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Mercado aquecido

Sistemas plásticos e metálicos para condução de água quente

Edição 74 - Setembro/2007

Mercado aquecido
A concorrência entre novos sistemas de tubos e conexões para água quente está redesenhando o setor. Nos últimos anos, novos produtos como PEX e PPR começam a conquistar mercado e disputam com o cobre e CPVC.

Por Aline Alves
Construção mercado 74 - setembro 2007

Tubos para água quente
O mercado de tubos e conexões para água quente está em transformação. O cobre não está mais sozinho nesse segmento que dominou durante décadas. Nos últimos cinco anos, novos produtos, em especial materiais plásticos como PEX (Poliestireno Reticulado) e PPR (Polipropileno Copolímero), começaram a conquistar cada vez mais espaço. O futuro e a utilização de cada tecnologia, das mais tradicionais às modernas, começam a ser delineados a partir das experiências do setor.

Para o pesquisador do Laboratório de Instalações Prediais da Divisão de Engenharia Civil do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo), Douglas Barreto, o segmento, independente do tipo de material, deverá se expandir nos próximos anos. "Até os anos 60 as instalações prediais contemplavam as tubulações de água quente e fria, pois tradicionalmente o aquecimento de água era por reservatórios de acumulação (gás e elétrico). Com a expansão da área urbana nos anos 70, a demanda de água quente aumentou e passou-se a aquecer a água no próprio ponto de utilização (aquecedor de passagem ou instantâneo). Isso fez com que se diminuísse a necessidade de tubulações de água quente nas instalações prediais. Atualmente, há uma grande diversidade de modalidades de sistemas de aquecimento. Isso fez com que se ampliasse a utilização das tubulações de água quente nas instalações prediais", diz.

Nesse cenário de aumento da utilização de tubos e conexões para condução de água quente e variedade na oferta de produtos, disputam mercado o cobre, CPVC (Cloreto de Polivinila Clorado), PEX, PPR e multicamada (PEX-Alumínio-PEX), cada um conquistando espaço de acordo com o tipo de projeto e experiência da construtora. "Em geral as construtoras devem ter como referência a qualidade do processo produtivo do sistema de tubulações e conexões, bem como aliar as técnicas de execução à pratica corrente na empresa, de forma que haja uma integração que permita elevar a qualidade final da obra", afirma Barreto.

A construtora BKO acompanhou o movimento do mercado nos últimos anos. "Notamos um grande aumento da utilização do sistema PEX no setor, que ganhou destaque com o seu custo de instalação se tornando mais atraente frente ao aumento do cobre. Ainda mais recentemente aumentou a utilização do sistema PPR (Polipropileno Copolímero), que tem um custo bastante acessível, pois não necessita de isolamento térmico. Além disso, por ter emendas termossoldadas, garante menor risco de manutenção", afirma Marcelo Fioravante, gerente de suprimentos da BKO. Por outro lado, ele pondera que o cobre ainda é bastante utilizado pelas construtoras principalmente pela segurança que muitos projetistas e construtores têm em relação ao material, empregado há décadas.

Luiz Henrique Ceotto, diretor da construtora Tishman Speyer, tem outra opinião: "Como o cobre é um sistema rígido, tem muitas conexões. Quanto maior o número de conexões, maiores os problemas. Além disso, o grande número de conexões resulta em baixa produtividade", afirma.

Líder de reclamações e problemas no pós-ocupação, a manutenção das instalações hidráulicas está mudando. Os projetos já contemplam maior acessibilidade - muitas vezes facilitada com os novos sistemas. "Em relação à facilidade de manutenção, o sistema PEX sai na frente por se tratar de um tubo flexível que caminha por dentro de outro tubo, o que significa que não há emendas e conexões, e há facilidade de troca da tubulação sem necessidade de quebra de revestimentos", diz Fioravante. Em qualquer tipo de sistema, o projeto deve estabelecer locais de acesso para manutenções periódicas e emergenciais, bem como procedimentos de manutenção preventivos. "O que facilita a manutenção é previsão de acesso às instalações", afirma Douglas Barreto.


Cobre, CPVC, PEX e PPR (no sentido horário) concorrem em um mercado antes dominado apenas pelo cobre

Futuro

Ainda é cedo para identificar quais sistemas e materiais serão predominantes nos próximos anos. A entrada desses produtos no mercado brasileiro ainda é recente. Em sua maioria, ainda não têm normas definidas - os comitês já foram formados, mas os trabalhos só devem ser concluídos nos próximos dois anos.

"É de difícil previsão saber quais materiais vão ganhar mercado, mas para atender à demanda por água quente gerada pelo setor da construção civil, os fabricantes de componentes e sistemas de materiais plásticos vêm apresentando soluções que apresentam características técnicas algumas vezes inovadoras e que colaboram com a qualidade final das construções, pois são sistemas que permitem montagens e instalações mais racionalizadas", diz Barreto.

O futuro do cobre, que perde espaço no segmento imobiliário, mas que continua forte nas obras industriais e hospitalares, é de mudanças tecnológicas. "A aplicação do material na construção civil é tradicional e os fabricantes de tubos e conexões estão também acompanhando a evolução tecnológica proporcionada pela introdução de novos materiais", conclui Barreto.



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    Checklist

  • Ao escolher a instaladora, exigir que todos os profissionais sejam treinados e certificados pelos fabricantes dos sistemas e pelas empresas.
  • Exigir atestados e ensaios dos fabricantes para verificar se os materiais atendem às normas.
  • A construtora deve realizar ensaios de recebimento, com pressões e temperaturas superiores às prescritas no produto.
  • É imprescindível garantir acessibilidade ao sistema, utilizando shafts visitáveis.

    Fonte: Luiz Henrique Ceotto, diretor da construtora Tishman Speyer.
    NORMAS TÉCNICAS

    NBR 15345
    - Instalação predial de tubos e conexões de cobre e ligas de cobre - Procedimento
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