Custo comparado: construtora troca argamassa tradicional por estabilizada e reduz custo do insumo em 1,55% por metro cúbico

A construtora Queiroz Silveira fez um estudo comparativo de custos entre argamassa tradicional e estabilizada para utilização no reboco interno – incluindo halls, apartamentos e escada de incêndio – do empreendimento hoteleiro e residencial QS Marista, localizado no Setor Marista, em Goiânia. Por meio do estudo, a empresa constatou que o custo final (material mais mão de obra) da argamassa estabilizada seria 1,55% menor que o custo da tradicional. Isso representa uma redução de R$ 4,86 por metro cúbico de argamassa, ou o equivalente a cerca de R$ 13.000 para toda a obra. Segundo a empresa, foram utilizados 2.657,91 m³ de argamassa para execução de 63.283,52 m² de reboco. O empreendimento será composto por duas torres independentes. A residencial terá 30 pavimentos e 100 apartamentos, enquanto a hoteleira terá 21 pavimentos e 160 unidades. A conclusão da obra está prevista para o primeiro semestre de 2017.

Empreendimento misto QS Marista reúne apartamentos hoteleiros e residenciais em Goiânia

Segundo o engenheiro Humberto Alves Filho, coordenador de obras da construtora, a escolha pela argamassa estabilizada foi importante porque dispensou o emprego de mão de obra para preparo do insumo e facilitou a logística das operações. Enquanto a argamassa estabilizada é entregue pronta no canteiro, a tradicional requer o preparo no local, consumindo tempo dos trabalhadores para a produção do insumo.

A planilha levantada pela construtora (veja os detalhes abaixo) mostra que o custo final da argamassa tradicional é de R$ 316,91/m3, enquanto o da estabilizada é de R$ 312,00/m3. A diferença de valores está concentrada na dispensa da mão de obra para preparação. Na primeira opção, está embutido um custo de R$ 72,39/m3 com mão de obra, enquanto na segunda opção, esse custo é inexistente, pois o insumo é entregue pronto. A planilha detalha, inclusive, o custo da hora improdutiva dos pedreiros e dos serventes com logística da argamassa tradicional, isto é, o custo do tempo dos trabalhadores destinados à produção da argamassa e o transporte da betoneira até o pavimento onde será aplicada.

Material e aplicação
Alves conta que a Queiroz Silveira aplicou o produto estabilizado pela primeira vez para agilizar a execução de um empreendimento cujo cronograma estava atrasado. Desde então, os empreendimentos da construtora começaram a seguir esse modelo. Antes da adoção desse método, a empresa utilizava a argamassa tradicional rodada em obra. O único ponto em comum entre esses dois tipos está na aplicação: em ambos os casos, os pedreiros da construtora aplicam a argamassa na parede forma manual.

A argamassa estabilizada é fabricada pela própria fornecedora, que já faz a dosagem do concreto e entrega o insumo por meio de um caminhão-betoneira. Nessa obra, a argamassa foi descarregada do caminhão e armazenada no pavimento onde seria utilizada no dia seguinte – o que ajuda a diminuir os custos indiretos de energia elétrica com o funcionamento do elevador de cremalheira. Segundo Alves, o insumo pode ser aplicado em até 24 horas seguintes ao descarregamento da betoneira.

Na Opção A, o item “Hora improdutiva aguardando logística da argamassa tradicional” inclui a produção do insumo pelo trabalhador e o seu transporte desde a betoneira até o local
de aplicação no pavimento.
Na Opção B, a argamassa estabilizada é produzida e dosada em usina, atendendo as características e o traço adequado. A Opção B não considera mão de obra, pois o insumo é
entregue pronto no canteiro. As informações são da construtora Queiroz Silveira

Já a argamassa tipo tradicional requer trabalho do pedreiro ou do servente na mistura de areia, brita e cimento para o preparo no canteiro. O engenheiro chama atenção para o fato de que muitas empresas adotam o insumo dessa forma unicamente por um viés cultural, sem um estudo de custos pormenorizado.

Alves acrescenta que a utilização da argamassa estabilizada garantiu a mesma performance técnica que o da tradicional na execução do reboco. “No local, as duas opções são a mesma coisa. A única diferença é a retirada das horas improdutivas”, afirma. “A opção da argamassa estabilizada me trouxe mais controle e menos desperdício”, resume o engenheiro.

Atenção

Alves chama atenção para algumas considerações que devem ser feitas caso uma empresa opte pela construção com argamassa estabilizada. A primeira ponderação é que as empresas devem dimensionar cuidadosamente a quantidade de argamassa que será utilizada no reboco. Se sobrar uma grande quantidade de insumo, quer dizer que houve um desperdício relevante de recursos. Já se faltar argamassa, será preciso fazer uma nova encomenda ao fornecedor, gerando novos custos com transporte e potencial atraso no cronograma de execução da obra.

A segunda ponderação levantada por Alves diz respeito ao cuidado com a espessura do reboco. Se o pedreiro exagerar na dose consumirá uma quantidade elevada e desnecessária. O engenheiro conta que, para evitar esse desperdício de material, a Queiroz Silveira utiliza taliscas, ou seja, recorre a peças cerâmicas em forma de placa retangular ou quadrada para delimitar a espessura do reboco na parede. Esse método reduz a quantidade de produto necessária no reboco interno. “Por conta da aplicação da alvenaria taliscada, nós colocamos uma espessura padrão nos empreendimentos”, exemplifica.

Apoio de engenharia: Fernando Benigno/PINI Engenharia

Esta seção mostra estudos feitos pelas construtoras. As projeções só valem para o caso apresentado. O sistema apontado como mais competitivo pode mostrar-se inviável em obras com outras características e dimensões. O estudo apresentado não deve ser tomado como padrão estrito para decisões de orçamento e escolha de materiais ou sistemas. Construtoras poderão enviar estudos comparativos para publicação nesta seção. Fale com a Redação pelo telefone (11) 2173-2303 ou envie e-mail para construcao@pini.com.br

Por Gabriel Calviño

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