Habitações econômicas mantêm vendas em ano de estagnação de lançamentos em Maceió

Os imóveis econômicos compactos têm trazido movimento ao mercado imobiliário de Maceió neste ano de crise, liderando as escassas vendas no município, que não recebeu lançamentos no primeiro trimestre. Por outro lado, os estoques de unidades de alto padrão lançadas nos últimos anos ainda não foram totalmente absorvidos.

Segundo pesquisa do Sindicato da Indústria da Construção do Estado de Alagoas (Sinduscon-AL), 75 unidades de até 50 m² foram vendidas na cidade de janeiro a março, o que representa 41% do total. Já na faixa de imóveis entre 51 m² e 70 m², 54 negócios foram fechados, ou 29% do total.

As comercializações de unidades menores – em sua maioria imóveis de entrada – em 2016 indica um desaquecimento do mercado quando analisados os números do mesmo período do ano passado, intervalo em que foram vendidos 246 imóveis de até 50 m² e 97 de unidades 51 m² e 70 m². Além disso, a velocidade de vendas em Maceió atingiu em março o menor patamar desde novembro de 2014, segundo o levantamento da cidade.

A oferta de imóveis novos na capital chegou a 2.673 unidades em março, número considerado elevado pelos representantes do setor. Com pouco volume de vendas, o estoque só não é maior porque alguns projetos previstos para 2015 foram impedidos de chegar ao mercado depois que o Ministério Público Federal (MPF) apontou falta de estrutura de saneamento adequada na chamada baixa Maceió. “Agora que está liberado, o pessoal está com o pé no freio, esperando a adequação do mercado”, explica Paulo Malgueiro, presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Alagoas (Ademi-AL). A demanda por imóveis econômicos – que ainda resiste, mesmo em menor volume – se deve, principalmente, a características específicas do município. De acordo com o último censo demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Maceió tem um déficit habitacional de 42 mil domicílios e uma população com mais de 1 milhão de pessoas. Além disso, a capital alagoana possui o menor Produto Interno Bruto (PIB) per capita entre as capitais do País: R$ 16.439,48. “Temos que fazer imóveis menores para poder caber no bolso do consumidor”, diz Alfredo Brêda, presidente do Sinduscon-AL.

A maioria dos imóveis econômicos de Maceió fica localizada na parte alta da cidade, mais longe do litoral. O bairro de Benedito Bentes, por exemplo, que é o mais populoso da cidade, com 88.084 mil habitantes, foi responsável por 25% das vendas no mês de março. Com perfil popular e uma grande quantidade de terrenos disponíveis, a região atraiu muitos empreendimentos nos últimos anos, principalmente enquadrados no programa Minha Casa Minha Vida. “O MCMV teve um sucesso estrondoso no Estado. Tivemos três coisas que favoreceram muito: velocidade da Caixa Econômica local, terrenos a preços acessíveis e agilidade dos construtores”, diz Malgueiro, que ainda aposta no segmento. “Nós construímos em torno de 20 mil moradias, mas ainda há 16 mil em áreas de risco, fora outras necessidades como pessoas se emancipando, casando, separando. Não estamos conseguindo atender a essa demanda.” A cidade possuía, em março, 252 unidades à venda que se enquadram no programa habitacional do Governo Federal.

Nobre, empreendimento Double tem certificação verde como diferencial

Padrões A e B
Mesmo com a vocação da cidade voltada para o segmento econômico, há também quem aposte nos produtos A e B. Em março, as negociações envolvendo imóveis acima de 100 m² representaram 14% do total comercializado. “Para o comprador há uma oportunidade muito grande”, diz Nilo Zampieri Jr, presidente do Sindicato da Habitação de Alagoas (Secovi-AL).

Há 20 anos no mercado de Maceió, a Contrato Engenharia segue investindo no segmento. “Estamos com vendas baixas no geral, mas o padrão A e B tem grandes possibilidades”, diz João Teixeira, diretor da empresa. O último empreendimento lançado pela construtora foi o Complexo Granmonti, que possui apartamentos de três e quatro dormitórios, com metragens variando de 100 m² a 198 m² e preços de R$ 388 mil a R$ 885 mil. Localizado na faixa nobre da parte alta do município, no bairro Farol, o empreendimento garantiu 50% de vendas das unidades residenciais a três anos da conclusão das obras. O VGV é de cerca de R$ 100 milhões. Outro local que concentra boa parte dos empreendimentos nobres disponíveis na cidade é o bairro da Ponta Verde, na parte baixa, a região mais valorizada da cidade. Essa área recebeu 371 unidades em 2013 e ainda tem imóveis ofertados no mercado – 2014 e 2015 foram anos de menor atividade por lá.

Com excesso de oferta nos bairros mais ricos, os empreendimentos com mais diferenciais vêm se destacando. É o caso do empreendimento Double, lançado em julho de 2015 pela V2 Construções. O projeto é o primeiro lançado em Alagoas com certificação ambiental pelo Processo AQUA. Segundo Ronald Vasco, diretor técnico da empresa, o empreendimento tem obtido boa aceitação no mercado, apesar da queda de vendas em 2016. “É um empreendimento diferenciado com 18 unidades e metro quadrado em torno de R$ 6 mil.”

Litoral Norte
Com a ocupação cada vez mais consolidada nos bairros da zona nobre da cidade, o Litoral Norte surge cada vez mais forte como eixo de expansão para o setor imobiliário. “Essa parte é o vetor de crescimento, tem alguns loteamentos, vários projetos e empreendimentos já em andamento”, conta o presidente do Sinduscon- AL. No entanto, há muito questionamento do MPF em Alagoas impedindo construções de prédios naquela região. Um dos impedimentos era não existir um sistema de transporte eficiente com pista duplicada. O problema foi superado no início do ano, com o início das obras da duplicação da AL-101 Norte, que vai em direção ao Estado de Pernambuco.

Em abril, três ações do MPF pedindo a anulação de licenças ambientais já emitidas para empreendimentos pela prefeitura causaram revolta no setor, que ressalta a falta de preocupação da entidade com a quantidade de ocupações irregulares que avançam na região. “Vem acontecendo uma destruição natural por invasões com casas construídas em cima da calçada, e lixo sendo jogado nos rios. Eles têm que entender que nós não entramos para destruir, entramos para ordenar. Não somos o problema, somos a solução”, defende Brêda, do Sinduscon-AL.

Por Dirceu Neto

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