Mercado imobiliário de Curitiba fica mais perto do equilíbrio após redução drástica nos lançamentos

Depois de uma grande queda no volume de lançamentos nos últimos quatro anos, o mercado imobiliário de Curitiba se aproximou do equilíbrio entre oferta e demanda. A capital paranaense terminou 2015 com um total de 10.266 unidades em estoque, o menor patamar desde 2012, quando o setor ainda estava em plena atividade e contava com 11.539 unidades em estoque, conforme dados da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná (Ademi-PR).

Para recalibrar o mercado, os empresários tiveram que pisar no freio. Em 2015, os lançamentos somaram 2.624 unidades, num total de 52 empreendimentos, com valor geral de vendas (VGV) de R$ 1,7 bilhão. O tamanho da retração fica evidente ao ser comparada com os indicadores de 2012, quando os lançamentos atingiram 7.389 unidades, em 81 empreendimentos, com um VGV de R$ 2,1 bilhões.

Apesar do reequilíbrio, o clima é de cautela para os próximos meses, diante das incertezas sobre os rumos da economia brasileira. “Não esperamos uma melhora significativa da economia neste ano de forma que impulsione a elevação dos lançamentos”, avalia Fábio Tadeu Araújo, diretor de pesquisas da Ademi-PR. Segundo ele, a expectativa é de que o volume de operações fique estável neste ano. “A redução dos estoques, as entregas espaçadas e os distratos mais equacionados contribuíram para que o mercado opere de forma mais saudável”, ressalta.

Preços
Na capital paranaense se observa ainda uma adequação no perfil dos novos projetos, com incorporadores priorizando a construção de menos unidades por edifício. Entre os imóveis de até R$ 400 mil, a média de unidades lançadas por empreendimentos caiu de 109 em 2014 para 66 em 2015. Essa estratégia, segundo Araújo, ajudou a segurar os preços por meio da redução da oferta.

Dessa maneira, os imóveis novos em Curitiba registram uma elevação nominal nos preços de cerca de 5% em 2015 frente a 2014, para R$ 6.495/m², segundo a pesquisa da Ademi-PR. O aumento do preço médio também foi influenciado pelos lançamentos de apartamentos de luxo, com valores acima de R$ 2 milhões, que somaram 88 unidades em 2015, contra 42 um ano antes.

O mercado de usados, por sua vez, sentiu mais dificuldades. Segundo o Índice Fipezap, que considera os preços anunciados de imóveis prontos, o valor do metro quadrado recuou 0,2% em 2015 frente a 2014, para R$ 5.186/m². No mesmo período, a valorização média no País foi de 1,32%.

Diversificação
Para minimizar os riscos diante do cenário econômico instável, uma das apostas dos empresários é a diversificação do portfólio. Segundo o sócio-diretor da Terrasse Engenharia, Jefferson Gomes da Cunha, a incorporadora prepara para este semestre o lançamento de três empreendimentos residenciais destinados a públicos distintos. Um dos projetos tem unidades com tíquete médio de R$ 350 mil a R$ 400 mil; outro na faixa de R$ 800 mil; e um terceiro com valores de R$ 1,3 milhão a R$ 1,5 milhão. Esses projetos devem gerar um VGV entre R$ 60 milhões e R$ 70 milhões.

“Não vamos nos concentrar em apenas uma tipologia, o que ajuda nesse momento mais desafiador”, afirma Cunha. Ele acrescenta que a empresa está em processo de aprovação de um projeto misto, comercial e residencial, com VGV aproximado de R$ 50 milhões, para ser lançado no segundo semestre.

Região metropolitana
Os empreendimentos direcionados ao segmento econômico, que se beneficiam dos subsídios do programa Minha Casa Minha Vida, estão concentrados principalmente na região metropolitana de Curitiba, onde existem mais áreas disponíveis e com viabilidade econômico-financeira para esse perfil de construção. O reflexo disso aparece no total de lançamentos, que, apesar da crise nacional, cresceu de 9.329 unidades em 2014 para 10.990 unidades em 2015, segundo a Ademi-PR.

O levantamento considera um total de sete cidades, onde os lançamentos foram distribuídos da seguinte forma: São José dos Pinhais (3.781 unidades), Araucária (2.041), Campo Largo (1.713), Pinhais (1.586), Colombo (1.307), Fazenda Rio Grande (308) e Almirante Tamandaré (254).

Uma das empresas que se beneficia desse nicho é a MRV Engenharia, que vem ampliando a compra de terrenos no Paraná, sobretudo na região metropolitana. “Por questões de adensamento na capital, essa região acaba sendo estratégica”, afirma o diretor de vendas da regional sul da incorporadora, Marcelo Alvez Mendes. Segundo ele, em 2015, foram lançados pela MRV na região 1,5 mil unidades, com VGV de R$ 220 milhões, e a expectativa para este ano é ampliar esse número. “Temos muitos projetos em processo de aprovação”, ressalta Mendes. “Em Araucária e São José dos Pinhais, onde atuamos, existe uma infraestrutura muito favorável, gerando uma migração de clientes de Curitiba”, conta.

Operação Linha Verde

FOTO: DIVULGAÇÃO: PREFEITURA DE CURITIBAA Prefeitura de Curitiba vem buscandofinanciar a última fase das obras de expansão da Operação Urbana Consorciada (OUC) Linha Verde – na região da BR-116 – por meio da emissão de Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs), títulos negociados no mercado de capitais e que ampliam o potencial construtivo dos empreendimentos. Após dois leilões, um em 2012 e outro em 2014, com resultados abaixo das expectativas, uma nova rodada está sendo preparada para este semestre, segundo a Secretaria de Planejamento e Administração Municipal. A pasta informa também que outra OUC está em fase de modelagem. O novo projeto será voltado a financiar as obras do metrô da capital paranaense.

Por Rodrigo Petry

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