Aditivos e adições | Construção Mercado

Debates Técnicos

Aditivos e adições

Desempenho aditivado

Edição 62 - Setembro/2006
Aditivos e adições

Traços especiais retardam ou aceleram a pega, aumentam slump e "personalizam" o concreto
Desempenho aditivado


Os aditivos para concreto foram introduzidos no País na década de 1970 sob a desconfiança do mercado. Eram produtos que exigiam cuidados especiais e que deviam ser utilizados em casos muito específicos. Hoje, quase quatro décadas depois, eles ganharam o mercado. Os aditivos são praticamente o quarto elemento do concreto, depois da água, cimento e agregados, e já viraram item comum nas concreteiras.

A confiança do mercado não veio por acaso. Foi, na verdade, conseqüência de um aprimoramento gradual da tecnologia de aditivos promovido pelos fabricantes. "Do ponto de vista da capacidade de produzir e dosar concretos adequados com os aditivos, o Brasil acompanha os avanços dos países mais desenvolvidos", garante Carlos Eduardo de Siqueira Tango, consultor independente e doutor em engenharia da construção civil.

Além de aprimorar a tecnologia, os fornecedores detectaram a necessidade de fornecer informações adequadas ao mercado sobre como trabalhar com os aditivos e, assim, combater a desconfiança dos engenheiros. Um amplo trabalho de divulgação foi realizado, inicialmente junto aos calculistas e, a partir da década de 80, com as concreteiras. Hoje, todos os fornecedores de aditivos prestam algum tipo de suporte técnico ao mercado para auxiliar na utilização do produto.



Versatilidade

Por definição, o objetivo dos aditivos é alterar determinadas propriedades do concreto. Para tal, eles são adicionados em pequenas quantidades à massa de cimento (geralmente constituem até 5% desta). Os aditivos alteram, por exemplo, a consistência e o tempo de pega do concreto. Na prática, podem possibilitar concretagens e desenformas mais rápidas.

O mercado, no entanto, tem utilizado os aditivos para outros fins. O objetivo principal de alterar propriedades tem sido relegado a segundo plano para dar lugar a uma outra tarefa: reduzir custos de produção do concreto. Essa situação não é vista com bons olhos pelos fabricantes. "A redução de preço pode ser uma conseqüência, mas não é o primeiro objetivo. O objetivo principal do aditivo é proporcionar ao concreto propriedades que, sem ele, não seriam possíveis de se alcançar", alerta Jaques Pinto, diretor técnico-comercial da MC Bauchemie Brasil.

Com o avanço tecnológico dos produtos, as patologias dos aditivos concentram-se na etapa de preparação do concreto. Segundo Carlos Tango, dentre os principais problemas ocorridos destacam-se os erros de dosagem e deficiência de homogeneidade do aditivo (por mau-uso) ou da mistura do produto no concreto. "Vez ou outra aparecem ainda manifestações patológicas de corrosão das armaduras, ocasionadas pelo emprego de aditivos contendo cloretos, hoje evitados pelos fabricantes", afirma Tango.

Em relação a erros de dosagem, uma ocorrência comum é a superdosagem de alguns tipos de aditivos plastificantes, superplastificantes ou retardadores de pega que resultam em um concreto com resistência inicial obtida somente depois de vários dias de cura. "Em alguns casos, a desenforma do concreto pode não ser possível ou só acontecer após vários dias, o que pode alterar as propriedades do concreto endurecido", explica Luiz Hamassaki, pesquisador do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo).

Outro erro comum ocorrido no manuseio dos aditivos são as falhas de adensamento. Hamassaki explica: "A não observância de se adicionar a maioria dos aditivos superplastificantes no momento de aplicação do concreto em obra e misturá-los por cerca de dez minutos podem provocar deficiência de adensamento e, em conseqüência, falhas de concretagem".

Adições

As diferenças entre aditivos e adições minerais são bastante sutis. Tanto é verdade que em países como Estados Unidos não há esse tipo de distinção. No Brasil, são consideradas adições escórias de alto-forno, pozolanas e fíleres calcários, entre outros minerais. Eles são geralmente acrescentados ao cimento em grandes quantidades, diferentemente dos aditivos. São as próprias cimenteiras que fazem essas adições em fábrica, um procedimento permitido por norma.

Assim como os aditivos, a função das adições também é aprimorar o desempenho do concreto, além de permitir redução de custos de produção. As escórias de alto-forno, por exemplo, subprodutos da fabricação do ferro-gusa, atuam como um aglomerante hidráulico; já as pozolanas, material de elevada finura, melhoram a resistência e fluidez do concreto.


Check-list

Consultar as normas referentes à especificação e ensaios de aditivos (NBR 11768 e NBR 12317). Para concretos preparados em obras:

  • Contratar empresa ou profissional que tenha capacidade de desenvolver dosagens de concreto com utilização de aditivos
  • Adquirir o aditivo compatível com as necessidades
    da obra
  • Exigir do fornecedor todas as informações correspondentes ao lote (data de fabricação, validade, características físico-químicas, como armazenar, etc.)
  • O consumidor não deve receber aditivos em embalagens com avarias que possam comprometer a qualidade do produto
  • Verificar a compatibilidade do cimento com o aditivo

  • Após seis meses de estocagem os aditivos devem ser reensaiados
  • O fabricante deve fornecer as dosagens máximas e mínimas de utilização dos aditivos.
  • Não utilizar o aditivo fora da faixa especificada pelo fabricante
  • Realizar ensaios de desempenho dos aditivos. Para a aquisição de concretos aditivados adquiridos de empresas de serviços de concretagens (concreteiras)
  • Solicitar da concreteira o tipo e quantidade de aditivo que está sendo utilizado, quando for o caso
  • Se for um aditivo com características de alterar o tempo de pega do concreto, solicitar informação sobre o tempo máximo que o concreto pode
    ser manuseado


    NORMAS TÉCNICAS

    NBR 12317 - Verificação de desempenho de aditivos para concreto
    NBR 11768 - Aditivos para concreto de cimento Portland
    NBR 10908 - Aditivos para argamassa e concretos - Ensaios de uniformidade


    Classificação

    Os aditivos são classificados pela sua função principal, embora devam ser mencionadas também suas funções secundárias. A ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), por meio da NBR-11768, estabelece a classificação a seguir para os aditivos.

    Plastificante (tipo P): Aumenta o índice de consistência do concreto, mantida a quantidade de água de amassamento, ou que possibilita a redução de, no mínimo, 6% da quantidade de água de amassamento para produzir um concreto com determinada resistência
    Retardador (tipo R): Aumenta os tempos de início e fim de pega do concreto
    Acelerador (tipo A): Diminui os tempos de início e fim de pega do concreto e acelera o desenvolvimento das suas resistências iniciais
    Plastificante retardador (tipo PR): Combina os efeitos dos aditivos plastificantes e retardadores
    Plastificante acelerador (tipo PA): Combina os efeitos dos aditivos plastificantes e aceleradores
    Incorporador de ar (tipo IAR): Incorpora pequenas bolhas de ar ao concreto
    Superplastificante (tipo SP): Aumenta o índice de consistência do concreto, mantida a quantidade de água de amassamento, ou possibilita a redução de, no mínimo, 12% da quantidade de água de amassamento para produzir um concreto com determinada consistência
    Superplastificante retardador (tipo SPR): Combina os efeitos dos aditivos superplastificante e retardador
    Superplastificante acelerador (tipo SPA): Combina os efeitos dos aditivos superplastificante e acelerador


    ENTREVISTA - Arcindo Agustin Vaquero y Mayor

    Controle de qualidade



    "As normas em revisão permitirão o aprimoramento dos aditivos"



    As concreteiras realizam algum tipo de ensaio para controlar a qualidade no recebimento dos aditivos?
    As empresas associadas à Abesc (Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Concretagem) controlam todos os materiais componentes do concreto, incluindo os aditivos.

    No campo do controle tecnológico, já existem ensaios no Brasil adequados para aferir o desempenho dos aditivos?
    Essa é uma atividade fundamental para a obtenção de concretos de qualidade e durabilidade. As normas brasileiras que tratam do tema são a NBR 12317 e a NBR 11768, entre outras. Alguns ensaios são, por exemplo, redução do uso de água, tempo de pega, quantidade de ar incorporado, determinação do PH do teor de sólidos e o teor de cloretos. A Abesc tem trabalhado no CB 18 da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) na atualização constante das normas em geral. Algumas delas estão sendo revisadas, tais como a Norma Mercosul NM 34/94 - Aditivos para argamassa e concreto, que trata de ensaios de uniformidade dos aditivos. Essas revisões que estamos efetuando, na qual alguns dos fabricantes de aditivos participam, darão aos tecnologistas melhores condições de aprimorar não só os aditivos como também os concretos atuais.

    Em termos de tecnologia, os senhores consideram os aditivos vendidos no Brasil tão avançados quanto nos países mais desenvolvidos?
    Os fabricantes de aditivos, em conjunto com o associados da Abesc, têm gastado muitos recursos em Pesquisa & Desenvolvimento para obter concretos de melhor desempenho em um mercado cada vez mais exigente. Muitos dos fabricantes no Brasil são empresas com atuação global e que incorporam na sua linha aditivos de última geração.

    Arcindo Agustin Vaquero y Mayor, consultor técnico da Abesc (Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Concretagem)


    Mesa-redonda



    Hoje os aditivos já são bem aceitos no mercado?

    Anthero Rodrigues
    - Até os anos 70 havia uma desconfiança muito grande em relação aos aditivos. Eles eram taxados como um elemento perigoso para o concreto; só eram usados em último caso. Na época, coube a nós, fabricantes, desenvolver um trabalho específico para combater essa idéia que existia principalmente entre os calculistas.

    Então existe um trabalho de divulgação junto aos calculistas?

    Rodrigues
    - Sim. Mas isso era realizado em maior escala nos anos 1970. A partir de 1980 houve uma modificação muito grande nesse trabalho, que passou a ser direcionado para as concreteiras.

    Por que havia desconfiança em relação aos aditivos na década de 1970?

    José Jordão
    - No início ainda não se tinha domínio total do comportamento dos aditivos e de como eles deveriam ser dosados. Então aconteceram alguns problemas, geralmente de superdosagem. Isso fez com que se tivesse um medo crescente do aditivo. Tudo que é novo acaba assustando.

    Os aditivos, na verdade, entraram no mercado por meio das grandes obras de infra-estrutura, correto?

    Rodrigues
    - Exatamente. Foi no final da década de 70, em grandes obras, principalmente nas obras de usinas hidrelétricas. No caso dessas obras, havia um conhecimento maior, porque se trazia consultoria de fora e era realizado um acompanhamento extremamente rigoroso.

    Jordão - Um grande volume de concreto aditivado também foi utilizado na construção de Brasília. Foi usado, no concreto, muito cloreto, que é um acelerador de pega.

    Em geral, os calculistas conhecem bem esses produtos? Como é o procedimento de compra?

    Claudio Oliveira Silva
    - Geralmente o calculista passa quais são as características que ele precisa do concreto, sem a necessidade de especificar como se vai chegar a tal desempenho. Esse papel de detalhar é do tecnologista de concreto, e não do projetista da estrutura.

    É necessário fazer ensaios antes da utilização do concreto aditivado para identificar se ele atende às solicitações?

    Jordão
    - Toda obra com um mínimo de responsabilidade tem que estar embasada em um teste preliminar. Até mesmo porque cada fabricante pode fazer um concreto de 70 MPa, por exemplo, de várias maneiras.

    Belohuby - A idéia é sempre dosar esse concreto da forma mais econômica possível e, claro, que atenda a todas as necessidades do cliente.


    O mercado consumidor em geral tem bons conhecimentos sobre o produto?

    Jacques Pinto
    - A maior dificuldade que enfrentamos é a falta de conhecimento do mercado. O cliente não conhece o aditivo - até mesmo as concreteiras têm certas limitações. No mercado de pré-moldados, por exemplo, posso garantir que existe muita indústria que não usa aditivo por desconhecimento. Todos os problemas que vêm do concreto acabam sendo atribuídos ao aditivo.

    Quais os principais critérios necessários para a especificação do aditivo?

    Rodrigo Lamarca
    - Antes de tudo, é preciso especificar bem quais são as características que se quer do concreto, definindo abatimento, consistência, definir se precisa acelerar a resistência inicial entre outros pontos. A partir da especificação já é possível filtrar grande parte dos aditivos necessários. Depois é questão de refinar a escolha com testes em amostras.

    Silva - A maneira de fazer a escolha é com ensaios de desempenho. Digamos que a concreteira tenha que produzir um determinado concreto para ser bombeado. Para escolher entre dois ou três aditivos, é preciso decidir a partir de características que possam ser avaliadas em laboratório. É preciso fazer essa escolha atentando para o desempenho, e não só para o preço.

    Jacques - Mas isso, na verdade, é o ajuste fino. Existe, antes disso, um desempenho mínimo exigido pela norma para cada material. O problema é que a norma existe, mas não é praticada. Qualquer fabricante hoje, seja ele qual for, começa a fabricar sem precisar de nenhum certificado de atendimento à norma.

    Com tanta variedade no mercado, não há risco de haver incompatibilidade entre os aditivos?

    Juan Fernando Matías
    - Isso raramente acontece porque em 90% dos casos o normal é se trabalhar com um, dois ou, no máximo, três aditivos. É claro que quando se aumenta o número de aditivos, aumentam as chances de acontecer algum mal.

    Lamarca - O fabricante sempre indica quais são os produtos compatíveis com o aditivo, além de passar todas as informações técnicas do produto.

    Quais as principais causas de patologias ocasionadas por erro de especificação ou dosagem?

    Manfredo Belohuby
    - Acho que superdosagem, se não for o principal, é um dos maiores problemas da utilização de aditivos.

    Jacques - É importante salientar que o cuidado com a dosagem do aditivo não é algo fora do normal. Ela precisa de cuidado assim como a dosagem de água, agregados e cimento. Digo isso para não pensarem que o aditivo é algo perigoso, que necessita de cuidado imenso. Não é nada disso. O aditivo é um elemento que modifica as características do concreto tanto quanto a água, os agregados, o cimento etc.

    Lamarca - O aditivo é um constituinte do concreto e, como todos os outros, tem que ter os seus parâmetros de controle.

    Belohuby - A grande diferença é que o aditivo, entre todos os componentes, é o que é colocado em menor proporção no concreto. Isso dificulta que se identifique o erro de dosagem.

    O aditivo, além de modificar o concreto, tem sido muito utilizado para redução de custos. O que os senhores acham disso?

    Jacques
    - O objetivo principal do aditivo não é reduzir custo; é proporcionar ao concreto propriedades que, sem ele, não seriam possíveis de se alcançar. A redução de preço pode ser uma conseqüência, mas não é esse o primeiro objetivo.

    Mas, por exemplo, a partir do momento em que se utiliza um acelerador de pega no concreto para conseguir uma desenforma mais rápida, isso gera redução de custo...

    Jacques
    - Neste caso foi uma conseqüência.

    Matías - Em uma obra, o aditivo na maioria das vezes é utilizado para reduzir custos da obra se pensarmos que custo não significa simplesmente reduzir quilos de cimento no concreto. Redução de custo pode ser terminar a obra dois meses antes.


    Um comentário que se ouve muito no mercado é o de que o aditivo veio para compensar a má qualidade do cimento produzido atualmente. O que os senhores acham disso?

    Silva
    - Esse comentário não procede. Dentro da cesta de materiais do PBQP-H, o cimento é o que apresenta o maior índice de conformidade (99,02%), e o parque industrial brasileiro é um dos mais modernos do mundo. Em relação aos aditivos, a função desses materiais é proporcionar aplicações diferenciadas do concreto, como é o caso de concretos auto-adensáveis, de alta resistência mecânica (CAD), projetados, entre outros. Se comparado com o que era produzido no passado, o cimento Portland hoje apresenta melhores características químicas e físico-mecânicas, o que, juntamente com a evolução dos aditivos, acabou proporcionando concretos de menor qualidade do ponto de vista da durabilidade.

    Como assim?

    Silva
    - Hoje é possível elaborar concretos com resistência mecânica suficiente, mas com relação água-cimento elevada. Felizmente isso já está mudando com a incorporação do conceito de durabilidade nas normas. O importante é frisar que com os cimentos brasileiros e a tecnologia de aditivos disponível no mercado, é possível produzir concretos com qualidade e desempenho, como em qualquer outro lugar do mundo.

    O que existe de novidade nesse segmento que ainda não chegou ao Brasil?

    Jordão
    - O que nós temos de tecnologia de aditivo hoje no Brasil não fica devendo a nenhum país do mundo.

    Silva - Em termos de produto, de fato o Brasil não está devendo nada para qualquer outro país. No entanto, em relação aos ensaios de concreto, não temos testes que permitam mostrar a diferença de desempenho dos aditivos. Acho que esse é o grande ponto em que estamos defasados em comparação aos Estados Unidos.

    O que as construtoras precisam saber sobre aditivo?

    Jordão
    - Como já recebem o concreto pronto, elas não precisam se preocupar com o aditivo.

    Belohuby - Na verdade, o importante é que o construtor saiba como comprar o concreto.

    Silva - As construtoras não podem comprar o concreto só por propriedades mecânicas. Elas precisam pedir outras propriedades e saber avaliar o concreto. Porque se for analisar o material apenas pelo custo inicial, a diferença de um concreto auto-adensável, por exemplo, será maior. Só que, por outro lado, ele reduz patologias de adensamento, reduz mão-de-obra, reduz tempo de execução. Tudo isso precisa
    ser considerado.

    Quer dizer que com os ensaios que existem atualmente no Brasil é difícil avaliar o desempenho dos aditivos?

    Silva
    - Correto. E quando acontece algo de errado, não se sabe o motivo, pois os ensaios existentes não permitem avaliar. Precisamos adquirir tecnologia em estudos desse tipo.

    Vocês consideram adequadas as atuais normas técnicas para aditivos?

    Jacques
    - Elas não são adequadas, mas o maior problema é a questão do cumprimento da norma. De fato a norma não é a mais adequada, mas ela existe e não é praticada. Se fosse, já seria um avanço. Portanto, não adianta melhorar a norma se ela não for cumprida.

    Lamarca - São poucos os projetos que trabalham com especificações em cima do requisito da norma.

    Ricardo Faria - Acho que hoje em dia o consumidor de aditivo não tem nem a noção de que existe a NM34. E os que sabem que ela existe não executam. É uma visão que falta no mercado.

    Silva - A tecnologia de concreto hoje não anda mais sem os aditivos. E hoje há um desconhecimento muito grande sobre eles.


    Os fabricantes de aditivos prestam algum tipo de consultoria aos clientes?

    Lamarca
    - Normalmente nós trabalhamos junto ao cliente de forma a atingir o melhor desempenho possível. Mas a gente não especifica misturas. Nós somos fabricantes. Não temos nem CNPJ para emitir nota de consultoria. Então, o que nos cabe é ajudar o cliente a atingir o melhor desempenho possível com o nosso produto. E isso envolve muita tecnologia não só de aditivos, mas de concreto.

    Para encerrar, quais conselhos vocês dariam ao profissional que for especificar o concreto?

    Matías
    - Eu acho que o mercado precisa se habituar a comprar concreto feito por profissionais que dominam o assunto. E no Brasil temos ótimos profissionais nessa área.

    Silva - De fato, precisamos fomentar no Brasil a utilização do concreto produzido em centrais de concreto, onde a garantia de qualidade é muito maior. E é importante também que a concreteira, que é o consumidor dos aditivos, conheça as características desses produtos. Acho que os próprios fabricantes de aditivos têm que fomentar a utilização do produto deles em concreteiras; porque fora do mercado das concreteiras, as chances de erros são muito maiores.

    Belohuby - Infelizmente a lógica predominante hoje no mercado é "concreto bom é concreto barato", quando deveria ser justamente o contrário, ou seja, "concreto barato é concreto bom". Ou seja, o concreto bom, aquele que atende as normas, as especificações técnicas e as reais necessidades do construtor, envolvendo transporte, lançamento, adensamento, acabamento e durabilidade, será o mais barato no final, pois vai gerar menos custos de reparo e manutenção. Utilizamos bastante esta máxima e trabalhamos muito por isso, pela utilização cada vez mais ampla de concretos de alto desempenho, com uso de aditivos de tecnologia avançada.


    Reportagem de Gustavo Mendes
    Construção Mercado 62 - setembro de 2006