Em off: bastidores da Construção

Para inglês ver
Nunca antes, o lançamento de uma nova fase do Minha Casa Minha Vida foi tão fragmentado como nesta terceira fase. O Governo Federal fez um grande evento em Brasília para apresentar a empresários e movimentos sociais, oficialmente, a terceira etapa do programa habitacional, embora as instruções normativas do Ministério das Cidades para as faixas 2 e 3 já estivessem valendo desde o fim do ano passado. Até a meta de 2 milhões de unidades anunciada na solenidade – menor do que as promessas de 2014 – já tinha sido divulgada pela presidente Dilma Rousseff em discursos no início do ano. E mais de 400 mil unidades desse total, segundo o ministério, já haviam sido contratadas quando o evento foi realizado na capital federal.

Ah, não!
As regras apresentadas para a nova faixa 1,5 do programa federal Minha Casa Minha Vida não agradaram nem um pouco um representante do setor. “Tiraram imóveis da faixa 2 para essa p* de faixa 1,5. Veja só, estou até perdendo o respeito”, disse, no dia do lançamento oficial da terceira fase do programa, no fim de março. A insatisfação dos empresários envolve principalmente a adoção de cadastramento e sorteio para os beneficiários da nova faixa, em vez da venda de imóveis no mercado, como ocorre nas faixas 2 e 3.

Pagando o pato
Com o aumento da pressão de diversos setores pedindo a saída da presidente Dilma Rousseff, empresários do setor da construção estão atentos a possíveis reações dos movimentos sociais que apoiam o Governo Federal. A principal preocupação é que o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), comandado pelo ativista Guilherme Boulos, resolva desencadear uma série de invasões de terrenos e obras, especialmente nas capitais.

BATE-ESTACA

Otimismo?
Embora o avanço no processo de impeachment provoque reações positivas no mercado financeiro – com alta da Bolsa e queda do dólar -, esse otimismo não está sendo sentido neste momento no mercado imobiliário, alerta um executivo. Ele lembra que o setor depende de estabilidade do nível de emprego, crédito barato e confiança dos consumidores para realizar as vendas. Ou seja, nada do que o impeachment será capaz de trazer no curto prazo. “Para nós, a retomada ainda vai demorar”, pondera.

Por água abaixo.
O sistema de reúso de águas cinzas reduz o consumo de água da rede pública e tem grande apelo ambiental, especialmente em períodos de crise hídrica. Na prática, porém, tem sido difícil convencer empreendedores e condôminos a aderir a essa proposta. Uma empresa de engenharia ambiental cotada para dar assistência a condomínios comerciais recém-entregues em São Paulo conta que metade deles decidiu desativar o sistema implantado pela construtora em vez de colocá-lo em operação.

O motivo?
Eles verificaram que é mais barato usar a água da rede pública em vez de bancar o tratamento da água cinza e a manutenção dos equipamentos. Segundo essa consultoria, houve muito “oba-oba” nos últimos anos, com empreendimentos à procura de certificados de sustentabilidade, que, em tese, valorizam os edifícios comerciais. “Só que esqueceram de fazer as contas da viabilidade econômica para os condomínios”, observou a fonte da consultoria ambiental.

Jeitinho
Um elemento atenuante ao Plano Diretor, e não uma complementação. Foi assim que o executivo de uma grande incorporadora definiu a nova lei de zoneamento de São Saulo, aprovada no fim de fevereiro na Câmara Municipal local. Para ele, alguns dos pontos polêmicos do plano aprovado em 2014, foram revistos. Um dos principais é a restrição a mais de um carro na garagem em imóveis nos eixos de mobilidade.

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