Em off: bastidores da construção

Jogo limpo
A participação em editais está mais tranquila após as investigações da Lava Jato, segundo o executivo de uma empresa de mobilidade urbana. As “cartas marcadas” sobre quem deve se responsabilizar pelas obras estão sumindo ou, pelo menos, estão mais sutis. Para evitar qualquer malentendido nas negociações, o executivo leva a tiracolo pelo menos quatro funcionários com cargos técnicos para acompanhar as discussões e acordos com membros de governo.

Fora da UTI
A onda de otimismo pós-impeachment parece ter contagiado até os economistas conhecidos por seu viés mais catastrófico. Eduardo Giannetti da Fonseca tem estimado em palestras que o Produto Interno Bruto (PIB) terá crescimento próximo de 2% em 2017, enquanto a mediana das projeções do mercado cravavam 1,3% no início de setembro. Segundo ele, nossa economia já saiu da UTI e agora está em “convalescência”.

PEC 241 – a polêmica
Entre as medidas estruturais que o setor julga essenciais para a retomada do fluxo de investimentos internacionais para o Brasil, a mais lembrada entre os executivos é a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição 241 (PEC 241/2016), que institui um novo regime fiscal – congelando os gastos públicos pelos próximos 20 anos.

BATE-ESTACA

Agora vai?
O clima era de alívio e comemoração em festa de premiação do setor ocorrida em São Paulo horas após a aprovação do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff no Senado. A frase que mais se escutava pelos corredores era “agora vai”.

Apesar de você
Em tom de celebração, era possível ouvir em diversas rodinhas pelos corredores o placar da votação. “Mais uma vez olhamos nos olhos da crise e dissemos: apesar de você, amanhã há de ser outro dia”, alardeou um executivo, ironicamente citando Chico Buarque.

Na pressão
Resolvido o imbróglio político, todos os holofotes agora estão voltados para Michel Temer. “Acredito que ele é capaz e confio na equipe econômica escolhida por ele, mas a pressão será muito maior e as mudanças não acontecerão da noite para o dia”, comentou em tom de cautela outro executivo presente ao evento.

Tempo, tempo, tempo
Outros pediam paciência, acreditando que os sinais mais claros de recuperação serão sentidos somente a partir do segundo semestre de 2017. O ritmo da retomada, enfatizou outro executivo, irá depender das aprovações no Congresso para os ajustes estruturais. Menos eufórico, um empresário avaliou que o País sofrerá os efeitos da crise pelos próximos dez anos.

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