Em off: bastidores da construção

Gradação da crise

À medida que o tempo passa, a percepção do setor diante da crise está mudando, mas não há sinais de otimismo. De acordo com o diretor de uma grande incorporadora com capital aberto, as empresas passaram pelo desespero, depois pelo desânimo e, agora, o que reina é o conformismo de que a situação não vai melhorar logo. O jeito é se virar como dá, avalia o diretor.

Ajuda, mas não resolve

As iniciativas da Caixa Econômica Federal e do Conselho Curador do FGTS para liberação de recursos extras para financiar a moradia popular são positivas, mas têm apenas um caráter paliativo, afirma o ex-líder de uma associação nacional de construtoras. “A tônica para as empresas em 2016 é sobreviver. O mercado está muito ruim”, desabafou.

Rufem os tambores

O clima de suspense deve se estender por seis meses no Superior Tribunal de Justiça. Esse é o prazo previsto para a Corte julgar os recursos especiais que tratam da legalidade das cláusulas contratuais que transferem aos consumidores a responsabilidade pelo pagamento das taxas de corretagem na compra e venda de imóveis.

Lava-jato

O escândalo da Petrobras vem impactando diretamente o mercado da Baixada Fluminense. Uma das cidades que mais sofrem é Itaboraí, onde está sendo construído um complexo petroquímico (Comperj). O corte de investimentos por parte da estatal, segundo fontes locais, gera insegurança nas construções que estavam em andamento para atender à demanda imobiliária criada pelas obras da empresa no município.

BATE-ESTACA

Do nada
Um dia após se reunir com oficiais da Aeronáutica para falar sobre a portaria no 957/2015, que estabeleceu novas regras para o entorno de aeroportos, um representante setorial da construção desabafou sobre o fato de as regras terem sido publicadas sem debate com o setor: “O pessoal da Aeronáutica é muito legal, mas a portaria surgiu completamente do nada. Eles que me desculpem, mas eu precisava falar!”

Relacionamento saudável
A desvalorização do serviço e da engenharia embutidos nos sistemas de fôrmas e escoramentos é uma das principais queixas dos fornecedores desse segmento. “O fornecedor não pode mais ser visto como inimigo, e sim como um elo necessário na cadeia da construção civil. As relações entre contratantes e fornecedoras devem privilegiar o bom-senso, mas nem sempre isso ocorre”, reclama um executivo.

Efeito positivo
A redução no volume de vendas de imóveis pode contribuir para melhorar a qualidade da engenharia. Segundo algumas construtoras, com margens de lucro menores e menos espaço para erros, algumas empresas estão apostando mais na etapa de formatação dos produtos imobiliários. “Quando o setor estava aquecido, a meta era produzir, e não havia tempo para pensar e planejar quais seriam os sistemas usados. Optava-se pelo mais rápido e barato, mas não necessariamente o melhor”, lembra um construtor.

Nova onda
Mesmo com retração de novas contratações da ordem de 30%, as empresas fornecedoras de materiais e sistemas da construção civil mantiveram atividade satisfatória em 2015, resultado de uma carteira ainda grande de obras em execução. Para 2016, no entanto, as expectativas não são das melhores. “Muitas obras, incluindo de infraestrutura, ainda estão no papel”, lembra um diretor de uma empresa fornecedora. Pessimismo dá o tom entre executivos do setor em off.indd 148 11

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