Bloco de gesso sem função estrutural | Construção Mercado

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Bloco de gesso sem função estrutural

Confira as características técnicas desse produto

Edição 70 - Maio/2007
Alternativas tecnológicas

Bloco de gesso sem função estrutural
MATERIAL
PRODUTO
Bloco de gesso para alvenaria sem função estrutural (Bloco de gesso para alvenaria de vedação).

DEFINIÇÃO
De acordo com o projeto de norma 02:103.40-009, de setembro de 2005, define-se o Bloco de gesso como componente pré-fabricado em forma de paralelepípedo, que pode conter ou não vazios cilíndricos internos seguindo uma das direções principais, com duas faces planas e lisas e encaixes macho-e-fêmea em lados opostos segundo seus contornos laterais.

TIPOS
De forma geral, são encontrados no mercado os seguintes tipos de blocos de gesso:
> Bloco tipo S, standard, normalmente de cor branca, para uso geral;
> Bloco tipo H, hidrófugo, normalmente de cor azul, para uso em ambientes sujeitos à ação da umidade de forma intermitente;
> Bloco tipo GRG, reforçado com fibras de vidro, normalmente de cor verde, geralmente empregado em ambientes de uso coletivo;
> Bloco tipo GRGH, hidrófugo e reforçado, normalmente na cor rosa, geralmente empregado em ambientes de uso coletivo e sujeitos à ação da umidade de forma intermitente.
Obs.: Os blocos podem ser maciços ou vazados.




DIMENSÕES(Projeto 02:103.40-010/2005)
As dimensões dos blocos de gesso são apresentadas na tabela 1:

  • Tabela 1 - Características dimensionais


    CARACTERÍSTICAS GERAIS

    Físicas e mecânicas

    As características são apresentadas na tabela 2:

  • Tabela 2 - Características físicas e mecânicas (Projeto 02:103.40-010/2005)


    Aspecto visual
    Os blocos não devem apresentar fissuras, quebras, destacamentos, descoloração ou rebarbas.

    Cola de gesso para união de blocos
    As características são apresentadas na tabela 3:

  • Tabela 3 - Exigências para a cola de gesso (Projeto 02:103.40-012/2005)


    CONSUMO DE MATERIAL
    O consumo de blocos de gesso apresenta os seguintes valores:

    > Consumo considerando-se perda de 5% é de três unidades/m2 para as peças de dimensões de 500 mm de largura e 666 mm de comprimento, independente da forma de assentamento.

    Os blocos de gesso são assentados com gesso-cola com o seguinte consumo:

    Espessura do bloco (mm): 70; 100
    Consumo de gesso-cola (kg/m2): 0,8 - 1,0; 1,2 - 1,5
    Fonte: Sindusgesso fevereiro/2007


    ACEITAÇÃO E REJEIÇÃO
    Ao consumidor devem ser dadas as facilidades para inspeção e amostragem do produto. Os blocos devem atender às características especificadas por ocasião da aquisição. O lote deve ter a quantidade máxima de 600 blocos, de um mesmo produtor, entregues na mesma data e mantidos nas mesmas condições de armazenamento. Os blocos fissurados, quebrados com destacamentos ou rebarbas devem ser substituídos na ocasião do recebimento. Os critérios de amostragem, aceitação e rejeição, conforme interpretação do projeto de norma 02:103.40-010/2005, são apresentados na tabela 4.

  • Tabela 4 - Critérios de amostragem, aceitação e rejeição


    DESEMPENHO
    Alguns dados de desempenho das paredes podem ser observados na tabela 5. Tais dados têm como referência produtos fabricados no exterior, pela Lafarge Platres e Knauf.

  • Tabela 5 - Desempenho de paredes de blocos de gesso - Dados estrangeiros


    A tabela 6 apresenta dados nacionais. Tais dados têm como referência produtos fabricados pela Supergesso.

  • Tabela 6 - Desempenho de blocos de gesso - Dados nacionais



    QUESTÃO AMBIENTAL

    Classificação do resíduo:
    conforme resolução Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) 307, de 05 de julho de 2002, os produtos oriundos do gesso são considerados de Classe C, pois ainda não foram desenvolvidas tecnologias ou aplicações economicamente viáveis que permitam sua reciclagem ou recuperação. Já conforme a NBR 10004 e a NBR 10006, de maio de 2004, o gesso é classificado como sendo de Classe II A, não inerte.
    No que diz respeito à destinação de tais resíduos, devem ser armazenados, transportados e destinados em conformidade com as normas técnicas específicas.

    Segundo o artigo -Reutilização do gesso na indústria da construção civil-, de Almir Santos, Amedeo Salvatore, Edson Luiz Porta e Wilhian Uzal Garcia, Universidade de Guarulhos, São Paulo, 2006, o gesso quando em contato com umidade, em condições anaeróbicas, baixo pH e sob ação de bactérias redutoras de sulfatos, quadro recorrente em muitos aterros sanitários e lixões, pode formar o gás sulfídrico (H2S) que possui odor parecido com o de ovo podre, além de ser tóxico e inflamável, motivos pelos quais o gesso tem sido banido de vários aterros sanitários norte-americanos.

    Ainda de acordo com o referido artigo, o resíduo de gesso pode voltar a ter as características químicas da gipsita, voltando ao seu estado de origem e podendo ser utilizado na produção de gesso, cimento e na correção do pH do solo.

    No que tange os aspectos mercadológicos, há duas fontes geradoras de resíduos de gesso da construção civil, que são as formais e as informais.

    Uma das questões essenciais reside na criação e gestão de programas de coleta seletiva ou segregada dos resíduos, considerando a parceria com empresas de coleta e transporte de resíduos e com ATT-s (Áreas de Triagem e Transbordo). No caso do município de São Paulo, a ATT localizada no bairro do Pari seleciona e separa a gipsita dos demais materiais, consolida as cargas e as destina a um dos consumidores de gipsita.

    A viabilidade do projeto de reciclagem deve considerar:
    > A necessidade dos resíduos estarem sem a presença de madeira, ferro, papel e embalagens;
    > Que os resíduos devem estar secos, sem a presença de umidade elevada;
    > Que a ATT torna-se vantajosa economicamente desde que esteja a até 300 km de distância do centro produtor de resíduo, se comparada com os resíduos provenientes das indústrias cerâmicas e de fertilizantes. No entanto, se for comparada à gipsita natural, originária de Pernambuco, o uso da ATT se mostra mais viável, pois apresenta valor cerca de 40% inferior.


    PREÇOS UNITÁRIOS
    Para fins de comercialização adota-se a unidade.

  • Tabela - Preço(R$)





    Vida útil de projeto

    As alvenarias externas e internas, bem como seus componentes constituintes, devem manter sua funcionabilidade durante toda a vida útil de projeto, desde que sejam respeitadas as condições de uso conforme previsto em projeto e submetidas a manutenções periódicas e conservação especificada pelos respectivos fornecedores.

    No caso de paredes expostas às intempéries, devem ser limitados os deslocamentos, fissurações e falhas, inclusive nos seus revestimentos, como conseqüência da exposição ao calor e resfriamentos periódicos.

    As manutenções preventivas e as de caráter corretivo, que visam não permitir o progresso de pequenas falhas que poderiam resultar em extensas patologias, devem ser realizadas de acordo com o "Manual de Operação, Uso e Manutenção" fornecido pelo incorporador e/ou construtora.

    O Projeto de Norma 02:136.01-001/1, de 10 de novembro de 2006, (Edifícios habitacionais de até cinco pavimentos - Desempenho, Parte 1: Requisitos gerais, Anexo E), indica o valor mínimo de 15 anos para a vida útil de projeto de paredes de vedação.

    Ainda conforme a publicação acima mencionada, as alvenarias de vedação têm prazo de garantia mínimo de 5 anos no que diz respeito à segurança e integridade.




    SERVIÇO
    Alvenaria sem função estrutural com bloco de gesso


    DEFINIÇÃO
    Execução de alvenaria sem função estrutural com bloco de gesso.


    ESPECIFICAÇÃO DOS PRODUTOS
    Blocos, argamassa ou outro material de assentamento.


    DADOS DE PROJETO
    Para atender às necessidades da produção, o projeto de alvenaria deve contemplar:
    > Plantas de locação da primeira e segunda fiadas.
    > Elevação (paginação) das paredes, contendo tijolos inteiros e cortados, singularidades, embutimento de instalações e vãos ou aberturas.
    > Características das juntas entre tijolos.
    > Detalhes típicos das interfaces entre alvenaria e estrutura.
    > Juntas de controle ou de movimentação.
    > Especificação do bloco de gesso, da argamassa ou outro material de assentamento e dos produtos responsáveis pela interface alvenaria x estrutura.


    DIRETRIZES PARA EXECUÇÃO DO SERVIÇO
    As alvenarias devem ser moduladas utilizando o maior número de componentes inteiros, adotando juntas verticais descontínuas (juntas em amarração) e posicionadas a fim de atender, de forma otimizada, os projetos de instalações e arquitetura.

    Antes do início da execução da alvenaria, regularizar a base, de forma a evitar irregularidades dimensionais, em razão principalmente das grandes dimensões dos blocos.

    A modulação dos componentes da alvenaria nas juntas de ligação entre blocos de fiadas distintas e entre paredes são apresentadas nas figuras 1, 2, 3 e 4.



    A união entre componentes de alvenaria e entre elementos de alvenaria e estrutura é feita com o uso de cola de gesso.

    Na união entre alvenaria e esquadria são adotados componentes adicionais que garantem a fixação em pontos discretos, além da utilização de materiais, como o gesso-cola, que completam os espaços dessa ligação. Cuidados são recomendados quanto à proteção de componentes metálicos da esquadria de forma a evitar eventuais problemas de corrosão.

    A cola de gesso flui pelas juntas de assentamento, quando os blocos são assentados e batidos com martelo de borracha. As juntas de assentamentos têm espessura máxima de 2 mm e são contínuas.

    Nas áreas sujeitas à presença de água no piso é recomendada a utilização, na primeira fiada, de blocos tipo H, hidrófugo. Nas áreas sujeitas à presença de água nas paredes é recomendada a utilização, em toda área, de blocos tipo H.

    Nas áreas molháveis e suscetíveis à ascensão capilar de água é recomendada a utilização de produtos impermeabilizantes na base da parede, além de dispositivos do tipo "rodapé", como o exemplo da figura 5.

    É recomendada a análise dos deslocamentos da estrutura e da necessidade do uso de dispositivos que evitem a introdução de tensões nas paredes de vedação, mantendo a alvenaria estável e livre de fissuras, conforme mostrado na figura 06.

    Nas paredes adotar os limites construtivos da tabela 1, que levam em conta a altura da parede e a presença de componentes de estruturação, ou dispositivos estruturadores, ou contraventamentos.

  • Tabela 1 - Limites construtivos




    JUNTAS DE CONTROLE OU MOVIMENTAÇÃO
    Verificar com o projetista ou o fabricante as distâncias máximas entre juntas de controle.


    FORMA DE PRESTAÇÃO DO SERVIÇO (Garantias)
    A forma de prestação do serviço pode variar conforme o tipo de empreendimento (edifícios ou casas).

    A mão-de-obra para execução da alvenaria pode contemplar o transporte horizontal e vertical dos materiais, e a dosagem dos materiais para argamassa, além da alvenaria propriamente dita.

    Na contratação de empresas especializadas pode ser exigida a ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) para os serviços executados, incluindo o fornecimento de materiais.

    Pode ser feita retenção, em geral, de 5% do valor da mão-de-obra de cada medição, a ser paga posteriormente, normalmente entre 60 e 90 dias após a conclusão de todos os serviços contratados. O valor poderá ser usado para eventuais correções de falhas verificadas ou até mesmo para alguma despesa administrativa não paga e de responsabilidade do empreiteiro, como impostos, encargos sociais e possíveis causas trabalhistas.

    É importante que a construtora aplique a sua metodologia de controle na aceitação dos serviços antes de efetuar a liberação do pagamento, sendo que muitas construtoras já dispõem de fichas de verificação de serviços incluindo os itens a serem conferidos, parâmetros de controle e tolerâncias, como:
    > Desvios ou tolerâncias para marcação, prumo, nível e alinhamento;
    > Desvios de espessura incluindo revestimento;
    > Acabamento de juntas;
    > Verificação do preenchimento das juntas entre blocos;
    > Verificação dimensional do posicionamento de singularidades como tomadas, interruptores, papeleiras etc.


    FORMA DE PAGAMENTO
    Em geral, os pagamentos ou medições são feitos considerando-se a quantidade de serviço concluído por área de alvenaria. Dependendo do caso, a medição pode ser feita considerando a área de alvenaria executada no andar ou no meio-andar, em função das dimensões da obra e quantidades de serviço.

    As medições podem ser mensais ou quinzenais, uma no início do mês (em torno do dia 5) e outra no final do mês (em torno do dia 20).

    No caso de empresa que comercializa o pacote de serviço, incluindo fornecimento de materiais e mão-de-obra, a contratação é feita normalmente em regime de preços unitários. O pagamento é feito segundo as quantidades de serviço executado no período, conforme os critérios de medição definidos na contratação.


    PROCEDIMENTOS DE SEGURANÇA
    O livro NR-18 Manual de Aplicação, de abril de 1999, escrito por José Carlos de Arruda Sampaio e publicado pela Editora PINI, caracteriza o trabalho de alvenaria como um serviço de cuidados simples no que diz respeito ao uso de ferramentas.

    O início dos serviços de assentamento dos blocos deve ocorrer após a instalação de proteções em todas as aberturas de pisos, paredes e fachadas, evitando, dessa forma, a queda de pessoas ou materiais.

    Nas bordas das lajes ou nas aberturas de piso faz-se necessária a instalação de proteções coletivas, como guarda-corpos, plataformas etc., e os operários devem utilizar sempre cintos de segurança.

    O uso de EPI's faz-se necessário quando da execução de serviços como:
    > Aplicação de chapisco: utilização de óculos de segurança;
    > Preparo da argamassa e assentamento dos blocos: uso de luvas impermeáveis;
    > Trabalhos em alturas superiores a 2 m: é necessário o uso do cinturão de segurança tipo pára-quedista.

    O armazenamento de materiais deverá ser feito de forma a não obstruir as passagens e acessos.

    O içamento dos blocos poderá ser feito por gruas ou guinchos, no caso de materiais paletizados, ou por meio de elevadores de materiais. Em qualquer situação, a carga máxima suportada pelo equipamento tem de ser respeitada, além de serem tomadas todas as cautelas necessárias para que não haja quedas de materiais.




    Além dos já citados, veja uma relação dos equipamentos de proteção coletiva necessários à execução do serviço:
    > Bandejas primárias e secundárias
    > Cancelas para bloqueio de circulação
    > Tela de proteção para fachadas
    > Telas de proteção do andar


    MANUTENÇÃO
    No uso das paredes em áreas molháveis, o usuário deve ficar atento a vazamentos nas instalações, recomendando-se que sejam reparados de imediato, de forma a evitar a ação prolongada da água sobre o bloco de gesso.

    Cuidados devem ser tomados na execução de reparos, adotando-se ferramentas de corte como brocas tipo copo e discos de corte, evitando-se o emprego de ferramentas contundentes como talhadeiras e ponteiros, que possam danificar a parede. Cuidados também devem ser tomados para não introduzir danos à impermeabilização; caso contrário, devem ser providenciados reparos, para que os blocos não fiquem em contato direto com a água.


    ÁGUA E ENERGIA
    Não é comum a apropriação do consumo de água e energia elétrica. Entretanto, é importante a verificação do perfil de consumo para cada obra ou serviço, do ponto de vista da sustentabilidade da construção.


    CONTROLE DE ACEITAÇÃO DO SERVIÇO

  • Referências e tolerâncias



    CONSTRUÇÃO MERCADO 70 - MAIO 2007