Mercado imobiliário da cidade de Goiânia busca novos nichos

Puxado principalmente pelo desempenho do agronegócio, o mercado imobiliário na cidade de Goiânia sofreu relativamente pouco com a crise até o ano passado. No entanto, no primeiro quadrimestre de 2016, o volume de vendas caiu 45% em relação ao mesmo período de 2015 e o número de lançamentos chegou a zero no mês de abril. Tal cenário tem incentivado os empresários locais a procurarem novos nichos e também a olharem para as cidades do entorno, como Aparecida de Goiânia, que desponta como eixo de crescimento.

Há 35 anos no mercado local, a EBM Desenvolvimento Imobiliário começou a ampliar sua atuação para o segmento econômico. “Enxergamos que a concentração no médio e alto padrão estava restringindo o nosso crescimento”, afirma Fernando Rasuk, diretor de incorporação. Para ele, essa ampliação no foco de atuação foi favorecida pela oferta abundante de crédito para o segmento econômico e também pelo fato de a demanda pelo produto ser maior do que no alto padrão. “Prova disso é que o índice de Velocidade de Vendas sobre Oferta (VSO) no segmento econômico tem sido significativamente maior do que no segmento de alto padrão”.

De acordo com pesquisa da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi-GO), o VSO para imóveis de 51 m² a 75 m² foi de 3,94% em abril, seguido por empreendimentos de 26 m² a 50 m², com 3,55%. Em terceiro lugar, ficou o VSO para imóveis de mais de 131 m², com 2,56%.

O mesmo levantamento aponta que um ano atrás, a venda de unidades com três quartos era próxima e às vezes chegava até a passar a quantidade de unidades negociadas de dois quartos em Goiânia. Em abril, imóveis com dois quartos representaram mais que o dobro das vendas de unidades com três quartos, somando 150 imóveis vendidos contra 63.

“Houve uma redução na metragem quadrada. Sentimos que o perfil do consumidor está se adequando à redução do padrão de vida que ele teve”, explica o presidente do Sindicato da Indústria da Construção de Goiás (Sinduscon-GO), Carlos Alberto de Moura, que também aposta no momento favorável do padrão médio para baixo.

Atualmente os bairros apontados com possibilidade para construção de produtos de médio padrão e econômicos são os da região Sul, principalmente o Parque Amazônia e Jardim Atlântico, e da região Sudoeste, como o Setor Faiçalville. Além desses locais, a cidade de Aparecida de Goiânia segue o mesmo rumo e tem chamado a atenção dos empresários por oferecer oportunidades de terrenos e boa velocidade na aprovação de projetos.

Aparecida de Goiânia
Apesar de ainda estar longe de ter a demanda observada na capital, Aparecida de Goiânia pode gerar boas oportunidades no médio e longo prazos, principalmente para imóveis voltados para baixa renda. Nos últimos dez anos, ela se tornou um dos maiores centros industriais do estado, ficando famosa por ser a segunda cidade do Brasil em geração de empregos em 2014.

Além disso, outra vantagem para construir na cidade tem sido a velocidade para aprovação de projetos. “Em Aparecida de Goiânia se aprova um projeto em 90 dias. Na capital tem levado até 18 meses. Ou seja, nós temos muito a aprender com Aparecida de Goiânia”, explica Renato de Sousa, presidente da Ademi-GO.

Foi por facilidades como essa que a EBM Desenvolvimento Imobiliário, junto com outras três empresas (Tropical Urbanismo e Incorporação, GPL Incorporadora e Terral Incorporadora), lançou o Parque América, primeiro bairro planejado da cidade. Segundo o diretor Fernando Rasuk, foi negociado com a prefeitura a implantação de um parque de 44 mil m² para uso público. “Em contrapartida, a prefeitura nos autorizou a fazer as incorporações ao redor desse parque”, explica. Atualmente a empresa tem 15 terrenos na cidade e dois empreendimentos.

VELOCIDADE DE VENDA POR METRAGEM

Um dos imóveis lançados pela EBM, o Condomínio Havaí, possui 236 unidades divididas em duas torres, com VGV total de R$ 47 milhões. A primeira torre foi lançada em 2014 e possui 90% das unidades vendidas. Os preços variam de R$ 190 mil para imóveis de 56 m² (dois quartos) e R$ 240 mil para unidades de 68 m² (três quartos). A segunda torre ainda não foi lançada, pois a empresa ainda tem estoque de unidades prontas em outro empreendimento no local (Caribe) cujo número de distratos foi impactado pela restrição de crédito aos clientes.

De acordo com Ioav Blanche, do Sindicato dos Condomínios e Imobiliárias de Goiás (Secovi-GO), apesar do volume de distratos em Goiânia estar mais baixo (na faixa de 25%) do que em outras regiões do País, ainda preocupa. “Para nível histórico é uma situação extremamente atípica. Isso pode acabar prejudicando muito o mercado imobiliário”, alerta Blanche

Condomínios logísticos
Com a implementação do polo industrial em Aparecida de Goiânia e obras como o desvio na BR-153 (também chamado Anel Viário Goiânia-Aparecida) e a construção do Aeroporto de Cargas de Anápolis, a cidade começa a despontar também para condomínios e galpões logísticos, um segmento ainda embrionário na região.

Segundo levantamento da Colliers International, há apenas um condomínio logístico em Goiânia, o Log Goiânia, do Grupo MRV, que possui um inventário de 40.363 m², onde a taxa de vacância é zero. “Em comparação com outras regiões, a Centro-Oeste possui um inventário menor, mas justamente em razão do início de todas essas obras de infraestrutura ter acontecido depois de outras regiões”, analisa Paula Casarini, vice-presidente da Colliers International, que acredita ser muito provável que exista mais demanda para esse tipo de condomínio na região.

De olho nesse potencial logístico, a construtora Innovar resolveu investir em um condomínio para indústrias e empresas de logística em Aparecida de Goiânia, o All Park Polo Empresarial. O empreendimento possui 184 lotes e um VGV de R$ 30 milhões. Foi lançado em 2014 e, até agora, a empresa vendeu 130 mil metros do total de 345 mil metros de área alienável, a um preço médio de R$ 435,00 /m². “Goiânia e Aparecida é o futuro da logística do Brasil porque nós estamos no centro do País. É uma lógica de transporte. E isso vem só crescendo”, afirma Romeu Neiva, diretor e sócio da empresa.

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