Editorial: na pressão

Enquanto o Brasil é sacudido por revelações inquietantes provenientes das investigações da Polícia Federal e por protestos massivos nas ruas, o nível de previsibilidade para a economia fica cada vez mais turvo. No último mês, representantes do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), uma das instituições setoriais mais articuladas do País, preferiram abdicar das projeções para o volume de lançamentos e vendas em 2016, ao contrário do que fazem todos os anos em sua reunião com jornalistas para apresentar o balanço do mercado imobiliário. Com tamanha instabilidade política e econômica, qualquer projeção ficaria muito fragilizada, justificou o sindicato na ocasião.

A posição do Secovi-SP é um retrato da dificuldade de diversos empresários da construção e da incorporação imobiliária no País. Olhar para frente e definir o planejamento operacional se tornou um exercício com traços acentuadamente especulativos diante do cenário incerto. No entanto, um setor com grande consumo de caixa e resultados de longo prazo não permite que sejam feitas apostas inconsistentes.

Olhar para frente e definir o planejamento operacional se tornou um exercício com traços acentuadamente especulativos diante do cenário incerto

Diante dos caminhos tortuosos da economia brasileira, a Construção Mercado propõe nesta edição um grande debate sobre como as empresas do setor podem lidar com os diversos focos de pressão do momento. Na reportagem de capa, o assunto é o movimento de baixa sobre o valor dos imóveis, que não dá sinais de reversão no curto prazo. O texto traz análises de diversos líderes setoriais e sugestões para o planejamento empresarial, com foco no reforço do controle de custos, gestão dos estoques e estratégias de vendas. Em outra matéria, o assunto é a tensão entre os patrões e os funcionários na discussão do dissídio coletivo. Embora a onda de demissões abra espaço para reajustes salariais menores, sindicatos de trabalhadores prometem resistir nas tratativas com empregadores. Já numa outra reportagem, o assunto é a epidemia de dengue no País. Se não bastasse a pressão sobre os negócios, incorporadores ainda têm que ficar alertas à incidência do mosquito Aedes Aegypti em suas obras. Na matéria, são apresentadas boas práticas adotadas com sucesso nos canteiros para garantir a saúde dos operários e o bom andamento dos trabalhos.

A edição deste mês traz ainda uma entrevista com o presidente da Vitacon, Alexandre Lafer Frankel, de 37 anos. Com produtos inovadores, ele consolidou a empresa como referência no desenvolvimento de apartamentos compactos em São Paulo, desvendando a cabeça dos consumidores paulistanos e vendendo a eles um novo estilo de vida. Boa leitura.

Circe Bonatelli
editor

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