Saiba o que considerar antes de adquirir geradores para as áreas comuns de edifícios

A aquisição de um gerador de energia para as áreas comuns de uma edificação interfere no projeto e nos custos da obra, por isso deve ser muito bem planejada, segundo o presidente da Câmara Setorial de Motores e Grupos Geradores da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Reinaldo Sarquez.

O especialista diz que leis municipais de zoneamento e edificações determinam os casos em que o uso de geradores em edificações é imprescindível e, por isso, devem ser consultadas. “Há peculiaridades, mas, no geral, elas são bem similares.”

Considerar o tamanho e as especificações do prédio que receberá o equipamento é outro aspecto essencial. Reinaldo Lopes, professor de Engenharia Elétrica do Centro Universitário FEI, diz que basta um prédio ter elevador para que um gerador seja exigido. Já Osvaldo Wertheim, integrante da vice- presidência de Tecnologia e Qualidade do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), destaca que a obrigatoriedade é válida para prédios comerciais com escadas pressurizadas.

Equipamento
Ao chegar à conclusão de que um gerador é necessário, é preciso definir as especificidades do equipamento, que inclui a capacidade de carga, a fonte de energia, o tempo de autonomia, além da geração de ruído e de poluentes.

“A capacidade de carga do grupo gerador está vinculada ao que se quer que seja atendido na emergência, não havendo limites. Porém, costuma-se atrelar o grupo gerador às cargas que atendam à parte comum da edificação, como iluminação, além das cargas essenciais como elevadores, bombas de recalque e bomba de incêndio, conforme previsto pelo Corpo de Bombeiros”, diz o professor da FEI, em referência aos edifícios residenciais. “Com relação aos corporativos, costuma-se considerar cargas essenciais como equipamentos de TI e um percentual da iluminação geral.”

Segundo Wertheim, a capacidade de carga adotada é de, em média, 120 kVa para edifícios residenciais e 180 kVa para comerciais, embora a definição dependa de variáveis tais como tamanho do empreendimento e quantidade de unidades. Essas mesmas variantes devem ser levadas em conta ao se definir o tempo de autonomia dos geradores. De acordo com Thiago José Martinelli, engenheiro de vendas da Cummins Power Generation, ele é de 8 horas em média, embora a autonomia possa ser “infinita”, como lembra o professor da FEI: “Basta que o gerador se alimente de combustível”.

A grande maioria dos geradores é movida a diesel. “Mas já existem no mercado máquinas movidas a gás natural, principalmente as que se utilizam da cogeração (processo de produção que combina calor e eletricidade)”, destaca Lopes. Segundo Wertheim, no entanto, a disponibilidade de equipamentos no mercado e o dimensionamento do grupo gerador podem variar de acordo com o tipo de combustível escolhido – diesel, gás natural, GLP ou alternativas de combustível em substituição ao diesel 2-D.

O impacto que a emissão dos gases e poluentes pode causar ao meio ambiente e às pessoas que venham a circular pelo empreendimento com gerador é um tema polêmico. “Em cidades como São Paulo, por exemplo, existe a necessidade de se instalar oxicatalisadores nas saídas dos gases, para não comprometer o meio ambiente com gases tipo CO²”, diz Lopes. O prefeito da capital paulista, Fernando Haddad, sancionou recentemente uma lei (16.131/2015) que determina limites de emissão de poluentes de grupos geradores a partir de 2017.

Tão problemático quanto os poluentes são os ruídos. “Evidentemente o grupo gerador emite muito ruído, porém existem atenuadores ou silenciadores que colocam o ruído dentro dos limites permitidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que está em torno de 70 dB a 2 m de distância”, explica o professor da FEI.

Além de levar em consideração a reputação das fabricantes, Martinelli diz que é possível consultar normas e certificações: “Existe a norma ISO 8.528, que determina os parâmetros de fabricação dos equipamentos. E os fabricantes de grupos geradores devem ter certificação ISO 9.001, para atestar a qualidade de seus processos”.

Instalação
Wertheim recomenda que os geradores sejam instalados em locais secos, ventilados, em superfície nivelada, de fácil acesso para manutenção e isolados fisicamente por meio de paredes de alvenaria ou algo similar. “Eles devem ser colocados preferencialmente nos subsolos ou no térreo do edifício. É importante também que se encontrem em áreas próximas à entrada de energia da concessionária e ao centro de medição do edifício, pois a instalação se torna mais econômica e tecnicamente mais adequada.”

Um cuidado importante que a construtora deve levar em consideração, segundo ele, é o tratamento ou atenuação acústica, a fim de se evitar barulho excessivo e incômodo aos usuários da edificação. “A instalação deve ser precedida de um bom projeto, que inclua a localização na arquitetura e o dimensionamento elétrico, e planejamento”, diz o representante do Secovi-SP.

Já que cada fornecedor possui orientações próprias de instalação, Wertheim diz ser essencial que a área de engenharia da construtora aja em coordenação com o fornecedor. “Todos os detalhes técnicos de instalação e mesmo de funcionamento devem ser bem discutidos e resolvidos para que o resultado final dos trabalhos seja realizado com a melhor qualidade possível”, aponta ele, que diz ser necessário que todos os testes de funcionamento sejam realizados pela empresa contratada na entrega do equipamento à construtora.

De acordo com Martinelli, a instalação depende de um projeto detalhado de arquitetura, para definir o layout da sala; de um projeto mecânico, para definir a instalação de escape de gases, bem como atenuadores de ruídos; e de um projeto elétrico, para definição da chave de transferência automática e instalação de cabos de comando e potência. “Os projetos podem ser realizados pela própria construtora ou por uma empresa especializada”, afirma Sarquez.

Cabe à construtora ainda, ao fim da construção, entregar ao usuário final do imóvel o manual de uso, operação e manutenção do grupo gerador fornecido pelo fabricante. “Também é recomendável a entrega (de uma cópia) da nota fiscal de compra do equipamento, onde consta a garantia”, diz Wertheim.

CHECKLIST
 Atente-se às leis municipais de zoneamento e edificação
 Avalie o tamanho e as especificações do empreendimento
 Defina a capacidade de carga do gerador a partir do uso previsto
 Considere aspectos ambientais ao definir fonte de energia do aparelho
 Avalie a geração de ruído e de poluentes dos equipamentos
 Leve em consideração a “reputação” da fabricante antes da compra
 Crie um projeto de arquitetura para a instalação do equipamento
 Realize os testes de funcionamento na entrega do equipamento
 Entregue ao usuário final o manual de uso, operação e manutenção do gerador

NORMAS TÉCNICAS
NBR ISO 8.528-1:2014 – Grupos Geradores de Corrente Alternada, acionados por Motores Alternativos de Combustão Interna – Parte 1: Aplicação, Características e
Desempenho
NR 20 – Norma Regulamentadora de Tanques de Combustíveis
NR 10 – Norma Regulamentadora de Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade
NBR 5.410 – Instalações Elétricas de Baixa Tensão
Resolução Aneel no 390

Por Larissa Leiros Baroni

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