Limpeza de obras exige atenção máxima aos detalhes

Ponto sensível na relação entre cliente e construtora, o serviço de limpeza pós-obra, que precede a tão aguardada entrega das chaves, pede atenção extra aos detalhes e análise rigorosa dos fornecedores. Por se tratar de um grande volume de trabalho que deve ser realizado em um curto espaço de tempo, a tarefa exige comprometimento, capacitação, qualidade do serviço e dos materiais utilizados. Tudo isso deve ser analisado cuidadosamente na hora da contratação de uma empresa do ramo.

Avaliar a qualidade do material utilizado (de preferência biodegradável e atóxi- DIVULGAÇÃO: R.YAZBEK co) e conhecer o histórico dos fornecedores, bem como sua situação financeira são itens prioritários. “Antes de contratar pesquisamos bastante com clientes anteriores para saber da qualidade do trabalho do fornecedor”, explicou o superintendente de obras da R.Yazbek, o engenheiro César Kato.

“É preciso seguir um planejamento minucioso para definir até a ordem em que as tarefas serão realizadas. Tudo precisa ser pensado de quatro a seis meses antes da contratação e sua execução acompanhada de perto para evitar danos e retrabalho”, afirmou o superintendente.

Especificações contratuais 
Contratar um fornecedor único para pintura e limpeza pode fazer toda a diferença no resultado final, segundo o diretor de construção da Brookfield Incorporações em São Paulo, Marcos Sarge. “Ter um fornecedor único costuma resultar em melhor desempenho de cronograma e menor necessidade de interferência de sua supervisão do que quando os serviços são contratados de fornecedores distintos”, observou o executivo. Para evitar surpresas, ele recomenda também a definição de escopo, cronograma, responsabilidades, prazos de garantia e condições de penalidades.

De acordo com Kato, é importante garantir que a responsabilidade pela remoção de respingos, manchas de tinta e excesso de rejunte tanto interna como externamente (fachada), esteja expressa em contrato. “Quando buscamos um fornecedor procuramos cercar todos os aspectos. Uns cinco anos atrás, durante o boom imobiliário, perdemos um pouco o controle, mas nos últimos tempos não temos tido surpresas. Planejamento é a chave”, afirmou. Para Sarge, antes da contratação a fornecedora deve obrigatoriamente cumprir um checklist técnico e comercial.

Outra recomendação é incluir no contrato uma lista dos equipamentos que serão necessários. “Se tenho um ambiente de pé-direito duplo com uma janela em um ponto mais alto, por exemplo, fica claro que será necessário um andaime e isso deve estar especificado”, disse Kato.

Kato recomenda ainda que a contratação do serviço seja feita no máximo seis meses antes da entrega da obra, com prazo mínimo de 30 dias antes do início do serviço.

*Fonte: Marcos Sarge, diretor de construção da Brookfield Incorporações

 

É indicado que o contratante também estipule o prazo para realização do serviço, o que deve levar em conta a dimensão e a quantidade de ambientes. Isso é fundamental para o dimensionamento da equipe que atuará no local. Com relação ao critério de medição para pagamento, é aconselhável adotar o critério por am – biente e não por metro quadrado. “Por ambiente fa – cilita a conta. Em uma torre de 25 pavimentos, com 100 apartamentos e que inclui as três etapas do serviço (desengrosso, limpeza fina e repasse para vistoria), por exemplo, é muito mais prático medir por apartamentos ou por andares.”

Iniciado os trabalhos, um supervisor deve acompanhar as atividades da equipe e repassar ao engenheiro responsável possíveis problemas ou falhas que tenham sido identificadas, acrescentou Kato.

Ter um fornecedor único costuma resultar em melhor desempenho de cronograma e menor necessidade de interferência de sua supervisão do que quando os serviços são contratados de fornecedores distintos

Negociação acirrada 
Do lado dos fornecedores, o administrador da Sanchez Soluções em Serviços, Ivan Sanchez, considera que o segmento tem enfrentado com relativa calma a retração do mercado, mas admite que precisou equalizar seus preços à realidade atual para fechar negócios. “Diria que a negociação ficou um pouco mais acirrada, mas o mercado não parou”, conta.

Em alguns casos, aponta o empresário, o bom desempenho da fornecedora a transforma em uma espécie de consultora para manutenção periódica do imóvel. “Apesar de a limpeza pós-obra ser diferente da ação para conservação de ambientes, isso já me aconteceu algumas vezes.”

Com dez anos de mercado, Sanchez afirma que ter conhecimento técnico sobre o assunto é essencial para se estabelecer.

“Trabalhei 15 anos em uma empresa de terceirização nas áreas de limpeza e segurança antes de abrir meu próprio negócio e sei da importância da capacitação nesse segmento. Falta mão de obra especializada.” Com atuação concentrada em residências, escritórios e galpões, Sanchez tem em sua lista de clientes empresas como as construtoras MPD, Dubai e a Epson Engenharia.

Dos incidentes registrados por sua empresa, o empresário lembra apenas de duas situações. “Precisamos substituir uma porta de vidro e um vaso sanitário em diferentes ocasiões. Não constava em contrato, mas pagamos a troca.”

Passado o cenário um pouco assustador de 2015, para Sanchez este ano tem sido marcado por evolução e ajustes. Para 2017, o empresário diz ter perspectivas de crescimento.

A responsabilidade pela remoção de respingos, manchas de tinta e excesso de rejunte deve estar expressa em contrato

Gestão responsável 
Contra a filosofia do improviso, Fabio Villas Bôas, diretor técnico da Tecnisa, defende que todos os contratados, mesmo os terceirizados, devem passar por treinamento. Na sua empresa, além da capacitação, o processo de limpeza inclui supervisão em tempo integral. “A responsabilidade é nossa, por isso criamos um sistema de gestão que garanta o bom funcionamento em todas as etapas da obra”, informou.

Segundo ele, qualquer problema relacionado à limpeza é resolvido pela gerência técnica. “Não por acaso o nosso gerente da assistência técnica também responde pelas áreas de qualidade e desenvolvimento tecnológico. Ou seja, tudo que dá errado na assistência técnica vira algum plano de ação nas áreas de desenvolvimento e controle de qualidade”, observou Villas Bôas.

Norma técnica 
No escopo das normas técnicas, as prestadoras devem obedecer às regras de segurança previstas na NR-18, que regulamenta as condições e meio ambiente de trabalho na indústria da construção, na NR-35, sobre trabalho em altura, e na NR-06, sobre Equipamentos de Proteção Individual (EPIs).

Com a entrada em vigor da Norma de Desempenho de Edificações (NBR 15.575), as equipes de limpeza também passaram a ser vistas como pequenas aliadas na identificação de problemas em paredes, pisos e janelas. “Isso, porém, não representou grandes mudanças na rotina das fornecedoras desse serviço”, afirmou Villas Bôas.

Fazendo as contas 
O custo do serviço de limpeza pode variar de 0,8% a 1,5% do valor da obra, dependendo do tipo de empreendimento e itens de acabamento – que varia de acordo com a finalidade da obra (comercial, industrial ou residencial).

Por Fabiana Holtz

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