Orçamento real: Praia Brava, em Santa Catarina, ganha resort residencial com 14 torres

Visando uma nova área para empreender, a incorporadora Procave iniciou em 2009 a construção do Brava Home Resort, um condomínio luxuoso que ocupa um terreno de 75,1 mil m², com 14 torres, de 15 pavimentos cada – incluindo um andar de subsolo e o térreo. São 324 apartamentos no total, com 150 m² a 250 m² de área privativa. Em 12 torres o empreendimento apresenta dois apartamentos por andar. Em outras duas, o projeto é de um imóvel por pavimento, totalizando 142,7 mil m² de área construída.

 

Localizado na Praia Brava, no município de Itajaí, em Santa Catarina, o projeto teve um orçamento total de R$ 345,5 milhões. As últimas unidades foram entregues no início de 2016. Para a fundação foi utilizada a estaca hélice contínua que apresentou melhor custo- benefício e rapidez, segundo a incorporadora. A camada de suporte com a resistência ideal foi achada com 16 m de profundidade com estacas variando de 40 cm a 80 cm de espessura. O empreendimento está 6 m acima do nível do mar e esse tipo de fundação – que é comum na região – foi orçada em R$ 8,5 milhões, o equivalente a 2,45% do orçamento total.

A estrutura feita em concreto armado, com um volume total de 50 mil m³ de concreto e quatro mil toneladas de aço em toda a área estrutural, foi o item mais oneroso de toda obra, alcançando 20,58% do total, com R$ 71,1 milhões.

Por ser uma obra muito extensa, as instalações elétricas tiveram um impacto significativo na obra, de 9,16% – correspondendo a R$ 31,6 milhões. O condomínio conta com três transformadores e dois grandes geradores para dar suporte em caso de falta de energia. “O ponto de saída da energia é da área frontal, próxima da concessionária pública, e para fazer essa distribuição interna demanda um custo mais elevado. Possuímos um cabo de maior envergadura para garantir conforto aos moradores”, explica Edson Kratz, engenheiro civil da Incorporadora Procave e responsável pela obra.

O custo com revestimentos também foi alto devido à escolha dos materiais. Os pisos representaram 7,98% (R$ 27,5 milhões) do orçamento total. As paredes externas representaram 10,69% (R$ 36,9 milhões), e as paredes internas consumiram 5,96% (R$ 20,5 milhões), somando cerca de R$ 85 milhões. Revestimentos de tetos e forros consumiram R$ 11 milhões (3,19%).

Nas áreas internas, tanto dentro dos apartamentos como nas áreas comuns, o porcelanato foi usado nos pisos em 45 mil m² da obra, representando 2% do custo total. Mais de 59 mil m² de área de pastilhas foram usados nas paredes externas, equivalendo a 1,7% do total aplicado no orçamento global. O granito, utilizado em 45 mil m² da obra, representou 3,6% dos custos.

O orçamento das esquadrias de alumínio foi o mais oneroso entre os outros tipos de esquadrias. O material consumiu 6,61% do orçamento (R$ 22,8 milhões), ocupando uma área de 30 mil m² em todo o condomínio, incluindo todas as janelas das torres e do clube. Esse espaço, devido a sua estrutura arquitetônica, fez com que essa parte do orçamento ficasse ainda mais cara.

Natureza
O terreno do condomínio está próximo de uma área de preservação ambiental com 15 mil m² de Mata Atlântica. Foi criada uma escola interna para os filhos dos moradores aprenderem a cuidar de uma horta comunitária e da natureza que cerca o residencial. “Isso trouxe um espírito muito forte de preservacionismo”, diz Kratz.

O empreendimento está 6 m acima do nível do mar e a fundação do tipo estaca hélice contínua foi orçada em R$ 8,5 milhões, o equivalente a 2,45% do orçamento total. Durante a execução da obra, Santa Catarina passou por um período de seca e os engenheiros tiveram que se adaptar, priorizando e reestruturando as atividades necessárias para transpor o período

Os idealizadores do projeto, junto com uma equipe de paisagistas, contribuíram para o desenvolvimento da fauna plantando 950 árvores frutíferas com o intuito de atrair pequenos animais, além de criar um microclima plantando mais 980 palmeiras. Os moradores do Brava Home Resort têm em suas escrituras uma parcela dessa área de preservação permanente criando uma corresponsabilidade com a natureza.

Também foram desenvolvidos artificialmente dois rios e uma cachoeira. Essa parte da obra foi além do projeto de custo, devido à importação de pedras trazidas de Portugal – escolhidas por sua melhor capacidade térmica. Além disso, foi necessária a contratação de uma equipe técnica especializada para realizar essa parte do projeto. “Essa etapa, pelas suas especificidades, passou da nossa previsão de custo, mas em nenhum momento tivemos que rever o projeto, fomos sempre avançando”, conclui Kratz.

São armazenados 4,5 milhões de litros de água que ficam nas piscinas, nos rios artificiais e nos reservatórios do condomínio. A incorporadora ainda construiu um poço de 160 m de profundidade para buscar água, para o qual foi necessária autorização da Secretaria Municipal do Meio Ambiente.

Seca
Durante a execução da obra, Santa Catarina passou por um período de seca e os engenheiros tiveram que se adaptar, priorizando e reestruturando as atividades necessárias para transpor o período. “O município estava recentemente fazendo uma transformação no sistema de abastecimento, e tivemos que nos adaptar nessas questões, mas foi superado”, diz Kratz.

O condomínio tem um manancial com cerca de 400 mil litros de capacidade para armazenar água da chuva, que é reaproveitada para as áreas de paisagismo, como os jardins suspensos, e reservatórios importantes, como a ala de incêndios. O sistema capta eletronicamente as condições climáticas, analisando de acordo com o período, o que faz com que os quase 10 mil pontos de absorção sejam acionados para irrigar toda a área de paisagismo.

Apoio de engenharia: Ricardo Antônio – PINI Consultoria

Por Tayane Sette

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