Orçamento real: torres corporativas com solução de fachada tecnológica em São Paulo

Ao iniciar as obras do Lincoln Offices – empreendimento comercial com duas torres de 12 pavimentos cada e 96 unidades de escritório, localizado em São Paulo – o Grupo Feller se deparou com o principal desafio que enfrentaria durante os dois anos de construção: o canteiro estreito. Ao iniciar as obras do Lincoln Offices – empreendimento comercial com duas torres de 12 pavimentos cada e 96 unidades de escritório, localizado em São Paulo – o Grupo Feller se deparou com o principal desafio que enfrentaria durante os dois anos de construção: o canteiro estreitologísticas e tecnológicas que diminuíssem os riscos de danos aos prédios vizinhos e também reduzissem o número de pessoal na obra. “Além disso, nós temos uma árvore no meio do terreno que precisa ser mantida até o final da construção”, ressalta Edgar Gaffo, engenheiro de custos e planejamento do Grupo Feller e engenheiro residente na obra do Lincoln Offices.

Realizando a fundação em hélice contínua, que diminuiu as vibrações durante a execução, reduzindo, consequentemente, os riscos de acidentes relacionados aos prédios do entorno, a construtora apostou em uma nova solução de fachada para aliar vantagens tecnológicas com necessidades da obra.

Diferentemente dos sistemas convencionais de fachada, o sistema alemão adotado pelo Grupo Feller, chamado de Sistemas Exteriores de Isolamento e Acabamento (Exterior Insulation and Finish Systems – Eifs) não possui a necessidade de utilização de massa. Trata-se de uma cobertura de parede exterior, não portadora de carga, que é composta pelos seguintes elementos: adesivo e/ou sistema de sujeição mecânica; painel isolante; malha de reforço de fibra de vidro; camada base; e, camada de acabamento.

Para executar os 4.500 m² de fachada ao longo de quatro meses de chuva, a equipe de engenharia dividiu o processo de execução em sete principais etapas: limpeza e encunhamento; mapeamento da estrutura; colagem do EPS; tela de cobertura e aplicação do Basecoat; aplicação da seladora; aplicação do Decocoat; aplicação do Clear Coat Sealer. “Teve bastante redução de desperdício, principalmente, com relação ao consumo de água, que é um fator bem significativo para nós”, conta Gaffo.

CUSTO POR ETAPA SIMPLIFICADO

Outro ponto importante para a obra foi a redução de carga térmica do prédio e, consequentemente, de instalações, comparada à fachada convencional. Existe uma placa de isopor no Eifs que funciona como uma pele para o prédio e equivale a seis paredes de alvenaria feitas uma ao lado da outra. Para verificar os níveis de produtividade com o sistema, foi realizado um acompanhamento diário de quantos metros quadrados eram produzidos.

O engenheiro conta também que, caso optasse por realizar a fachada da forma convencional, teria que ter espaço no canteiro para receber em torno de 40 pessoas. No entanto, com esse sistema de fachada, foi possível trabalhar com 18 profissionais. “Foi um ganho muito grande para a obra com relação a espaço físico”, complementa. O grupo já está estudando a implantação desse sistema em outros empreendimentos, na fase de projeto – em que é possível reduzir cargas de estrutura e fundação pensando na leveza do sistema.

Custos
O custo da obra totalizou R$ 16,9 milhões até o final de maio deste ano. O item mais oneroso do orçamento foi a superestrutura realizada em concreto armado com fechamento em alvenaria de vedação, representando 20,96% do total de custo, o mesmo que R$ 3,55 milhões. O tamanho reduzido do terreno acabou gerando mais gastos do que o normal para o item em relação a outras obras da construtora.

Na soma dos itens de movimentação de terra, serviços preliminares, contenções e serviços técnicos (topografia e sondagens) é possível verificar um custo superior ao que costuma ocorrer. “Ficou bastante pesado [o orçamento] por conta das contenções. Fizemos as contenções em perfis metálicos com cortina em pré-moldado de concreto. A obra foi um caso atípico de logística quando falamos de espaços confinados”, afirma Gaffo.

Somente as contenções custaram R$ 467,2 mil, o equivalente a 2,76% do total da obra. Já o item de revestimentos de paredes externas, em que foi inserido o novo sistema de fachada utilizado pela construtora, representou 12,20% do total do orçamento, ou seja, R$ 2,1 milhões. Deste valor, pouco menos que a metade foi destinada à implantação da fachada. “O sistema de fachada em si custou aproximadamente metade do valor total de revestimentos externos, em torno de R$ 984 mil. Na outra metade estão inseridos os revestimentos de paredes externas de todo o prédio, não somente da fachada”, explica o engenheiro de custos e planejamento da construtora.

Apoio de engenharia: Ricardo Antônio – PINI Consultoria

Por Aline Mariane

Veja também: