segmento prefere usar CP III, CP IV ou CP V é por questões regionais. Eu fico espantado é que nesses últimos dez anos foram consumidos 400 milhões de t e tem gente que não sabe o que está usando. Ora, todas as informações estão aí.

ET - Eu discordo, o cimento mudou e nós não fomos informados. O cimento que estava sendo fornecido às concreteiras era o CP II e com ele se fazia o concreto para as obras. Não sei por qual motivo de mercado, as concreteiras passaram a receber CP III e virar concreto com essa classe de cimento. Eu fui a uma obra que tinha fissuras de parede com 2 mm de abertura. Por que não nos avisaram para tomar mais cuidado com a cura? Que parceria é essa?

LOC - É preciso fazer uma distinção aqui entre cimento e concreto. Nós não temos controle sobre o concreto.

ET - As fábricas de cimento são donas de quantas concreteiras? No mercado o que se diz é que ou são sócias ou são acionárias. Não consigo fazer essa distinção. Tem concreteira que chegou a dizer que a fábrica mudou o cimento sem avisá-la. É verdade ou mentira?*

AF - Só 30% ou 40% do concreto é produzido por empresas ligadas às cimenteiras. Ainda é muito pouco. Isso não é uma desculpa nem uma acusação contra outras concreteiras. A indústria cimenteira não seria leviana de mudar o cimento dessa forma sem avisar seus clientes. O que acontece é que o CP III já estava no mercado, mas nem todos usavam. Por uma série de razões que são comerciais mas também técnicas, queríamos estimular o uso do CP III e passamos a produzi-lo mais. Conversamos com os clientes, levamos amostras para que houvesse tempo para refazerem e se acostumarem com os novos traços. A comunicação talvez não foi suficiente.

ET - Ouvi dizer que algumas indústrias compravam CP V de grande qualidade e arrumavam lugar para comprar escória. Depois moíam, misturavam ao cimento, ensacavam e vendiam. Para evitar esse tipo de problema, os preços do CP I e do CP V não deveriam ser diferentes dos preços do CP II, CP III e CP IV, que poderiam custar um pouco menos?

AF - A diferença de preço existe, mas assim como os construtores, nós também temos problemas. Há mais de dez casos registrados em diferentes regiões do Brasil de gente que faz isso. Compram cimento no mercado e adicionam escória. A 500 m de uma de nossas fábricas havia uma empresa que adicionava calcário ao cimento. Nós aumentamos o controle sobre esse cimento puro. Só fornecemos diretamente às concreteiras para demandas de obras específicas e para pré-fabricados. Esse cimento não vai mais para a revenda.


Certas combinações de aditivos e cimentos podem comprometer a qualidade do concreto? O consumidor não deveria ser informado?

AB - Os fabricantes de aditivos, assim como os de cimento, têm o máximo interesse de que seus produtos tenham o melhor desempenho. Um acelerador de pega, por exemplo, junto com um determinado cimento em determinada dosagem, pode funcionar bem, mas uma superdosagem pode ter um efeito contrário. Os aditivos normalmente funcionam no núcleo do cimento, o clínquer. Para cada cimento e cada aditivo existe um teor ótimo. Os ensaios mostram as melhores dosagens.

* O concreto dosado em central será tema da edição de janeiro. Esse e outros assuntos serão debatidos com fornecedores de concreto, a Abesc (Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Concretagem), construtoras e especialistas.


Produtos

Foto 1 - CP II E 32
O cimento da Lafarge tem escória como adição principal e resistência final elevada. Pode ser usado em diversas aplicações durante todas as etapas da construção, como em concretos estruturais e convencionais, argamassas, concreto para pisos e pavimentos e fabricação de fibrocimento. Disponível em embalagens de 50 kg e a granel.
MO 54301
DeR$ 16,00 a R$ 17,00 por saco de 50 kg posto obra

Foto 2 - CPB 40
O cimento da Camargo Corrêa possui grande índice de brancura, o que proporciona maior fidelidade às cores quando pigmentado. Por isso, é indicado para criação em pisos, concretos arquitetônicos e argamassas. Para uso geral, tem forte apelo estético.
MO 54300
Preço de R$ 15,63 por saco posto obra

Foto 3 - CP V-ARI-RS
Lançado no final de 1998, o cimento Ari (de alta resistência inicial resistente a sulfatos) responde, atualmente, por cerca de 40% das vendas da Itambé. Desenvolve resistências elevadas nas primeiras idades e oferece resistência a ambientes agressivos, comuns em áreas com poluição atmosférica.
MO 54302
Preço não informado

Foto 4 - CP II Z 32 RS
O cimento CP II Z 32 RS, da Nassau, oferece aos concretos e argamassas resistência aos meios agressivos como redes de esgotos, água do mar
e poluição salina ou maresia. Com baixo teor de aluminato tricálcico, interfere positivamente na reação álcalis-agregados e garante maior resistência na obra.
MO 54303
Preço de R$ 18,10 por saco
de 50 kg (RN, CE e PB)

Foto 5 - Colorido
A Votorantim lançou o cimento CP V - ARI RS na cor canela. Fabricado no Paraná, o produto é voltado para consumo industrial, principalmente para fabricantes de peças de concreto colorido, como blocos, pavimentos intertravados e pré-moldados.
MO 54298
Preço de R$ 335,00 por tonelada posto fábrica
Preço de R$ 19,70 por saco de 50 kg posto obra em São Paulo

Foto 6 - CP IV 32
A Cimpor fornece o CP IV para a região Sul. O produto é especialmente indicado para obras expostas à ação de água corrente e ambientes agressivos. Encontrado em embalagens de 50 kg.
MO 54297
Preço de R$ 17,23 posto obra em Porto Alegre

Foto 8 - CP II F 32 - Ciplan
A Ciplan produz cimento composto com fíler em embalagens de 50 e 42,50 kg. Para o Centro-Oeste fornece, também, a granel. O cimento possui resistência e baixo desvio-padrão (< 1,2 MPa)
MO 54299
Preço de R$ 15,53 por saco posto obra no Distrito Federal e, em Goiânia, R$ 15,58

Fabricante

Alagoas

 Cimpor do Brasil - (82) 271-9600
 Votorantim (Aratu e Poty) - (82) 359-2000

Amazonas
 Itautinga - (92) 615-1060

Bahia
 Cimpor do Brasil - (74) 541-8000
 Votorantim (Aratu e Poty) - (71) 521-3377

Ceará

 Ibacip - (88) 532-1030
 Votorantim (Aratu e Poty) - (85) 433-1350

Distrito Federal

 Ciplan - (61) 487-9000
 Votorantim (Itaú, Tocantins e Votoran)- (61) 487-9500

Espírito Santo
 Itabira - (27) 522-5833
 Holcim (Paraiso e Ciminas) - (27) 3328-3900

Goiás
 Cimpor do Brasil - (62) 281-2066
 Votorantim (Itaú, Tocantins e Votoran) - (62) 586-2575

Maranhão

 Itapicuru - (98) 661-1152
 Votorantim (Aratu e Poty) - (98) 245-2464

Mato Grosso
 Votorantim (Itaú,Tocantins e Votoran)- (65) 319-2200

Mato Grosso do Sul
 Votorantim (Itaú,Tocantins e Votoran)- (67) 234-2200

Minas Gerais

 Tupi - (32) 3339-4600
 Cimentos Liz - (31) 3629-2144
 Holcim (Barroso e Ciminas) - (31) 3282-5000
 Lafarge (Campeão, Montes Claros e Ponte Alta)- (31) 3712-2667
 Votorantim (Itaú, Tocantins e Votoran)- (31) 3629-3500

Pará
 Cibrasa - (91) 821-1135
 Votorantim (Aratu e Poty)-(91) 245-4294

Paraíba

 Cimpor do Brasil (Zebú)- (83) 241-1299
 Votorantim (Aratu e Poty)- (83) 233-1011

Paraná

 Itambé - (41) 317-1144
 Itambé - (43) 3325-6419
 Votorantim (Votoran)- 0800-7019896

Pernambuco

 Cimento Nassau - 0800-7019900
 Itapessoca - (81) 543-1066
 Votorantim (Aratu e Poty)- (81) 3436-3612

Piauí

 Itapissuma - (86) 454-1221
 Votorantim (Aratu e Poty) - (86) 233-7010

Rio de Janeiro

 Cp - (21) 2559-6300
 Tupi - (24) 3348-1042
 Cimentos Liz - (21) 2696-2222
 Holcim (Alvorada)- (21) 3369-4900
 Lafarge (Mauá) - (24) 2555-0438
 Votorantim (Votoran) -(21) 2481-9400

Rio Grande do Norte

 Itapetinga - (84) 321-1122
 Votorantim (Aratu e Poty)- (84) 272-5225

Rio Grande do Sul

 Itambé - (51) 3268-4743
 Cimpor do Brasil (Cimbage) - (51) 479-1222
 Votorantim (Votoran) - 0800-7019896

Roraima
 Votorantim (Itaú, Tocantins e Votoran)- (69) 9982-8123

Santa Catarina

 Itambé - (48) 224-1911
 Votorantim (Votoran) - 0800-7019896

São Paulo

 Cauê - 0800-7039003
 Tupi - (11) 4794-5800
 Cimpor do Brasil (Bonfim) - 0800-7011071
 Cimentos Liz - 0800-7079119
 Holcim (Barroso e Ciminas) - (11) 3897-0325
 Lafarge - (12) 3947-7010
 Votorantim (Votoran) - (11) 3832-5930

Sergipe

 Itaguassu - (79) 280-1201
 Votorantim (Aratu e Poty) - (79) 280-1106


Construção Mercado 28 - novembro de 2003