Petróleo e gás protegem a Baixada | Construção Mercado

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Petróleo e gás protegem a Baixada

Investimentos da Petrobras na Bacia de Santos e melhoria na infraestrutura da região alavancam os negócios na Baixada Santista e ajudam a diluir os efeitos negativos da crise

Por Juliana Nakamura
Edição 93 - Abril/2009

divulgação: Petrobras
Aporte da Petrobras na Bacia de Santos deve chegar a US$ 25 bilhões até 2013. Plataforma de Mexilhão (foto), já em obras, deverá produzir 15 milhões de m3 de gás diários
O litoral de São Paulo, em especial a Baixada Santista, mantém, no fundo do mar, um seguro contra a crise. A exploração de reservas de petróleo e gás natural na Bacia de Santos, imprescindível para garantir a oferta de energéticos no País em níveis adequados nos próximos anos, exigirá da Petrobras investimentos de US$ 25 bilhões até 2013.

Alguns dados já revelam essa blindagem da região contra crise, como a manutenção dos empregos, constatada pela Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho do Estado de São Paulo. De setembro a dezembro de 2008, a Baixada Santista registrou aumento das contratações de 0,75%. Pode parecer pouco, mas das 15 macroáreas que compõem o Estado, essa foi a única que não registrou queda no número de vagas no período.

Na construção civil, embora alguns efeitos do desaquecimento econômico tenham sido sentidos, como a queda das vendas de imóveis, muitos negócios continuam sendo fechados. "As vendas diminuíram, mas não estão paradas, sobretudo quando se tratam de produtos bem desenvolvidos", afirma Carlos Alberto Campilongo Camargo, vice-presidente do Secovi, atuante principalmente nas cidades de Bertioga e Guarujá. Segundo Camargo, após o período de euforia, o mercado vive um momento de ajuste entre vendas e obras e entre oferta e demanda. "Isso significa que as oportunidades continuarão existindo, ainda mais para as empresas com tradição, qualidade e foco na região", acredita Campilongo.

"Com o anúncio de investimentos no setor petrolífero, muitos profissionais e empresas ligadas a esse setor já demonstram interesse em reservar o local onde instalarão um escritório ou para onde se transferirão daqui a no máximo três anos", comenta Marcelo Lima Bonanata, diretor de vendas da Helbor. Em Santos, a construtora e incorporadora lançou, no final do ano passado, uma torre comercial no bairro de Vila Rica e, em cerca de dois meses, já havia comercializado metade das 506 salas comerciais colocadas à venda. "Atualmente trabalhamos no pré-lançamento de um residencial de alto padrão com Valor Global de Vendas de R$ 29,2 milhões. Também temos outros terrenos já adquiridos e em prospecção para futuros lançamentos residenciais e comerciais", revela Bonanata.

Em Santos, as oportunidades se voltam principalmente para espaços comerciais com boa localização. Flávio Martins, diretor da MM Negócios Imobiliários, explica que isso se deve à pouca oferta disponível, sobretudo de lajes corporativas com amplas metragens. "Seja pelo potencial de construção, seja pelos investimentos da Petrobras, Santos parece ser a bola da vez", afirma Martins. Para ele, nesse momento de readequação, outro segmento que desponta com potencial de crescimento é o econômico para segunda residência, em especial na Praia Grande.

Contribui muito o fato de alguns municípios terem feito a sua lição de casa, investindo em infraestrutura e em planos de requalificação urbana, caso da Praia Grande. A qualidade de vida, por exemplo, deu um salto, com destaque para Santos, que nos últimos anos vem se mantendo entre as cinco cidades com melhor Índice de Desenvolvimento Humano do País, segundo levantamento do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento). "Ao mesmo tempo, registramos um avanço considerável das condições de acesso a esses municípios que deve melhorar ainda mais com a inauguração do Rodoanel, que encurtará as distâncias entre o interior do Estado e o litoral", acrescenta Campilongo, lembrando que tais progressos, para o mercado imobiliário, costumam ser ótimos impulsionadores do segmento de segunda residência.

Logística, saneamento e transporte
Além das plataformas, gasodutos e de toda infraestrutura necessária para exploração de petróleo e gás natural na Bacia de Santos, a Petrobras anunciou a construção da sede de sua Unidade de Negócios no bairro do Valongo, uma área degradada do Centro Histórico santista. Composto por três torres, a primeira delas a ser entregue até o início de 2011, o empreendimento será erguido em um terreno de 25 mil m² adquirido da Prefeitura e poderá abrigar seis mil trabalhadores a partir de 2012.

Paralelamente aos planos da Petrobras, recursos públicos e privados já comprometidos injetam ânimo na economia do litoral paulista. Só na reformulação e ampliação do Porto de Santos, onde algumas obras já começaram, a soma de investimentos derivados do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e de empresas privadas chega a R$ 3,6 bilhões.

Destacam-se, também, grandes projetos de terminais privados, como o da BTP (Brasil Terminais Portuários) e o da Embraport (Grupo Coimex), ambos na margem esquerda do Porto. Esse último, a um custo de US$ 900 milhões, deverá se tornar o maior terminal portuário privado do País, com capacidade para movimentar 1,2 milhão de contêineres e 2 milhões de m3 de etanol por ano. Previsto para entrar em operação no segundo semestre de 2011, terá as obras executadas por um consórcio liderado pela Odebrecht.

Para o vice-presidente executivo do Grupo Coimex, Orlando Machado Junior, o País não pode deixar a crise financeira internacional atravancar novos investimentos em infraestrutura logística e energética, assim como em educação. "Esta é uma oportunidade de encurtar a distância que temos em relação a outras economias mais desenvolvidas e mais afetadas pelos problemas recentes", ressalta Machado Júnior.

Essa visão pauta, ainda, os aportes do Governo do Estado, que mantém o plano de investimentos de R$ 1,47 bilhão, no período 2007-2010, do Programa Onda Limpa. Desenvolvido pela Sabesp para beneficiar cerca de 3,5 milhões de pessoas, entre residentes e visitantes, a iniciativa contempla os quatro municípios do litoral Norte (Caraguatatuba, Ilhabela, São Sebastião e Ubatuba) e toda a região metropolitana da Baixada Santista (Bertioga, Cubatão, Guarujá, Itanhaém, Mongaguá, Peruíbe, Praia Grande, Santos e São Vicente).

Na área de transportes, outra ação do Governo do Estado muito aguardada é a construção do túnel submerso que ligará os municípios de Santos e Guarujá. A construção, que irá descongestionar a travessia por balsas, está orçada em cerca de R$ 450 milhões. A licitação, segundo os planos do Palácio dos Bandeirantes, deve ocorrer ainda no primeiro semestre deste ano.

RESUMO DA REGIÃO
Por que não sentiu a crise?
A região conta com investimentos públicos em infraestrutura (saneamento, estradas e urbanização, principalmente) e tem localização estratégica, por conta da proximidade com a capital paulista e de suas instalações portuárias.

Principais investimentos na região
Estão em basicamente quatro áreas: 1) Energia - Exploração de petróleo e gás natural na Bacia de Santos, em especial na camada pré-sal; 2) Infraestrutura portuária - Ampliação e modernização dos Portos de Santos (e de São Sebastião), além da construção de terminais privados no Porto de Santos (Embraport e BTP); 3) Saneamento - Tratamento e abastecimento de água na Baixada Santista e no litoral Norte, além da construção de emissários; e 4) Transporte - Túnel Santos-Guarujá.

Oportunidades
Estão nas obras de infraestrutura, em especial portuárias, de saneamento e na área de petróleo e gás; nos empreendimentos residenciais de luxo (tanto na Baixada Santista, quanto litoral Norte); nos edifícios de escritórios (em Santos, sobretudo com lajes amplas); e em empreendimentos econômicos no litoral Sul para segunda residência (Praia Grande, principalmente).

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