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Construção civil é o setor com mais casos de trabalho escravo, mostra balanço do MTE

Ao todo, 849 pessoas que atuavam na construção foram resgatadas em 2013, sendo 173 casos apenas em Conceição do Mato Dentro, em Minas Gerais

Kelly Amorim, do Portal PINIweb
16/Maio/2014
Shutterstock

O setor da construção civil lidera os casos identificados como trabalho escravo de acordo com balanço das fiscalizações realizadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) em 2013. Segundo os dados do Grupo Especial de Fiscalização Móvel do MTE, divulgados nesta semana, foram identificadas 849 pessoas em regime de trabalho análogo à escravidão no setor.

O número superou o registrado no setor agrícola em 2013, quando este era considerado o vilão do trabalho escravo: 342 casos. No mesmo ano, a pecuária também se destacou com o resgate de 276 pessoas. O grupo do MTE fez 36 fiscalizações no setor de construção, contra 44 na pecuária e 23 na agricultura.

Ao todo, em 2013, o Ministério realizou 179 fiscalizações em todo o país, conforme a Divisão de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Escravo (Detrae), avaliando as condições laborais de 27.701 trabalhadores formalizados ou não em diversos setores. Mais de duas mil pessoas sob situação análoga à escravidão foram identificadas e R$ 8 milhões em multas foram aplicadas aos empregadores infratores. O MTE também lavrou 4.327 autos de infração em razão das irregularidades encontradas nos locais fiscalizados.

Os centros urbanos lideram a lista do trabalho escravo. Foram resgatadas 1.068 pessoas em áreas urbanas, o que equivale a 51,8% dos 2.063 resgates feito ano passado. Desde que o Ministério iniciou a fiscalização, essa foi a maior quantidade de pessoas sob a condição de trabalho escravo na área urbana.

Minas Gerais foi o estado com o maior número de resgates em áreas urbanas. Dos 367 trabalhadores libertados, 173 casos na construção foram identificados na cidade de Conceição do Mato Dentro, que se tornou a cidade do país com maior número de trabalhadores da construção resgatados. Somando todos os setores, Minas liderou também em número geral, considerando áreas urbanas e rurais, com 446 resgates.

O Estado de São Paulo foi o segundo com o maior número de casos absolutos, com 419 pessoas, e em casos em áreas urbanas, com 360 pessoas resgatadas após 16 fiscalizações. Já na construção foram 256 pessoas libertadas. Guarulhos foi a cidade do Estado que registrou o maior número de casos. O município teve 111 pessoas resgatadas, sendo que todas elas atuavam na construção.

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