Setor imobiliário de Campinas e Jundiaí, no interior de São Paulo, pega carona com investimentos em infraestrutura

O setor da construção civil mantém perspectivas positivas para o médio e o longo prazo na região de Campinas e Jundiaí, no interior paulista, sustentada pelo desenvolvimento logístico e hoteleiro na região. Apesar do esfriamento dos negócios neste momento, em meio à crise econômica nacional, as atividades locais estão ancoradas no projeto de expansão do Aeroporto Internacional de Viracopos e na revisão da legislação urbanística nas cidades. Esses fatores têm atraído novos investimentos e devem facilitar a aprovação de empreendimentos imobiliários no futuro.

Protagonista da evolução econômica regional, Viracopos foi cedido à concessão para a iniciativa privada em 2012 e receberá aportes de R$ 9,5 bilhões ao longo de 30 anos para ampliar sua capacidade de transporte de cargas e passageiros. A estimativa da concessionária é que o aeroporto seja capaz de dar vazão ao transporte de 80 milhões de passageiros por ano em 2042, um salto enorme frente ao cenário atual, de 10,3 milhões de passageiros por ano.

Parte do dinheiro já foi empregada na construção do novo terminal, que deve ficar pronto neste semestre. O cronograma original previa conclusão da obra antes da Copa de 2014, mas houve falta de recursos das empresas que constituem o consórcio Aeroportos Brasil – formado pela UTC Participações (45%), envolvida na operação Lava Jato, Triunfo Participações (45%) e Egis Airport Operation (10%). Juntas, elas detêm 51% do capital social do aeroporto, enquanto os 49% restantes pertencem à Infraero.

Apesar das turbulências no cronograma das obras, o desenvolvimento de Viracopos tende a atrair gradualmente para seu entorno hotéis, galpões logísticos, shopping centers, edifícios corporativos e centro de convenções. Segundo a concessionária, a expansão do terminal e a atividade industrial devem gerar 1.250 novos leitos hoteleiros entre 2016 e 2017 em Campinas e região metropolitana. “A estrutura que vamos oferecer, além da proximidade de São Paulo e a localização do aeroporto no eixo das rodovias, fará com que Viracopos se transforme em um importante hub para voos regulares”, afirma o gerente comercial da concessionária, Aluízio Margarido.

A Bresco, empresa que desenvolve e constrói empreendimentos de uso logístico, misto e corporativo, prevê investir R$ 900 milhões até 2019 na região. O aporte será direcionado ao Parque Corporativo Bresco Viracopos. O complexo fica bem ao lado do aeroporto e conta com uma área de 1 milhão de metros quadrados, sendo 420 mil m² em projetos já aprovados para construção. Atualmente, a área conta com um centro de treinamento da companhia aérea Azul e um centro de distribuição da John Deere, ambos desenvolvidos pela Bresco no modelo built to suit – construído sob medida por meio de locação de longo prazo.

Segundo o diretor comercial da incorporadora, Maurício Geoffroy, dentro do complexo está prevista a inauguração, neste mês, do Flex Viracopos, empreendimento de uso misto, com módulos a partir de 700 m², podendo ser transformado em área de escritório ou galpão logístico. Já no segundo semestre será a vez da abertura de um hotel Ramada, com 200 quartos. “O espaço poderá atender também a centros de treinamento, laboratórios, armazenagens, showrooms, call centers, indústrias de montagem e de alta tecnologia”, ressalta o diretor.

Galpões
Outro ponto favorável de Campinas é a proximidade com São Paulo (apenas 100 km separam as cidades), além da presença de rodovias de grande porte, com várias faixas de rolamento, pista em boas condições, partindo da capital rumo ao interior do Estado, como é o caso da Anhanguera e da Bandeirantes. Uma das consequências da posição privilegiada da região de Campinas é a alta concentração de galpões logísticos por ali. Segundo dados da consultoria imobiliária Colliers, dos mais de 6,658 milhões de metros quadrados de área de galpões no Estado, praticamente metade está no eixo formado por Jundiaí (1,3 milhão de metros quadrados), Cajamar (1,0 milhão de metros quadrados) e Campinas (798 mil m²).

“O estoque de galpões na cidade de Jundiaí supera todo o Rio de Janeiro”, afirma a vice-presidente da Colliers, Paula Casarini. O Rio é o segundo Estado com maior concentração de galpões, totalizando 1,179 milhão de metros quadrados.

Veja também: