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Seminário realizado pela PINI discute produtividade

Executivos e especialistas apontaram principais causas da ineficiência nas obras de construção civil

Paulo Kiss, Diretor de Redação
8/Outubro/2014

A PINI reuniu na última terça-feira (7) diretores técnicos, consultores e executivos para debater a baixa produtividade nas obras brasileiras. O seminário realizado no Hotel Renaissance, em São Paulo, teve cinco palestras sobre temas que variaram da gestão da produção à capacitação profissional. O evento contou com um público de mais 100 profissionais, entre engenheiros, arquitetos, empreiteiros e dirigentes de construtoras. 

Ubiraci Espinelli, professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) e diretor da Produtime, abriu o evento enfatizando a importância de se adotar um sistema de gestão da produção que aponte, baseado em dados históricos e de obras similares, a produtividade potencial das tarefas. Espinelli atribui boa parte dos problemas à falta de um olhar crítico do planejamento. Usando exemplos de diversas obras, o engenheiro apontou problemas de interface entre sistemas construtivos, falhas logísticas, principalmente de posicionamento de equipamentos de transporte, paginação de revestimentos, modulação de alvenarias etc. 

Jorge Batlouni, diretor da Tecnum e vice-presidente de Tecnologia, Qualidade e Meio Ambiente do Sindicato da Indústria da Construção Civil de São Paulo (SindusCon-SP), comparou dados de produtividade do Brasil  com países de primeiro mundo para mostrar que no Brasil se trabalha mais e se produz menos. Isso, segundo Batlouni, se deve igualmente a três fatores: projeto, processo e organização do trabalho. O engenheiro ressaltou a importância de se investir na padronização, coordenação modular, uso intensivo de equipamentos, melhoria dos projetos, logística mais eficiente e treinamento da mão de obra. 

Um dos profissionais da construção mais ligados à inovação no Brasil, o diretor de Design & Construction da Tishman Speyer, Luiz Henrique Ceotto, apresentou uma visão bastante crítica de organização do setor da construção, enfatizando o relacionamento entre fornecedores e produtores, incorporadores e órgãos de aprovação, empresas e mão de obra. A cadeia de valor, segundo o engenheiro, carece de lideranças mais atuantes. Utilizando um quadro comparativo, Ceotto fez paralelos entre os pontos críticos do Estado e o da cadeia da construção. Assim, a educação relaciona-se diretamente com a falta de capacitação; a necessidade de um estado leve e ágil faz par no setor com a necessidade de um ambiente regulatório menos complexo; o respeito à constituição e as leis com a obediência às normas e respeito aos contratos. 

Boa engenharia e capacitação 

O engenheiro Marcelo Valadão, diretor de Contrato da Odebrecht Realizações, apresentou cases importantes de obras nas quais a matriz de escolha tecnológica foi fundamental para o sucesso e a produtividade, desde a opção por um sistema de escavação de rocha até a montagem de unidades de produção de concreto com soluções desenvolvidas com fornecedores. Valadão ressaltou o ambiente propício da Odebrecht para inovação em função da grande autonomia do gestor de cada contrato. Mesmo recorrendo aos bancos de composições de custos e ao acervo técnico, o engenheiro da Odebrecht, segundo Valadão, é "convidado" a fazer Engenharia. "Colocamos  na mesa todas as alternativas, inclusive aquelas que não conhecemos, e depois tomamos decisões fundamentas na particularidade de cada contrato." 

O seminário foi encerrado com a apresentação do presidente do conselho da Hochtief do Brasil, engenheiro André Glogowsky.  A palestra focada na capacitação causou grande surpresa ao retirar da mão de obra o peso normalmente atribuído à baixa produtividade. Segundo Glogowsky, cabe aos gestores e ao corpo técnico da empresa formar a expertise e o acervo técnico que diferenciam uma empresa. Glogowsky explicou cada um dos mais de 10 programas de treinamento e o cardápio de cursos. Num dos programas, o estagiário escolhe um tutor entre os líderes e o acompanha por dois anos. Desenvolvendo habilidades em quatro frentes: liderança, negócios, conhecimento técnico e habilidades comportamentais. 

O seminário "Como Aumentar a Produtividade nos Canteiros de Obras" estará em breve disponível na Loja PINI na carteira de web seminários. Veja também a programação dos próximos seminários.