Governo retoma obras e promete 700 mil casas no MCMV para 2017

O presidente interino Michel Temer reafirmou em agosto, durante encontro com representantes de 98 entidades ligadas à construção civil, em Brasília, a retomada das obras de 10.609 unidades do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) na faixa 1, que estavam paralisadas. “Não há prosperidade possível sem a construção civil”, afirmou Temer, destacando que as carências do País em infraestrutura são notórias.

Serão construídas outras 40 mil unidades neste ano na faixa 1,5 do programa (relançada em agosto), criada para atender famílias com renda de até R$ 2.350. Nesta modalidade estão previstos subsídios de até R$ 45 mil. Esse valor varia de acordo com a renda do mutuário e a localização do imóvel.

O governo destinará R$ 3,8 bilhões à nova faixa. Desse montante, apenas R$ 140 milhões virão do Tesouro, sendo a maior parte desembolsada pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Para garantir a continuidade do MCMV, o governo interino também se comprometeu em contratar 600 mil unidades em 2017.

Para José Carlos Martins, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), ter reunido líderes empresariais de todos os elos da cadeia produtiva dos 27 Estados denota a importância de um evento como esse. “Nunca vi o presidente fazer um discurso tão longo e tão animado. Estamos esperançosos.”

Para o vice-presidente de Habitação Popular do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), Ronaldo Cury, o governo tem acertado ao colocar a garantia dos pagamentos da faixa 1 como prioridade máxima. “A receptividade do governo às sugestões do setor é muito boa. Também gostei da definição de um ponto de controle [encontro com representantes do setor] a cada 45 dias para saber o que está dando certo e o que precisa de ajustes”, acrescentou.

Na avaliação do presidente do SindusCon-SP, José Romeu Ferraz Neto, o setor dispõe de potencial para voltar a gerar emprego em um a dois anos. Segundo o executivo, se o governo conseguir mobilizar R$ 50 bilhões em investimentos públicos e privados é possível gerar 854 mil empregos, recuperando as vagas perdidas pela indústria da construção nos últimos dois anos e meio.

Para o presidente do Secovi-SP, Flavio Amary, ter representações de todos os Estados reunidas ali é um exemplo da importância do setor para uma reativação da economia. “Isso demonstra nossa importância para a retomada. Mas considero ser fundamental agora que tenhamos uma agenda positiva microeconômica, com ações sem custo efetivo para o governo, mas com resultados: como a desburocratização do setor, proporcionando mais segurança jurídica para os negócios”, afirmou.

Amary considera que já estamos em um cenário de recuperação, mas precisamos de estabilidade política, dos encaminhamentos econômicos para voltar a crescer. “Para isso é fundamental uma recuperação da confiança.” No encontro, organizado pela CBIC, o setor declarou apoio ao governo para a adoção das medidas indispensáveis à reativação da economia. Na conversa com Temer, o grupo enfatizou a importância do equilíbrio fiscal e das reformas trabalhista e da Previdência para a retomada dos investimentos no setor.

A agenda proposta pelo setor inclui a aprovação de reformas estruturantes, com a modernização da Previdência e da legislação trabalhista; além da adoção de mecanismos de controle dos gastos públicos. O evento reuniu aproximadamente 800 pessoas.

Cresce perfil do comprador de imóvel para morar, informa Raio X FipeZap

Investimento com intenção de aluguel surge em segundo lugar na pesquisa trimestral

Cresceu o número de compradores de imóvel cujo objetivo é a moradia no segundo trimestre, de acordo com o Raio X FipeZap. Em junho, 59% dos entrevistados que adquiriram imóvel nos últimos 12 meses declararam ter planos de utilizá-lo para moradia. Em segundo lugar, investimento com intenção de aluguel surge como principal motivo de compra, com 23%.

O perfil de compra para investimento, por sua vez, tem diminuído, atingindo 40% no final do segundo trimestre – menor valor da série histórica. Em junho de 2014 esse grupo representava 46% dos compradores. Alguns números, porém, ainda apontam para um cenário de baixa atividade. O percentual médio de descontos nos últimos 12 meses, por exemplo, atingiu o maior patamar da série histórica: 9,4%. Em junho de 2015, a média dos descontos estava em 6,9%. O percentual de transações com descontos cresceu nesse mesmo período, de 70,6% para 76,6%. Em junho, apenas 23,4% das compras foram realizadas com o preço pedido pelo vendedor.

Segundo a pesquisa, 53% dos que pretendem comprar nos próximos três meses se mostraram indiferentes se o imóvel for novo ou usado. Entre os que compraram um imóvel recentemente, 53% acharam os preços “altos” ou “muito altos”. No primeiro trimestre de 2016, essa avaliação era compartilhada por 57% dos consultados. Os resultados indicam uma diminuição do pessimismo. Esse é o terceiro trimestre seguido em que houve redução no percentual de entrevistados que esperam queda nos preços nos próximos 12 meses.

Abecip reduz perspectiva de crédito imobiliário para 2016 em R$ 10 bilhões, após 1º semestre ruim

Fonte: Abecip

Diante da deterioração maior que a esperada da economia brasileira, em julho a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) reduziu de R$ 60 bilhões para R$ 50 bilhões a perspectiva para o crédito imobiliário em 2016. Com isso, a estimativa de queda em relação ao ano anterior passa de 20,6% para 34%. De acordo com o presidente da Abecip, Gilberto Duarte de Abreu Filho, não se imaginava que o ano seria tão duro quando começou. Para o executivo, os indicadores como confiança do consumidor, da indústria e dos empresários devem começar a melhorar no segundo semestre. Aliado a isso, se o Risco Brasil continuar seguindo a trajetória de queda demonstrada desde o início do processo de impeachment, a taxa de juros futuros deve recuar – deixando os financiamentos mais baratos – e injetando otimismo no setor imobiliário. O cenário mais difícil que o esperado no primeiro semestre foi desenhado pela derrocada do Produto Interno Bruto (PIB), forte queda na confiança dos consumidores, deterioração da política fiscal e crise política que culminou no afastamento da presidente Dilma Rousseff. “Precisamos ver se nossas expectativas se materializam”, ponderou.

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