Caixa anuncia medidas para reaquecer mercado

A Caixa Econômica Federal aprovou em março uma série de medidas para incentivar o mercado imobiliário no País. Entre as iniciativas, está o aumento da fatia financiável dos imóveis residenciais usados, que passou de 50% para 70% para os trabalhadores da iniciativa privada, e para 80% no caso de servidores públicos. A Caixa também informou que reabrirá as operações de financiamento do segundo imóvel com as mesmas condições de juros e prazos oferecidas na compra do primeiro. No último mês também foi aprovada pelo Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) a liberação de R$ 16 bilhões adicionais para financiamentos na área imobiliária. O banco aplicará cerca de R$ 7 bilhões na Linha Pró-Cotista, que permite a trabalhadores com conta ativa no fundo financiarem 85% do valor de imóveis novos e usados de até R$ 750 mil pelo prazo máximo de 30 anos, a taxas de juros entre 7,85% e 8,85% ao ano. E, para as construtoras, haverá uma linha de R$ 2,4 bilhões com taxas especiais para produção de imóveis de até R$ 500 mil.

Segundo a presidente da Caixa, Miriam Belchior, a expectativa para este ano é elevar o volume de unidades contratadas em 13%, o equivalente a 64 mil unidades Na avaliação do Sindicato de Habitação de São Paulo (Secovi-SP), a notícia da ampliação da oferta de crédito foi positiva para todo o mercado. “Para nós, fica uma mensagem muito importante e boa de que não faltarão recursos para financiamento nem para imóveis usados nem para os novos durante o ano de 2016”, afirmou o economista-chefe do Secovi, Celso Petrucci.

Estoque em São Paulo segue alto mesmo com redução nos lançamentos

O estoque de imóveis residenciais novos na capital paulista encerrou 2015 com 27.055 mil unidades, 52,2% a mais que a média histórica da cidade, que é de 17,8 mil imóveis. Apesar da redução dos lançamentos, o estoque teve queda de apenas 0,7% em relação a 2014, de acordo com os dados divulgados pelo Secovi-SP. A oferta está dividida em 9% de imóveis prontos, 70% em construção e 21% em fase de lançamento, mostrou a pesquisa. No ano passado houve uma queda de 37% no número de lançamentos na cidade de São Paulo em relação a 2014, passando para 21,4 mil unidades. Esse foi o ano mais fraco em número de lançamentos desde 2004. Em relação ao número de imóveis vendidos, houve queda de 6,6%, passando para 20,1 mil unidades.

O presidente do Secovi-SP, Flávio Amary, enfatizou que os principais problemas do País são o nível de desemprego crescente e a desconfiança do consumidor, fatores que impactam negativamente as vendas. Diante da instabilidade econômica e política do País, a instituição preferiu não divulgar projeções para o volume de negócios neste ano.

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PIB da construção tem queda de 7,6% em 2015

Segundo o IBGE, setor da construção civil foi o que apresentou o pior desempenho na economia brasileira

O balanço divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou que o Produto Interno Bruto (PIB) da construção civil caiu 7,6% em 2015, maior queda registrada dentre os subsetores industriais estudados pela entidade. No ano passado, o PIB consolidado do País apresentou queda de 3,8% e totalizou R$ 5,9 trilhões.

Para o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sindus- Con-SP), a queda do PIB foi influenciada pela situação política em que o Brasil se encontra, que impactou diretamente a confiança dos investidores. O sindicato estima que este ano haja uma nova queda de 5% no PIB da construção.

Para a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), os indicadores reforçam a necessidade de uma reação do Governo Federal e do Congresso para aprovação das medidas de ajuste fiscal e de uma agenda de reformas estruturais, para que assim seja possível reestabelecer a credibilidade do País.

Em janeiro, a construção civil brasileira registrou queda de 0,1% no nível de emprego no setor na comparação com dezembro. A taxa equivale a uma quantidade de 2,8 mil postos de trabalho a menos no mercado, considerando fatores sazonais. O dado pode ser considerado um tanto atípico, pois o primeiro mês do ano costuma ser de contratações.

Empresários terão canal para denunciar extorsões de servidores públicos

O Secovi-SP pretende lançar dentro de alguns meses um canal para empresários denunciarem casos de concussão, ou seja, extorsão realizada por servidores e/ou autoridades públicas. As denúncias serão colhidas com o apoio de uma empresa estrangeira. A partir de então, os casos serão analisados por uma comissão do sindicato e direcionados para o Ministério Público ou outros órgãos responsáveis.

A novidade foi mencionada pelo novo presidente do sindicato, Flávio Amary, durante discurso realizado na sua cerimônia de posse. No discurso, o novo líder setorial também subiu o tom das críticas ao Governo Federal e ao Partido dos Trabalhadores (PT), mas sem citar o nome da presidente, Dilma Rousseff, e seu antecessor direto, Luiz Inácio Lula da Silva.

 

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