Conheça boas práticas para evitar focos do Aedes aegypti nas obras

Diante do surto de dengue, algumas construtoras estão adotando medidas preventivas para impedir a criação de possíveis focos do mosquito Aedes aegypti em seus canteiros de obra. O último balanço divulgado pela Secretaria de Vigilância do Ministério da Saúde informou que já foram registrados no Brasil 73.872 casos de dengue neste ano até o dia 23 de janeiro, o que corresponde a um aumento de 32,5% em relação ao mesmo período do ano passado.

Para evitar a proliferação do mosquito, o Serviço Social da Indústria da Construção do Estado de Goiás (Seconci-GO) promoveu recentemente o curso de formação de “dengueiros”, isto é, preparação de um profissional responsável pela vistoria do canteiro à procura de potenciais criadouros do mosquito. O curso é oferecido em parceria com as Secretarias de Saúde do Estado e do município de Goiânia, que enviaram representantes para comandar as palestras.

Durante o encontro, os trabalhadores aprendem desde a história do mosquito até os métodos de prevenção contra as doenças transmitidas pelo Aedes aegypti. As aulas são abertas a diversos operários e destinadas principalmente ao técnico de segurança do trabalho, pois, pela natureza de sua função, ele está mais preparado para levar o conhecimento adquirido aos demais trabalhadores, além da comunidade onde vive.

Um desses profissionais é o Antônio Silva Conceição, da Dinâmica Engenharia, treinado para zelar pelo canteiro de obras da empresa. Conceição relata que, pela manhã, ele faz uma vistoria no subsolo da obra para detectar possíveis focos de proliferação do inseto. Já no fim do expediente, o pente-fino é realizado nos locais onde se concentraram os funcionários.

“No subsolo, os pontos mais críticos são as irregularidades dos pisos. Na parte de cima, a água se acumula nas irregularidades da laje e também onde os pedreiros trabalham usando água nos seus serviços”, diz Conceição. O dengueiro acrescenta que os funcionários da obra são instruídos a deixarem os objetos secos e de cabeça para baixo, evitando formar um criadouro de mosquitos. Caso seja detectado algum objeto pessoal com água, o trabalhador recebe uma advertência oral e, em caso de reincidência, uma multa por escrito.

JOICE CHAGAS
Funcionários recebem palestra sobre como evitar o surgimento de criadouros do mosquisto Aedes aegypti

Raphael Barbosa, engenheiro da Dinâmica, observa que a guerra contra o Aedes é uma iniciativa ligada à saúde dos trabalhadores e da vizinhança, além de contribuir para a manutenção da produtividade no canteiro. “Se um trabalhador pegar dengue, provavelmente os outros também poderão pegar, o que vai gerar muitas faltas. Cai a nossa produção. Então é importante tomar os cuidados para que não aconteça isso”, resume.

Educação
O treinamento dos colaboradores e a comunicação com toda a vizinhança são dois pontos fundamentais no combate ao mosquito. Na cidade de São Paulo, cerca de 20 mil panfletos foram distribuídos, com orientações para se evitar água parada, numa iniciativa do Sindicado da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) em parceria com o Serviço Social da Construção Civil (Seconci-SP). “No caso do combate ao Aedes aegypti, há uma falta de educação geral da nossa sociedade”, afirma Haruo Ishikawa, vice-presidente de Responsabilidade Social do SindusCon-SP.

Ângela Nogueira, coordenadora do setor de Serviço Social do Seconci-SP, afirma que a preocupação com a minimização do mosquito deve ser vista como uma responsabilidade individual e coletiva. Ela comenta que o objetivo da entidade é levar o conhecimento adquirido pelos funcionários nas palestras para a comunidade na qual eles vivem, visto que 80% dos criadouros estão localizados nas residências. “A preocupação é com a empresa, com os trabalhadores e com a comunidade também”, diz a coordenadora.

Para Ricardo Teixeira, professor de Marketing na Fundação Getulio Vargas (FGV), se um empreendimento tiver focos do Aedes, as empresas devem agir com responsabilidade. “Foco de dengue no canteiro seria desastroso para a construtora. A sociedade poderia levantar a suspeita de que, eventualmente, outros canteiros de obra da empresa também possam ter focos. Vai dar a impressão de que não é uma marca comprometida com a sociedade. Para o setor de construção como um todo, todas as obras passarão a ser suspeitas naquela região”, alerta Teixeira.

COMO EVITAR O AEDES AEGYPTI NOS CANTEIROS DE OBRA

LCOSMO/SHUTTERSTOCK■ Instruir os funcionários sobre como combater o mosquito
■ Manter um responsável pela vistoria minuciosa do canteiro diariamente, eliminando a água parada
■ Manter a obra sempre limpa, o lixo tampado e os equipamentos cobertos
■ Manter baldes, carrinhos de mão etc. virados de cabeça para baixo
■ Não deixar água parada nas lajes
■ Dissolver uma colher de sopa de cloro em um litro de água, uma vez por semana, nos reservatórios onde for preciso estocar água
■ Esfregar com bucha os reservatórios que já tiveram água parada, pois os ovos do mosquito ficam armazenados no fundo, podendo eclodir mesmo com pouca água empoçada
■ Nas áreas com surto de dengue, funcionários devem usar roupas compridas, meias e uma camiseta fina por baixo do uniforme, preferencialmente de cores claras
■ Se possível, forneça repelentes. Procure uma marca confiável, pois muitas receitas de repelentes caseiros são ineficazes

Por Gabriel Calviño

Veja também: