Custo comparado: laje maciça vigada x laje plana protendida

Com a necessidade de executar uma obra complexa dentro de um prazo curto comparado a sua dimensão, a Consciente Construtora deu início a uma busca por sistemas mais racionalizados que fornecessem agilidade à obra e, ao mesmo tempo, apresentassem custos competitivos. O empreendimento misto – Nexus – é composto por uma torre corporativa com 27 pavimentos, uma torre office- hotel com 31 andares; centro de convenções; dois subsolos; três pavimentos de shopping e oito decks de estacionamento. Durante o projeto, a construtora realizou um comparativo entre o sistema estrutural de laje maciça vigada e de laje plana protendida. A primeira opção, utilizada em obras residenciais da Consciente, já tinha um histórico de estudos relacionados à produtividade. A segunda opção exigiu que a equipe técnica realizasse visitas a outros empreendimentos em São Paulo, Brasília, Vitória, Porto Alegre e Fortaleza para que fosse possível verificar “in loco” a viabilidade do sistema.

Nessas visitas, a equipe realizou os estudos nos projetos de estrutura, aferiu as produtividades da mão de obra envolvida na etapa e conseguiu verificar um aumento de 70% na produtividade comparado ao sistema convencional de laje maciça vigada. “Quando se executa um sistema de laje plana, com a eliminação de vigas rebaixadas, a laje fica livre para ser forrada, num único plano. Isso possibilita um enorme ganho de produtividade”, explica Leonardo Menezes, engenheiro da Consciente Construtora.

OPÇÃO 1 – SISTEMA ATUAL – FÔRMA LAJE MACIÇA VIGADA – OFFICE-HOTEL

OPÇÃO 2 – SISTEMA PROPOSTO – FÔRMA COM LAJE PLANA PROTENDIDA OFFICE-HOTEL

No comparativo realizado pela construtora, que teve como base um pavimento da torre office-hotel e outro pavimento da torre corporativa, foi possível verificar que o segundo sistema, de laje plana protendida, apresentou redução de custos na comparação com o primeiro. “Com relação à mão de obra, a laje plana oferece a condição de trabalhar com o sistema de escoramento de ‘mesas voadoras’, sistema que possibilita otimização na montagem da fôrma, tornando a execução mais rápida, reduzindo o ciclo da estrutura”, complementa Menezes. Devido à protensão nas lajes, houve também queda significativa na quantidade de armadura no pavimento, possibilitando redução na equipe de armadores envolvida. Tudo isso compensou, em termos de custos, o acréscimo no volume de concreto no sistema adotado.

Além disso, com lajes planas, a construtora conseguirá obter maior produtividade e racionalização para execução das disciplinas de instalações no empreendimento, eliminando conexões, desvios e possibilidades de furações em vigas, de acordo com o engenheiro.

A redução significativa da área de vigas possibilitou ainda diminuição na área de fôrma do pavimento. Como exemplo, no item do comparativo “concepção de fôrma (laje, vigas e pilares), área de montagem”, no sistema de laje maciça vigada com área de 2.350,17 m², os custos com mão de obra chegam a R$ 28.202,04. No sistema de laje plana protendida, a área de montagem diminui para 1.969,48 m², fazendo com que os custos com mão de obra acompanhem essa queda, chegando a R$ 23.633,76. É possível verificar essa redução em outros itens da tabela, analisando o comparativo da torre office-hotel.

Ainda nesse mesmo estudo, na primeira opção de laje maciça vigada, o custo total chegava a R$ 285.946,23. Já a segunda opção apresentou redução de R$ 2.006,49, totalizando R$ 283.939,74 em custo. O estudo feito com o pavimento da torre corporativa apresentou redução de R$ 287.580,49 no sistema de laje plana protendida.

Todos esses aspectos em conjunto foram fundamentais para a escolha dessa alternativa. Com essa mudança, a construtora reduzirá dois dias no ciclo de fôrma, levando a uma diminuição significativa de tempo: cinco meses na execução da estrutura das torres. Esses fatores determinaram a preferência pela laje plana protendida na obra do Nexus. “Essa escolha representou até uma mudança de paradigma, porque nos empreendimentos em Goiânia não é convencional realizar o sistema de laje plana”, conta o engenheiro.

Após realizar o estudo referente à estrutura, a Consciente aprofundou estudos também sobre o sistema de fechamento. Entre alvenaria de bloco cerâmico e parede de drywall, a segunda opção, também nova para a construtora, foi adotada em função da racionalização de custos de mão de obra, agilidade no processo e uma obra mais limpa.

Apoio de engenharia: Fernando Benigno/PINI Engenharia

Esta seção mostra estudos feitos pelas construtoras. As projeções só valem para o caso apresentado. O sistema apontado como mais competitivo pode mostrar-se inviável em obras com outras características e dimensões. O estudo apresentado não deve ser tomado como padrão estrito para decisões de orçamento e escolha de materiais ou sistemas. Construtoras poderão enviar estudos comparativos para publicação nesta seção. Fale com a Redação pelo telefone (11) 2173-2313 ou envie e-mail para construcao@pini.com.br

 

Por Aline Mariane

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