Custo de pavimento com laje zero cai 55% frente a aplicação de contrapiso, mostra estudo

A construtora Brandão & Marmo preparou um estudo com as diferenças de custos entre a execução de pavimento com o método laje nível zero e com a aplicação de contrapiso. O levantamento foi preparado como referência para as obras do Cora Residencial Sênior, lar de idosos situado na zona Sul de São Paulo. O projeto envolve a construção de um prédio com térreo e três pavimentos, além da reforma da torre já existente, que tem a mesma composição. O estudo considera apenas o novo bloco.

Por meio do comparativo, a empresa constatou que a execução dos pavimentos com contrapiso tem um custo total de R$ 131,4 mil, enquanto com laje nível zero fica em R$ 59,3 mil, o equivalente a uma economia de R$ 72,1 mil, ou 55% (veja mais no quadro da página ao lado).

A explicação para o custo menor está na execução mais veloz, diminuindo os gastos com manutenção de trabalhadores no canteiro. O diretor comercial da construtora, Eduardo Marmo, explica que, na utilização deste método, a laje é nivelada no próprio ato da concretagem, ganhando as características de contrapiso. “Ela já elimina o custo da mão de obra e do contrapiso, porque exclui essa etapa”, sintetiza Marmo.

Mão de obra e materiais
Nas opções estudadas, a redução do custo total da mão de obra foi de 61% na escolha da laje nível zero. Por um lado, o custo unitário dos trabalhadores é maior neste caso, uma vez que envolve operadores treinados para manejar o maquinário de acabamento na superfície. Por outro lado, o serviço é feito em apenas um terço do tempo necessário para execução do contrapiso por pedreiros e serventes.

DIVULGAÇÃO BRANDÃO & MARMO
Com o emprego da laje nível zero, nivelamento é feito durante a própria concretagem

Neste empreendimento, a Brandão & Marmo contratou uma empresa terceirizada para fornecimento das máquinas e dos operadores. Não houve a necessidade de um planejamento logístico específico para os equipamentos, pois são pequenos.

No levantamento da construtora, é importante observar que o concreto não faz parte da composição do custo da laje nível zero, pois o insumo é considerado apenas na execução da estrutura de concreto. Caso a empresa tivesse optado pela realização do contrapiso, o concreto também estaria presente na composição das lajes. Portanto, isso não interferiu no comparativo. Na opinião do diretor comercial, a execução da laje nível zero é mais recomendada para obras de empreendimentos comerciais, que têm áreas construídas maiores e que demandam maior rigor no cumprimento dos prazos de entrega. “Nesta obra, que é de um hotel para idosos, o fator custo e tempo eram muito importantes. Era uma obra de prazos extremamente rigorosos. A gente tinha que reformar um prédio inteiro e erguer um novo prédio em um prazo recorde. Por conta disso, a execução deste método foi muito boa”, afirma, citando a agilidade do sistema construtivo.

De acordo com a construtora, com o uso da laje nível zero foi necessário aumentar as cotas dos pilares para que a laje ficasse no nível de aplicação dos acabamentos. Com isso, elas puderam ser mantidas com a mesma espessura do projeto, necessitando de cuidados apenas com a sua finalização.

Ressalvas
Nas áreas secas, que receberam um piso vinílico, o acabamento utilizado na laje foi um nivelamento com o bambolê (acabadora elétrica) para que a superfície ficasse lisa, podendo assim receber a regularização PVA e a aplicação dos pisos. Nas áreas molhadas, ocorreu o mesmo processo, seguido de rebaixamento para aplicação da camada de impermeabilização.

Embora a laje nível zero tenha sido um método importante nessa obra, Marmo ressalta desvantagens. Para ele, com esse método há maior necessidade do planejamento na fase da concretagem. Nas áreas onde há impermeabilização, por exemplo, deve ser previsto um desnível para que, na sequência, ao se depositar a camada do material impermeabilizante, não sobrem irregularidades no piso. “O contrapiso fica numa condição mais 100% em termos de controle e nivelamento, porque é mais artesanal. Na laje nível zero talvez aconteça algum pequeno desnivelamento, alguma ondulaçãozinha ou outra. Isso pode acontecer”, observa.

Fonte: Construtora Brandão & Marmo Observações: A opção A utiliza concreto dosado em central bombeável brita 1 de 30 MPa e abatimento de 10±2 cm. O concreto não faz parte da composição do custo da laje zero, pois o insumo é considerado apenas na execução da estrutura de concreto. No contrapiso, o concreto também está presente na composição das lajes. Portanto, isso não interfere no comparativo.” A empresa informa que foram utilizados 12 operadores de acabadora de superfície na Opção A, executando o serviço por aproximadamente 10 horas e meia em oito etapas (dias) totalizando as 1.008 horas – tempo total para execução de quatro lajes.

Marmo explica também que a laje nível zero pode representar um problema quando feita com menos de 10 cm de espessura porque o concreto não apresenta uma boa performance acústica. Com isso, esses ambientes estão sujeitos a permitir a propagação de ruídos em níveis maiores que 80 dB, ficando fora do parâmetro mínimo estabelecido pela Norma de Desempenho NBR 15.575. O diretor afirma que, para atender à norma, adotaram 14 cm na espessura nas lajes dos corredores e 20 cm nas demais. “Foram contratados um projetista e um calculista. A gente não teve que fazer nenhuma adaptação estrutural. O que estava originalmente no projeto já se enquadrava nessas normas”, comenta.

Outro ponto importante é que o contrapiso ajuda a amortecer tensões, diferindo da laje nível zero. Isso poderia dar margem para gastos no longo prazo com eventuais patologias na estrutura. Para amenizar esse risco, Marmo afirma que foram implantados espaçadores próprios na malha de ferro. “Os espaçadores asseguram que todas essas armações estarão inseridas nas peças com cobrimento mínimo de concreto. Elas não estarão expostas nem muito próximas à superfície”, explica.

Apoio de engenharia: Fernando Benigno/PINI Engenharia

Esta seção mostra estudos feitos pelas construtoras. As projeções só valem para o caso apresentado. O sistema apontado como mais competitivo pode mostrar-se inviável em obras com outras características e dimensões. O estudo apresentado não deve ser tomado como padrão estrito para decisões de orçamento e escolha de materiais ou sistemas. Construtoras poderão enviar estudos comparativos para publicação nesta seção. Fale com a Redação pelo telefone (11) 2173-2303 ou envie e-mail para construcao@pini.com.br

Por Gabriel Calviño

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